quarta-feira, 1 de julho de 2026

Gosto de música... “Todo Este Céu” de Fausto (*)

“Todo Este Céu” é uma balada poética de Carlos Fausto Bordalo Gomes Dias, Fausto, um dos grandes nomes da música portuguesa, que versa sobre amor, saudade. Esta canção faz parte do seu enorme reportório, todo ele constituído por obras que têm por base letras profundas e melódicas que evocam imagens muito ligadas à identidade cultural e à paisagem portuguesa. 

Todo este céu... um abraço, forte, um agasalho... um colo... o céu, com pássaros e tons assombrados... presença e ausência de uma pessoa amada... luz, trevas, céu e chão, vida e morte... um consolo... capaz de dar sentido à vida... ou no fim dela quando tudo são mágoas... e uma vez mais o abraço, final, que reforça a necessidade permanente de consolo num teu colo... para superar as mágoas e tristezas da vida... 

Que vida... que fado... que saudade!... 



(*) Fausto morreu, faz hoje dois anos (01 de julho de 2024, com 75 anos)


domingo, 28 de junho de 2026

28 de junho de 1706 - o dia em que Portugal conquistou Madrid



A conquista de Madrid em 1706 foi um marco militar português durante a Guerra da Sucessão de Espanha, onde um exército aliado comandado pelo Marquês das Minas ocupou a capital espanhola a 28 de junho. Esta vitória temporária (durante 40 dias) proclamou o arquiduque Carlos como rei, fortalecendo a posição de Portugal na Europa.

Decorria a Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714) e Portugal, alinhado com a Grande Aliança (Inglaterra e Holanda), lutou contra a fação de Filipe de Bourbon, neto de Luís XIV de França.

O exército, com cerca de 14.700 portugueses e 4.200 anglo-holandeses, liderado pelo 2.º Marquês das Minas, D. António Luís de Sousa, marchou sobre Madrid.

As tropas entraram em Madrid a 28 de junho de 1706, controlando a cidade por 40 dias e proclamando o arquiduque Carlos de Habsburgo como rei.

Apesar de ser uma vitória militar notável, a falta de apoio popular em Madrid e a reorganização das tropas de Filipe V forçaram a retirada das tropas aliadas.

Esta campanha demonstrou a capacidade militar de Portugal, consolidando a sua independência e projetando poder na Península Ibérica.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

24 de junho de 1128 - o dia em que Portugal se começou a fazer…


Ontem, 24 de Junho, há 898 anos, ou seja, em 1128, Portugal começa a fazer-se como Estado independente…



“na festa de S. João Batista, o ínclito Infante D. Afonso, filho do conde Henrique e da rainha D. Teresa, neto do grande imperador da Hispânia, D. Afonso, com o auxílio do Senhor e por clemência divina, e também graças ao seu esforço e persistência, mais do que à vontade e ajuda dos parentes, apoderou-se com mão forte do reino de Portugal. Com efeito, tendo morrido seu pai, o conde D. Henrique, quando ele era ainda criança de dois ou três anos, certos [indivíduos] indignos e estrangeiros pretendiam [tomar conta] do reino de Portugal; sua mãe, a rainha D. Teresa, favorecia-os, porque queria, também, por soberba, reinar em vez de seu marido, e afastar o filho do governo do reino. Não querendo de modo algum, suportar uma ofensa tão vergonhosa, pois era já então de maior idade e de bom carácter, tendo reunido os seus amigos e os mais nobres de Portugal, que preferiam, de longe, ser governados por ele, do que por sua mãe ou por [pessoas] indignas e estrangeiras. Acometeu-os numa batalha no campo de S. Mamede, que é perto do castelo de Guimarães e, tendo-os vencido e esmagado, fugiram diante deles e prendeu-os. [Foi então que] se apoderou do principado e da monarquia do reino de Portugal.

(…) Tomando como fundamento a evolução dos sinais de validação usados na chancelaria régia, dir-se-ia que só mais tarde, a partir dos anos 1150-1160, se atribuiria à autoridade do fundador da monarquia o carácter de um carisma pessoal. Estes indícios devem relacionar-se com o papel que os barões portucalenses desempenharam na “revolução” que expulsou os Travas e deu o poder a Afonso Henriques, deixando-o, todavia, dependente da nobreza nortenha até ele se emancipar da sua influência, à medida que foi assumindo um papel cada vez mais decisivo na condução da guerra santa.”

In
“D. Afonso Henriques” de José Mattoso, “3. Os primeiros passos de um jovem príncipe”, pgs. 47 e 57

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Nuno De Santa Maria Álvares Pereira (1360-1431)

Nuno Álvares Pereira, conhecido como o Santo Condestável, São Nuno de Santa Maria, nasceu em 24 de junho de 1360...

Filho de D. Álvaro Gonçalves Pereira e de D. Iria Gonçalves do Carvalhal, foi um nobre e general português do século XIV, tendo desempenhado um papel fundamental na crise de 1383-1385, onde Portugal defendeu a sua independência de Castela. Foi também o 2.º Condestável do Reino de Portugal, 38.º Mordomo-Mor do Reino, 7.º conde de Barcelos, 3.º conde de Ourém e 2.º conde de Arraiolos. Militar português, comandou forças em número substancialmente inferior o inimigo e venceu todas as batalhas que travou. É o patrono da da Arma de Infantaria do Exército Português, bem como de inúmeras outras associações entre as quais se destaca a Militia Sanctae Mariae que o escolheu para patrono do Priorado Português (Priorado de São Nuno de Santa Maria).

Casou com Leonor de Alvim, quatro anos mais velha, viúva de um primeiro casamento sem filhos, rica, em cerimónia realizada em Vila Nova da Rainha, freguesia do concelho de Azambuja de quem teve dois filhos e uma filha sendo que esta, Beatriz, foi a única a chegar à idade adulta e que se tornou mulher de D. Afonso, o 1.º Duque de Bragança, dando origem à Casa de Bragança que viria a reinar em Portugal três séculos mais tarde.

Ficou viuvo em 1388, não mais voltando a casar.

Após a morte de Leonor de Alvim, sua mulher, tornou-se carmelita, entrando no Convento do Carmo em 1423. Toma o nome de Irmão Nuno de Santa Maria. 

Aí permanece até à sua morte, com 71 anos, em 1 de novembro de 1431. Os seus restos mortais repousam hoje na Igreja do Santo Condestável, em Lisboa, para onde foram trasladados em 14 de agosto de 1951, data em que assinalavam 566 anos da vitória portuguesa na Batalha de Aljubarrota.

O anterior túmulo de Nuno Álvares Pereira, no Convento do Carmo, destruído no Terramoto de 1755 tinha o seguinte epitáfio:

"Aqui jaz aquele famoso Nuno, o Condestável, fundador da Sereníssima Casa de Bragança, excelente general, beato monge, que durante a sua vida na terra tão ardentemente desejou o Reino dos Céus depois da morte, e mereceu a eterna companhia dos Santos. As suas honras terrenas foram incontáveis, mas voltou-lhes as costas. Foi um grande Príncipe, mas fez-se humilde monge. Fundou, construiu e dedicou esta igreja onde descansa o seu corpo."

Nuno Álvares Pereira foi beatificado em 23 de janeiro de 1918 pelo Papa Bento XV, pelo Decreto "Clementíssimus Deus", e foi consagrado o dia 6 de novembro ao, então, beato. Foi canonizado como São Nuno de Santa Maria pelo papa Bento XVI em 26 de abril de 2009.

Ver biografia no site do Vaticano: 




Ver homilia do Papa Bento XVI:

A Conferência Episcopal Portuguesa, em nota pastoral sobre a canonização de Nuno de Santa Maria, declarou:

"(…) o testemunho de vida de D. Nuno constituirá uma força de mudança em favor da justiça e da fraternidade, da promoção de estilos de vida mais sóbrios e solidários e de iniciativas de partilha de bens. Será também apelo a uma cidadania exemplarmente vivida e um forte convite à dignificação da vida política como expressão de melhor humanismo ao serviço do bem comum. Os Bispos de Portugal propõem, portanto, aos homens e mulheres de hoje o exemplo da vida de Nuno Álvares Pereira, pautada pelos valores evangélicos, orientada pelo maior bem de todos, disponível para lutar pelos superiores interesses da Pátria, solícita por servir os mais desprotegidos e pobres. Assim seremos parte activa na construção de uma sociedade mais justa e fraterna que todos desejamos."


sábado, 20 de junho de 2026

Beato Francisco Pacheco... 400 anos depois


Hoje, passados que estão 400 anos sobre a sua morte (1626-2026), recordamos Beato Francisco Pacheco, presbítero e mártir, Patrono do Preceptorado de Ponte de Lima da Militia Sanctae Mariae Portugal, nascido em Ponte de Lima em 1565, sobrinho de um mártir do Japão, ficou de tal forma entusiasmado com a história do tio que fez voto de ser também mártir, tendo apenas 10 anos.

Numa das suas últimas cartas escrevia: “Estamos todos já muito cansados e cortados, dos trabalhos desta perseguição; porém, as esperanças de nos caber alguma boa sorte de martírio nos animam e fazem continuar e fazer da fraqueza forças, esperando nessa hora em que nos caiba a ditosa sorte”.

sábado, 13 de junho de 2026

Fumo (*)

Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas;
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces plenas de carinhos!

Os dias são Outonos: choram... choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu amor pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos....

(*) Florbela Espanca, Livro de Soror Saudade, 1923

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Todos nós somos passantes neste mundo…



Há muitos anos - sim, já foi há muitos - li, muito ao de leve, o Pricipezinho… digo que foi muito ao de leve para justificar as tão poucas recordações que tinha desse livro.

Entretanto, por estes dias, dei por mim a comprar o livro (porque não sei onde anda o outro) e a reler… bem, não sei se reli… ou se, em boa verdade, dada a já justificada leveza da primeira leitura, esta não terá sido a primeira vez que verdadeiramente o li!…

Pois bem… este livro, que o autor na sua dedicatória dá a entender ter sido escrito para crianças, é uma daquelas coisas que todos os adultos devem ler… é uma verdadeira coleção de frases, interessantes, que ditas e escritas para crianças, continuam a fazer muito sentido na vida de todos nós quando chegamos a adultos depois de logicamente termos sido crianças.

E assim, lá vamos lendo: 

"O essencial é invisível aos olhos."

"Tu tornas-te eternamente responsável por aquilo que cativas."

"A gente só conhece bem as coisas que cativou."

"Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que a fez tão importante."

"Os olhos são cegos. Só se vê bem com o coração."

"É bem mais difícil julgar a si mesmo que julgar os outros"

“É preciso exigir de cada um aquilo que cada um pode dar”

"É loucura odiar todas as rosas porque uma te espetou"

No entanto, nesta minha (re)leitura, a frase que me marcou foi: “Esta é, para mim, a mais bela paisagem do mundo, e também a mais triste. É a mesma da página precedente. Mas desenhei-a de novo para mostrá-la bem.”

Aqui estão as duas imagens: 





Pois é!... todos nós somos passantes neste mundo… aparecemos… vivemos... morremos... desaparecemos!… alguns ficamos (por boas ou por más razões) na memória dos que ficam para nos recordar… mas todos, todos, todos desaparecemos!...

E, pior que isso é ver que aqueles de quem gostamos também desaparecem!...

quarta-feira, 10 de junho de 2026

10 de junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas e do Santo Anjo da Guarda de Portugal


“Esta é a ditosa pátria minha amada,
à qual se o Céu me dá que eu sem perigo
torne, com esta empresa já acabada,
acabe-se esta luz ali comigo.

Esta foi Lusitânia, derivada
de Luso ou Lisa, que de Baco antigo
filhos foram, parece, ou companheiros,
e nela antão os íncolas primeiros.” (*)

Hoje é Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, dia em que se assinala a data da morte de Camões; hoje é dia do Anjo Custódio de Portugal.

O Anjo de Portugal, também conhecido como Santo Anjo da Guarda de Portugal, Anjo Custódio de Portugal e Anjo da Paz, é uma das designações do anjo que protege a nação portuguesa e que terá surgido pela primeira vez na Batalha de Ourique , a mesma deu uma tal vitória às forças de D. Afonso Henriques quando este comandava os nossos antepassados nas suas lutas contra os invasores muçulmanos.

(*) LUSÍADAS - Canto III - estrofe 21



domingo, 31 de maio de 2026

Saudade... 🌹❤️



"Só sente saudade quem ama, e só deixa saudade quem foi amor."
Santo Agostinho.

Minha querida Rosa Maria, minha eterna "Rosinha"....

Diz-se por aí que o nome de uma pessoa carrega o seu destino... tu foste, em cada dia da tua vida, a mais bela das flores no jardim de todos aqueles que tiveram a sorte de conhecer e de contigo conviver. 

Hoje, 31 de maio de 2026, faria 50 anos aquela que foi amor na minha vida... hoje faria 50 anos aquela que, nos 45 anos que andou entre nós, apenas espalhou amor... Hoje, a saudade aperta-me o peito e o silêncio, ensurdecedor, da tua ausência é enorme... 

Ao longos dos anos que vivemos juntos, duas frases atribuídas a Santo Agostinho foram presença constante: uma primeira e que fez parte inclusivamente da recordação que entregamos aos convidados do nosso casamento e que dizia "A medida do amor é amar sem medida"; a segunda frase é “Só sente saudade quem ama, e só deixa saudade quem foi amor”. 

O amor e a saudade são sentimentos que se sentem entrelaçados e que marcam a vida de quem já viveu momentos significativos ao lado de alguém especial. O amor que nos encher de luz e de esperança, transforma pequenos gestos do dia a dia em memórias inesquecíveis. A saudade, a presença silenciosa, lembra-nos do valor daquilo que foi vivido e da importância das pessoas que nos tocaram o coração e, longe de ser apenas dor, é acima de tudo um tributo à intensidade das emoções partilhadas, um sentimento que nos ensina a apreciar o presente, a valorizar cada reencontro e a guardar, com carinho, as lembranças que nos aquecem a alma nos dias mais frios. 

Por isso, o que me resta é a saudade... e passados que estão cinco anos, choro a tua partida, porque o privilégio de te amar foi a maior bênção da minha vida. Se todos os que te rodeavam sentem este vazio, é porque tu não passaste pelo mundo apenas de visita; tu espalhaste luz, multiplicaste sorrisos, foste bondade e carinho único que só a "nossa Rosinha" sabia dar.

Não te perdemos, porque o amor que plantaste em nós é imortal. Foste amor em cada gesto, em cada palavra e em cada sorriso. E, por teres sido tanto amor, a saudade que deixas é agora o testemunho eterno de que a tua passagem por aqui foi extraordinária.

Até sempre, meu amor. Viverás para sempre no meu coração e na memória de todos os que tiveram a sorte de te conhecer.

🌹❤️

terça-feira, 26 de maio de 2026

Sonho triste (*)


“Eu sonhei um sonho triste:
Vi-te morta num caixão!...
E o meu pobre coração
Sempre a amar-te, inda insiste:
— Ó morte, que ingratidão! ó morte, foge, desiste
Ó morte, não leves... não!
Acordei, fiquei contente, Tão alegre, imensamente 
Vi-te sorrir a meu lado!
— Este sonho tão ingrato
Não o conto p'ra recato
De nunca mais ser lembrado.”


Só que não… não foi um sonho!…

(*) António Mimoso, in Alma Portuguesa (versos inéditos)

domingo, 24 de maio de 2026

O sol e o dia brilam mas sem ti (*)


No tempo dividido
Talvez não sejam mais o sol e o dia.
O sol e o dia agora
Estão lá onde o teu sorriso mora
E não aqui.

Como quem colhe flores tu serena
Vais colhendo sem chorar a nossa pena
Olhas por nós sem mágoa nem saudade
E o céu azul, a luz, as Primaveras
Habitam na perfeita claridade
Em que nos esperas.

(*) Sophia de Mello Breyner Andresen, do livro No tempo Dividido, 1954)

sexta-feira, 15 de maio de 2026

15 de maio - Dia Internacional das Famílias

 

Contactos – Associação Famílias international day of families logo



15 de maio de 2026 | 32.º Dia Internacional
das Famílias


«A família é património da humanidade, porque é através dela que, conforme o desígnio de Deus, se prolonga a presença do ser humano sobre a Terra.»
Papa João Paulo II, Mago


Mais do que nunca esta data não só não deve ser ignorada como toda a comunidade humana a deve tomar a peito, com convicção e assertividade, e chamar com alegria a atenção para esta celebração. A Família tão abalada por tão fortes e violentos ataques é o fundamento, base e ponto de partida para que a sociedade humana, composta por homens e mulheres em diferentes patamares de idade, possa viver equilibrada e, no hoje hostil, saber enfrentar as dificuldades rumo ao futuro. Sem famílias equilibradas, vivificadas amorosamente, não há futuro sustentável.
Carlos Aguiar Gomes, Presidente do Instituto Internacional Familiaris Consortio


O Dia Internacional das Famílias assinala-se todos os anos a 15 de maio. A celebração surgiu no contexto da decisão da Organização das Nações Unidas, adotada em 9 de dezembro de 1989, de proclamar 1994 como o Ano Internacional da Família.

Sob o tema “Família, Capacidades e Responsabilidades num Mundo em Transformação”, o Ano Internacional da Família definiu cinco objetivos centrais:

· Valorizar a família como fundamento da sociedade;

· Promover políticas claras de apoio à família e à educação;

· Incentivar a união, o respeito e a compreensão entre os seus membros;

· Evidenciar os direitos e as responsabilidades da família;

· Sensibilizar para os desafios sociais, económicos e demográficos que afetam a vida familiar.

Três anos depois, São João Paulo II, Magno, durante a viagem que fez ao Brasil e num encontro com famílias de todo o mundo, afirmou que “a família é património da humanidade, porque é através dela que, conforme o desígnio de Deus, se deve prolongar a presença do homem sobre a terra”.

Estas palavras sublinham, de forma inequívoca, que a família é património da humanidade e célula primeira e vital da sociedade.


Hoje, ao celebrarmos o 32.º Dia Internacional das Famílias, que a ONU subordinou ao tema “Famílias, Desigualdades e Bem-estar Infantil” impõe-se uma reflexão: em que estado se encontra a Família? Que políticas têm sido definidas? Que lugar ocupa, hoje, a sua defesa?

É certo que a ONU nos diz que “As famílias são fundamentais para o progresso social e económico, mas muitas enfrentam insegurança de rendimentos, apoio limitado aos cuidados infantis e acesso desigual a serviços essenciais. Sem um apoio adequado, as famílias com crianças pequenas enfrentam riscos mais elevados de pobreza, com efeitos duradouros na saúde, na educação e no bem-estar geral das crianças.”

Mas, que tem sido feito?


É fácil concluir que a situação das Famílias está longe de ser animadora. São poucos os que se dispõem a defendê-las, enquanto muitos mais contribuem para a sua desvalorização, minimização e desconstrução.

Em vez de se proteger aquela que é a célula base da sociedade, o espaço onde tudo começa e através do qual tudo se prolonga, assiste-se, frequentemente, à indiferença perante os problemas que as Famílias enfrentam e, mais preocupante ainda, a ataques diretos aos seus fundamentos.

Multiplicam-se políticas contrárias aos valores estruturantes da Família, e essas agressões são, muitas vezes, consentidas pelo nosso silêncio coletivo. Assim se fragiliza a sociedade e se compromete seriamente o futuro próximo de todos nós e dos que nos seguirão.

A influência de uma cultura individualista, que privilegia o prazer e a independência pessoal, em detrimento da doação e do sacrifício próprios da vida familiar, faz-nos esquecer que o futuro da humanidade dependerá sempre, sempre, sempre, do lugar que quisermos dar à Família.


Recordando, porque não podemos esquecer, as palavras de São João Paulo II, Magno, que nos diz — “a família é património da humanidade, porque é através da família que se deve prolongar a presença do homem sobre a terra” — termino com um agradecimento e uma pergunta.

O agradecimento é dirigido, na pessoa do fundador da Associação Famílias, Dr. Carlos Aguiar Gomes, a todas as pessoas e instituições — em particular à Associação Famílias, mas também a todas as que hoje aqui se encontram — que, diariamente, lutam e defendem a Família. 

A este respeito aproveito para dar conta, em primeira mão, que a direção da Associação Famílias decidiu, por unanimidade, distinguir o Dr. Carlos Aguiar Gomes com o Prémio Pró-Família 2026, em reconhecimento de décadas de dedicação e de luta pelas causas da Vida e da Família.

Por fim, termino com a pergunta, que acabam por ser duas: cumpriram-se os objetivos a que se propôs a ONU com a proclamação de 1994 como o Ano Internacional da Família? E, finalmente, que futuro queremos para a nossa humanidade?


Filipe Amorim,
Presidente da Associação Famílias

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Quando penso em ti (*)

Quando penso em ti, eu não sei que sinto
Cá dentro que me prende e me devora!
Sabes dizer porque minha alma chora
Triste, sozinha, neste labirinto?...

E simples: - por viver de ti ausente
Custa-me passar sem os teus carinhos,
Que tanto não custa a fome aos pobrezinhos
E mais pungente que a dor do doente!

Eu amo-te tanto, tanto meu amor, 
Relembra o ditoso dia em que te vi 
E jurei ser só teu aos pés do Senhor! 

Sê-me indulgente, e, por caridade, 
Dize, já sentiste como eu senti, 
Vibrar lá dentro... o choro da saudade?!

(*) António Mimoso, Alma Portuguesa (versos inéditos)

terça-feira, 12 de maio de 2026

Foi assim…


“Foi assim”… foi assim que, no passado dia 1 de maio, numa viagem de pouco mais de 1 hora de carro, ouvi pela primeira vez esta fabulosa canção, interpretada com uma profundidade única que só Simone de Oliveira lhe poderia emprestar.

“Foi assim” revela-se como uma verdadeira viagem emotiva ao longo do tempo… do tempo vivido e do tempo que falta (sabe-se lá quanto) viver.

A letra de “Foi assim”, escrita por Augusto Moreira, é uma das peças centrais do álbum "Pedaços de Mim", lançado por Simone de Oliveira em 2013… retrata datas futuras às quais dificilmente se conseguirá chegar… recorda momentos de intimidade, vividos ou que se desejam viver… evoca memórias… saudades… amor… a vida que vivemos neste corre corre desenfreado… sem tempo para nada… sem tempo para nós… sem tempo para quem nos é querido!…

Simone, com a sua voz poderosa e carregada de sentimento, convida-nos a revisitar o passado… e, a olhar para o futuro… com a nostalgia de ver o tempo a passar ao mesmo tempo que nos apresenta a esperança de que, um dia possamos vir a ter tempo, um dia, que se não for numa data, pode, ser noutra que tal.


No dia 4 de junho de 2086
Talvez possamos sentar-nos
A falar de quê? Não sei
Do que fizemos da vida
Se a vivemos bem ou mal
No dia 4 de junho de dois mil e oitenta e tal

No dia 13 de março de dois mil e o que quiseres
Podes ser tu a marcar
Podes ser tu a escolher
Talvez possamos deitar-nos
A fazer não sei o quê
Talvez amor com a alma
Que o corpo já não se vê

Eu sei, já percebi
Acabou
Eu sei, é sempre assim
Mas ficou
Aquilo que te dei
E o que me deste a mim
Também o que não dei
Foi assim

Se achares que é tarde demais
Pode ser quando puderes
Por mim é já esta noite
Num jardim de malmequeres
Ou no meio da avenida
Deserta ou com multidão
Já pressenti o momento
Já quebrei a ilusão

Eu sei, já percebi
Acabou
Eu sei, é sempre assim
Mas ficou
Aquilo que te dei
E o que me deste a mim
Também o que não dei
Foi assim

A 29 de agosto de dois mil e o que entenderes
Talvez possamos olhar-nos
Como da primeira vez
Contar a história de novo
Mudar-lhe só o final
Se não puderes nessa data
Pode ser noutra, que tal?

Se não puderes nessa data
Pode ser noutra, que tal?



sábado, 9 de maio de 2026

09 de maio - Dia da Europa...

A respeitro do Dia da Europa que se celebra hoje, julgo importante partilhar aquela que é a proposta com as bases fundadoras do que é hoje a União Europeia e que foi apresentada no dia 9 de maio de 1950, pelas 16h00, por Robert Schuman, na altura ministro dos Negócios Estrangeiros de França:

DECLARAÇÃO SCHUMAN

Nº 6 ‘L'Europe ne se fera pas d'un coup, ni dans une construction d'ensemble’: mil vezes citada, esta é uma afirmação contida na declaração de 9 de Maio, que a história reteve como o momento essencial do processo que levou à criação das Comunidades Europeias. Propulsionado por Jean Monnet, Robert Schuman, então Ministro dos Negócios Estrangeiros francês, leu a sua declaração na Sala do Relógio do Quai d'Orsay, e lançou as fundações que levaram à instituição, no curto prazo, de uma comunidade para a gestão conjunta dos recursos do carvão e do aço (CECA). O dia 9 de Maio é hoje celebrado como o Dia da Europa.


Feita em Paris, por Robert Schuman, no dia 9 de Maio de 1950

in “Les Étas Unies d’Europe ont commencé”, Jean Monnet, 1955, pág. 147 

«A paz mundial só poderá ser salvaguardada com esforços criativos à medida dos perigos que a ameaçam.

A contribuição que uma Europa organizada e viva pode prestar à civilização é indispensável para a manutenção de relações pacíficas. A França, paladina, há mais de vinte anos, de uma Europa unida, teve sempre como objectivo principal estar ao serviço da paz. A Europa não se fez, estivemos em guerra.

A Europa não se construirá de uma só vez, nem pela concretização de um projecto global predeterminado: resultará, sim, de realizações concretas - criando em primeiro lugar solidariedades de facto. A mobilização das nações europeias exige que seja eliminada a oposição secular entre a França e a Alemanha: a acção a levar a cabo deve dizer respeito em primeiro lugar à França e à Alemanha.

Para tal, o governo francês propõe que a acção assente num domínio limitado mas decisivo: 

O governo francês propõe que a produção franco-alemã de carvão e aço seja colocada sob uma Alta Autoridade comum, numa organização aberta à participação dos outros países da Europa.

A organização conjunta da produção de carvão e de aço garantirá de imediato a criação de bases comuns de desenvolvimento económico, primeira etapa da Federação Europeia, e modificará o destino de regiões há muito dedicadas ao fabrico de armas de guerra, de que foram sempre as principais vítimas.

A solidariedade de produção assim forjada demonstrará que qualquer guerra entre a França e a Alemanha será não só impensável, como materialmente impossível. A criação desta poderosa unidade de produção, aberta a todos os países que nela queiram participar, lançará os fundamentos reais da sua unificação económica, fornecendo, em condições de igualdade, os elementos fundamentais da produção industrial a todos os países que dela vierem a fazer parte.

Esta produção estará ao dispor do mundo inteiro, sem distinções nem exclusões, contribuindo para a melhoria do nível de vida e para o progresso pacífico. A Europa poderá, com meios acrescidos, continuar a realização de uma das suas tarefas essenciais: o desenvolvimento do continente africano.

Deste modo, realizar-se-á de forma simples e rápida a fusão de interesses indispensável ao  estabelecimento de uma comunidade económica e introduzir-se-á o princípio de uma comunidade mais vasta e profunda entre países separados durante muito tempo por divisões sangrentas.

Com a organização conjunta da produção de base e a instituição de uma nova Alta Autoridade, cujas decisões unam a França, a Alemanha e os países que venham a aderir, esta proposta lançará os alicerces de uma Federação Europeia, indispensável à preservação da paz.

Para a realização dos objectivos assim definidos, o governo francês está pronto a iniciar negociações com base no seguinte:

A missão atribuída à Alta Autoridade comum será garantir, o mais brevemente possível, a modernização e a melhoria da qualidade da produção, o fornecimento em condições idênticas de carvão e de aço ao mercado francês e alemão, bem como aos mercados dos países aderentes, o desenvolvimento da exportação comum para os outros países e o nivelamento e a melhoria das condições de vida dos trabalhadores destas indústrias.

Para alcançar estes objectivos com as condições extremamente díspares em que se encontra actualmente a produção dos países aderentes, deverão ser postas em prática, a título transitório, medidas que incluam a aplicação de um plano de produção e de investimentos, a instituição de mecanismos de perequação de preços, ou a criação de um fundo de reconversão que facilite a racionalização da produção. A circulação do carvão e do aço entre os países aderentes estará imediatamente isenta de qualquer direito aduaneiro, e não poderá ser afectada por tarifas de transporte diferenciais. Daí resultarão progressivamente as condições que garantirão de forma espontânea uma repartição mais racional da produção ao nível mais elevado de produtividade.

Ao contrário de um cartel internacional tendente à repartição e à exploração de mercados nacionais através de práticas restritivas e à manutenção de lucros elevados, a organização projectada garantirá a fusão dos mercados e a expansão da produção.

Os princípios e os compromissos essenciais acima definidos serão objecto de um tratado celebrado entre os Estados e submetido à ratificação dos Parlamentos. As negociações indispensáveis para definir as medidas de aplicação serão levadas a cabo com a colaboração de um mediador designado de comum acordo; este terá por função zelar por que os acordos estejam em conformidade com os princípios e, em caso de diferendo, fixará a solução a adoptar. A Alta Autoridade comum encarregada do funcionamento deste regime será composta por personalidades independentes designadas numa base paritária pelos governos; será escolhido um Presidente de comum acordo pelos governos; as suas decisões serão executórias em França, na Alemanha e nos outros países aderentes. Disposições adequadas garantirão as vias de recurso necessárias contra as decisões da Alta Autoridade. Será designado para elaborar, duas vezes por ano, um representante das Nações Unidas junto desta Autoridade elaborará um relatório público à ONU, informando do funcionamento do novo organismo, nomeadamente no que se refere à salvaguarda dos seus fins pacíficos.

A criação da Alta Autoridade não afecta em nada o regime de propriedade das empresas. No exercício da sua missão, a Alta Autoridade terá em consideração os poderes conferidos à Autoridade Internacional do Ruhr e todas as obrigações, sejam elas de que natureza forem, impostas à Alemanha, enquanto estas subsistirem.»

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Tu Sentado À Tua Mesa (*)

Tu Sentado À Tua Mesa

Bebes vinho comes pão
Quem é que plantou a vinha?
Quem é que semeia o grão?

Lá no socalco da serra
Anda a cavar teu irmão
Debruçado sobre a terra
P’ra que tenhas vinho e pão

Para além daquela serra
P’ra que tenhas vinho e pão
Abrindo o corpo da terra
Dobra o corpo o teu irmão

Sua mão concha do cacho
Sua mão concha do grão
Em cada gesto que faz
Põe a vida em comunhão

(*) Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, 19 de abril de 2026

Gosto de música… Don't Answer Me

The Alan Parsons Project é uma daquelas coisas que… para quem não sabe, Alan Parsons foi o engenheiro de som do Dark Side of the Moon… o melhor álbum de todos os tempos… e o seu projeto, The Alan Parsons Project será aquilo que se pode considerar como um dos expoentes máximos do rock progressivo num género muito polido que mistura muita sofisticação técnica com melodias que se aproximam do banal mais pop que se pode ouvir…

Para mim, The Alan Parsons é boa música para ser ouvida de fones nos ouvidos, num dia de sol… sem ouvir nada nem ninguém… prestando muita atenção à música mas também à letra, ela muito intelectual, literária e um tanto distante… abstrata…

Don't Answer Me" será provavelmente uma exceção… retrata o fim de um relacionamento marcado por ilusões e a necessidade de silêncio para evitar novas mágoas… a resignação após a desistência de um "mundo de sonhos”….

Para mim, sinceramente, e retirando o romance e o amor da equação, esta letra retrata também muito daquilo que é a forma de muitos de nós encaramos a vida: ilusões, ilusões e ilusões!…

Magia… sim, mas só nos espetáculos de ilusão!…

Don't Answer Me (Não Me Responda)

If you believe in the power of magic
I can change your mind
And if you need to believe in someone
Turn and look behind
When we were living in a dream world
Clouds got in the way
We gave it up in a moment of madness
And threw it all away

Don't answer me, don't break the silence
Don't let me win
Don't answer me, stay on your island
Don't let me in

Run away and hide from everyone
Can you change the things we've said and done?

If you believe in the power of magic
It's all a fantasy
So if you need to believe in someone
Just pretend it's me
It ain't enough that we meet as strangers
I can't set you free
So will you turn your back forever on what you mean to me?

Don't answer me, don't break the silence
Don't let me win
Don't answer me, stay on your island
Don't let me in

Run away and hide from everyone
Can you change the things we've said and done?

Don't answer me, don't break the silence
Don't let me win
Don't answer me, stay on your island
Don't let me in

Run away and hide from everyone

Don't answer me, don't break the silence
Don't let me win
Don't answer me, stay on your island
Don't let me in

Can you change the things we've said and done? 



quinta-feira, 16 de abril de 2026

Hoje é dia mundial da voz

Existem momentos na nossa vida em que o silêncio deixa de ser uma escolha e se torna uma sombra.

Para quem vive a experiência de uma patologia grave na região da garganta tal como um abcesso periamigdaliano é uma complicação grave de amigdalite, onde se acumula pus entre a amígdala e os músculos da garganta, a voz deixa de ser algo que "simplesmente temos" e passa a ser algo que "tememos perder".

Não é apenas uma inflamação; é uma invasão física... É um ataque... uma barreira que se ergue no local deveria haver passagem... um peso que transforma o ato simples de engolir e de falar numa tarefa hercúlea e dolorosa.

Foi isso mesmo que me aconteceu há quase cinco anos... uma simples dor de garganta... se se recordarem, vivíamos o tempo da COVID... vacinas... dores nos braços... paracetamol e ibuprofeno… e, a dor de garganta… vinha e ia… até que… num almoço com amigos, ao beber um gostoso digestivo, a garganta doi muito mais que nos dias anteriores… e, como se isso não bastasse, à noite, aparece febre!...

No dia seguinte, maldisposto, com dores, vai-se ao médico… um prognóstico feio… e, dois dias depois já nem água passava… volta-se ao hospital… vai-se para outro… confirma-se o prognóstico: há que ir à faca… há qualquer coisa dentro de nós que lá não devia estar… é uma coisa simples, mas é necessário fazer uma traqueostomia… QUÊ!!!??? Fazer o quê???

Isso mesmo!... foi isso mesmo que senti… querem fazer-me um buraco no pescoço… um buraco que me tirava a VOZ… e, assim lá fiquei… uma dúzia de dias sem voz, a falar por mensagens, por sinais e… por silêncios… muitos silêncios!... um isolamento silencioso para o qual não estava, definitivamente, preparado.

Felizmente tudo passou… ficou apenas a lembrança e a cicatriz… uma grande cicatriz no pescoço que todos os dias me lembra de que a nossa voz é a nossa assinatura sonora… é o espelho da nossa alma... carrega a nossa emoção, o nosso humor, os nossos sentimentos… a nossa autoridade… o nosso afeto...

Neste dia mundial da voz, penso como é bom ter voz… como é bom saber bem usar este que é o instrumento mais belo de todos… e, com voz, podermos fazer tudo o que queremos, inclusive, falar com os outros… 



segunda-feira, 13 de abril de 2026

Fanatismo (*)

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver.
Não és sequer razão do meu viver
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No mist’rioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!...

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa...”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
“Ah! podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!...”

(*) Florbela Espanca, Livro de Soror Saudade, 1923

quinta-feira, 9 de abril de 2026

9 de abril de 1918... Batalha de La Lys



A Batalha de La Lys, travada na região da Flandres, durante a Primeira Grande Guerra, entre 7 e 29 de abril de 1918, foi uma enorme ofensiva militar alemã na qual milhares de soldados portugueses enfrentaram um dos momentos mais exigentes da nossa história militar.

Num cenário de grande adversidade, resistiram com coragem, honra e sentido de dever, afirmando o nome de Portugal na frente europeia da Primeira Guerra Mundial.

De acordo com dados avançados por alguns estudiosos deste evento trágico, o exército alemão, contava com cerca de 55.000 homens comandados pelo general Ferdinand von Quast e, infligiu uma pesada derrota à 2.ª divisão do Corpo Expedicionário Português (CEP) que era constituída por cerca de 20.000 homens, comandados pelo general Gomes da Costa, da qual resultou que, em apenas quatro horas de batalha na madrugada e manhã de 9 de abril de 1918, se teriam registado milhares de baixas, dos quais 1.341 mortos, 4.626 feridos, 1.932 desaparecidos e 7.440 prisioneiros.

Neste dia que é considerado o Dia do Combatente, evoco todos aqueles que serviram - e continuam a servir - com a mesma determinação. Diz no site do Exército Português que "Mais do que recordar o passado, [devemos] reconhecer um legado que permanece vivo na identidade do Povo Português".

Porque há datas que não se esquecem e valores que não se rendem... aqui fica a minha humilde homenagem aos bravos combatentes portugueses.



quarta-feira, 8 de abril de 2026

8 de março de 1514 - Foral Manuelino de Souto Rebordões

O Foral de Souto de Rebordões foi outorgado por SAR o senhor D. Manuel I em 8 de abril de 1514, estabeleceu direitos reais e as obrigações fiscais deste pequeno concelho que abrangia as freguesias de São Salvador de Souto e Santa Maria de Rebordões. 


Este documento manuelino regulava a "pensão dos tabeliães" e foi central para a administração da região até à extinção do concelho em 1836, tendo sido emitido no âmbito da reforma dos forais manuelinos para unificar os tributos. 

Dele foram produzidos três exemplares: um para a Câmara, outro para o senhorio dos direitos e um terceiro para a Torre do Tombo, onde se encontra guardado.

Deste pequeno concelho, no site do Arquivo Municipal de Ponte de Lima pode ler-se:

"O pequeno concelho de Souto de Rebordões, constituído apenas pelas freguesias de S. Salavador do Souto e Santa Maria de Rebordões, parece ter merecido especial atenção por parte dos nossos primeiros monarcas, a avaliar pelo número de forais que lhe atribuíram.

Tendo como sede a freguesia de S. Salvador, situava-se entre os termos de Ponte de Lima, Correlhã, coutos de Queijada, Cabaços e Feitosa, correspondendo a uma "terra" ou julgado medieval, a que as Inquirições de 1220 se referem como o "judicatu de Souto et de Revordãos".

Souto de Rebordões recebeu o seu primeiro foral no reinado de D. Afonso Henriques, em data ainda por determinar. O rei D. Afonso II viria a confirmá-lo, em Santarém, em 3 de Fevereiro de 1218. E a este seguir-se-iam mais seis forais, outorgados pelos reis D. Sancho I, o segundo e o terceiro, e D. Afonso III, os restantes.

A 16 de Setembro de 1270, D. Afonso III viria a atribuir-lhe, em Lisboa, o sétimo foral.

D. Dinis, em 1310, doou a terra de Souto de Rebordões a seu filho bastardo, D. Sanches, sucedendo-se a partir desse ano uma série de doações e vendas, sempre confirmadas pelos reis seguintes.

D. João I viria a doá-la a Álvaro Gil Duro, com rendas e direitos, em 7 de Agosto de 1415. Quatro anos depois seria vendida a Inês Vaz, mulher de Gil Afonso de Magalhães, por 50 000 libras, passando a terra de Souto de Rebordões a pertencer à casa dos Magalhães e Meneses.

Em 1514, a 8 de Abril, D. Manuel viria a conceder-lhe uma nova carta de foral.

Relativamente ao poder local, Souto de Rebordões dispunha de um juiz ordinário, dois vereadores, procurador do concelho, eleição trienal do povo, a que presidia o corregedor de Viana, dois tabeliães que serviam alternadamente na câmara, juiz dos órfãos e escrivão, e um meirinho, a exercer também as funções de porteiro. Ao escrivão dos órfãos incumbiam igualmente os cargos de inquiridos, distribuidor e contador.

Em meados do século XIX, o couto de Souto de Rebordões viria a ser suprimido, passando as suas duas freguesias a pertencer ao concelho de Ponte de Lima."


Pode ler aqui um pequeno trabalho do Dr António Matos Reis relativo a este documento que pode consultar aqui no site do Arquivo Municipal de Ponte de Lima.


domingo, 5 de abril de 2026

Domingo da Páscoa da Ressurreição do Senhor



Nasceu o Sol da Páscoa gloriosa,
Ressoa pelo céu um canto novo,
Exulta de alegria a terra inteira.

Dos abismos da morte e da tristeza
Sobe o Senhor Jesus à sua glória,
Libertando os antigos Patriarcas.

Sem saber que o sepulcro está vazio,
A guarda, vigilante, testemunha
O poder do Senhor ressuscitado.

Rei imortal, contigo glorifica
Neste dia de glória os que em teu nome
Renasceram das águas do Baptismo.

E desça sobre a Igreja e sobre o mundo,
Como penhor de paz e de esperança,
A luz da tua Páscoa esplendorosa.

Cantemos a Deus Pai e a seu Filho,
Louvemos o Espírito de amor,
Agora e pelos séculos sem fim.

(*) Hino do Ofício de Laudes no Domingo da Páscoa da Ressurreição do Senhor

Faço votos de que tenham todos uma Santa Páscoa

sábado, 4 de abril de 2026

O Papa Leão XIV recuperou hoje, Sexta-Feira Santa, a tradição de transportar uma cruz por todas as estações da via-sacra no Coliseu, em Roma, algo que não acontecia desde 1994

 


Perante mais de 30 mil pessoas, de acordo com as autoridades locais, citadas pela agência de notícias EFE, Leão XIV presidiu ontem, 03 de abril de 2026, Sexta-feira Santa, pela primeira vez desde que tomou posse, a uma das cerimónias mais solenes da Semana Santa, marcada por um apelo contra a guerra e os abusos de poder, ao longo das catorze estações da via sacra.

No trajeto, que durou mais de uma hora, o papa carregou uma cruz de madeira, recuperando uma tradição que não se via desde o pontificado de João Paulo II.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Salgueiro Maia, o Capitão Sem Medo

Salgueiro Maia e Maia Loureiro-Terreiro do Paço-Lisboa, 25 de Abril de 1974 id: 274, Eduardo Gageiro

EM 25 DE ABRIL DE 1974, SALGUEIRO MAIA LEVOU A CABO E VENCEU A MAIS DECISIVA AÇÃO MILITAR REALIZADA PELAS FORÇAS ARMADAS PORTUGUESAS SEM CAUSAR UM MORTO, SEM PROVOCAR O COMBATE, RESPEITANDO OS VENCIDOS


É desta forma que a página oficial das comemorações dos 50 anos do 25 de abril apresenta Salgueiro Maia, de seu nome completo Fernando José Salgueiro Maia (Castelo de Vide, 01 de julho de 1944 - Lisboa, 03 de abril de 1992) aquele que foi e, na minha opinião, continua a ser a figura central da Revolução dos Cravos e que ficou para a História conhecido como o Capitão Sem Medo.

Neste dia, em que passam 34 anos da sua morte bem que podíamos gastar algum do nosso tempo a conhecer a vida do Homem que lutou para nos devolver a liberdade.


quinta-feira, 2 de abril de 2026

50 anos da Constituição da República Portuguesa


Assinalam‑se hoje, 02 de abril, 50 anos da aprovação da Constituição da República Portuguesa.

“A Constituição da República Portuguesa, aprovada pela Assembleia Constituinte e promulgada em abril de 1976, constitui um marco fundador da democracia portuguesa. Elaborada no contexto da transição iniciada com o 25 de Abril de 1974, a Constituição representou a passagem de um processo revolucionário aberto e instável para um regime político assente na soberania popular, 
no pluralismo e no Estado de direito.

A queda da ditadura colocou de forma imediata a necessidade de definir novas regras de organização do poder político, de consagrar direitos fundamentais e de instituir mecanismos de representação democrática. A opção pela eleição de uma Assembleia Constituinte, por sufrágio universal, direto e secreto, traduziu uma rutura decisiva com o passado autoritário e afirmou a legitimidade democrática como fundamento do novo regime.

O processo constituinte desenvolveu-se, contudo, num contexto excecional, marcado pela coexistência, mas também conflito entre legitimidades distintas, pela centralidade política das Forças Armadas e por profundas tensões sociais e ideológicas.”


50 anos passados, numa altura em que tanto se fala da sua revisão (a 8.ª se tal vier a acontecer), julgo importante ler o texto original... aqui está ele (https://www.parlamento.pt/parlamento/documents/crp1976.pdf)


sábado, 21 de março de 2026

Gosto de música… Tous les arbres sont en fleurs

Hoje inicia a Primavera… e, com ela, todo um sentimento de renovação que ultrapassa aquilo que muitos chamam de cinzento do Inverno

Gosto de música… de tudo um pouco… e hoje, neste início da Primavera, ouço Tous les arbres sont en fleurs de Nana Mouskouri… hoje, com o início da Primavera, somos convidados a apreciar, mas, acima de tudo a viver a vida que, tal como a natureza, uma vez mais se renova e se embeleza…

Tous les arbres sont en fleurs...





PS.: hoje, há 43 anos, uma segunda-feira ao fim do dia, nasceu a minha irmã, (Armanda Maria Amorim), parabéns pelo teu aniversário.
 

sexta-feira, 20 de março de 2026

Gosto de múscia... Florbela

Ser Poeta é ser mais alto, é ser maior... na véspera do Dia Muncial da Poesia, 14 poemas de Florbela Espanca dão corpo a "Florbela".



sábado, 14 de março de 2026

100 anos...

(foto tirada pelo meu primo Cristiano,
algures no verão de 2024, quando o meu avô tinha 98 anos)

O meu avô António, o Tone Tadeu, como era conhecido, apesar do seu BI não o dizer, faria hoje 100 anos... viveu 99 anos, 5 meses e 26 dias... viveu mais de setenta anos com a minha avó Custódia... deixou duas filhas, 6 netos(as) (e os seus respetivos[as]) e 8 bisnetos(as)... não somos muitos... mas todos, todos, todos sentimos a sua falta!...

Sentimos a falta daqueles olhos azuis, marotos, sempre a sorrir, mesmo quando estava menos contente... sinceramente, não me consigo lembrar de um único dia em que o velhinho, como carinhosamente todos lhe chamávamos, não contasse uma piada, uma história de antigamente, um orgulho das suas brincadeiras de jovem, uma dureza da sua vida... 

Sinceramente, sinto que o meu avô tinha orgulho na sua vida... nos seus mais de 70 anos ao lado da avó (que tinha um trato, às vezes, duro) mas que era a sua Custódia... a mãe das suas duas filhas vivas (porque uma faleceu muito nova)... aquela que ele, engatatão da Queijada, ainda antes de casar, quando ela ficou "sozinha no mundo" e quando ele a “pretendia”, segundo ela, espiou, durante a noite e que ela, para confirmar isso mesmo, espalhou borralha nas escadas da casa para que lá ficassem marcados as suas pegadas...

Sou o neto mais velho... eles foram os meus padrinhos de baptismo e de casamento... cresci ao lado deles... acompanhei-os sempre que pude… recordo a última viagem da avó num meu carro, dois dias antes de ser acometida de uma pancreatite aguda que a agarrou até aos fins da sua vida (com mais de noventa anos) à cama… lembro do único internamento do meu avô (perto de 15 dias) nessa sua longa vida… recordo como dizia sempre que estava bem… e sempre, sempre a perguntar pelos de casa… 

Lembro, tempos de há muito tempo… a chegada da escola e a pinguinha de vinho novo quando este se estava a incubar, mas sempre acompanhado do devido recado: "não digas nada à tua mãe"... lembro a nota que era dada... lembro a preocupação: "Rosa, onde anda o teu filho?"... que vais fazer quando acabares a Escola?... "isto não está fácil, eu tive que ir para Lisboa, mas agora nem lá há trabalho"... lembro "quando saíres da tropa, que vais fazer?"... lembro a alegria do nascimento da minha filha... da construção da minha casa num dos seus campos de milho... lembro da preocupação com a saúde da Rosinha, a sua afilhada emprestada... do desabafo do dia em que a viu pela última vez... e da recomendação: "não digas à avó que a Rosinha morreu"...

Que saudades meu avô!... 

sexta-feira, 13 de março de 2026

Para Atravessar Contigo o Deserto do Mundo (*)

Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei

Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso

Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo

Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento

(*) Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto, 1962

terça-feira, 10 de março de 2026

O vinho do Seguro, Sr Presidente


Realizou-se ontem, 9 de março, a tomada de posse do 21.o Presidente da República da República Portuguesa, de seu nome, António José Seguro.

Republicano desiludido que sou e monárquico pouco convencido, não prestei grande atenção à cerimónia de tomada de posse… ouvi o discurso e procurei as reações dos líderes dos principais… ouvi e li alguns comentários de alguns comentadeiros de/ao serviço… inquietou-me a falta de povo… estranhei que o povo, que lhe confiou o voto (3.505.846 de nós) não tivesse saído à rua para mostrar a sua alegria!… o que para mim denota claramente um problema que urge resolver… para além disso, Marcelo, melhor o Presidente Marcelo voltou a fazer das suas e, no caminho para a AR, para para fazer as últimas compras…

Mas, o que mais me inquietou foi o facto de Seguro, peço desculpa, o Sr Presidente Seguro, ter ostensivamente servido o seu vinho, agora dos seus filhos, que nada percebem da poda, no almoço com os outros chefes de estado… o que resultou, claramente, numa descarada promoção do vinho que produz, mas acima de tudo, numa ostensiva mistura de vida política com negócios pessoais, poucos meses depois de termos andado a discutir uma possível mistura dos negócios pessoais de Luís Montenegro com o seu cargo.

Enfim, permitiu-se que se fizesse ostensivamente propaganda ao seu vinho no seu primeiro almoço como PR - e fica tudo calado, porque ele é socialista… e, portanto, pode."

domingo, 8 de março de 2026

Algumas Reflexões Sobre a Mulher (*)


Elas são as mães:
rompem do inferno, furam a treva,
arrastando
os seus mantos na poeira das estrelas.

Animais sonâmbulos,
dormem nos rios, na raiz do pão.

Na vulva sombria
é onde fazem o lume:
ali têm casa.
Em segredo, escondem
o latir lancinante dos seus cães.

Nos olhos, o relâmpago
negro do frio.

Longamente bebem
o silencio
nas próprias mãos.

O olhar
desafia as aves:
o seu voo é mais fundo.

Sobre si se debruçam
a escutar
os passos do crepúsculo.

Despem-se ao espelho
para entrarem
nas águas da sombra.

É quando dançam que todos os caminhos
levam ao mar.

São elas que fabricam o mel,
o aroma do luar,
o branco da rosa.

Quando o galo canta
Desprendem-se
para serem orvalho.


(*) Eugénio de Andrade

sábado, 7 de março de 2026

A cantiga é uma arma… silencie-se!…

Diz-se e canta-se por aí que a cantiga é uma arma…. De facto, muitas vezes, na história dos povos, as canções serviram como instrumentos de luta, resistência e união. Seja numa manifestação, num encontro de amigos ou nos palcos do mundo, a música transforma-se, por vezes, num grito coletivo, capaz de inspirar mudanças e desafiar injustiças. Quem nunca sentiu o poder de uma melodia que incita à esperança ou de um verso que denuncia realidades? Ao longo do tempo, as cantigas ajudaram a preservar memórias, contar histórias e fortalecer identidades. Por isso, não é exagero afirmar que, mais do que simples entretenimento, a cantiga pode ser uma poderosa arma na mão daqueles que sonham com um futuro melhor.

A cantiga é uma arma… se dúvidas houver, basta lembrar a Revolução dos Cravos, o 25 de Abril… Nesse momento marcante da história portuguesa, as canções foram muito mais do que simples música: tornaram-se símbolos de resistência e liberdade. Músicas, carregadas de mensagem política ecoaram não só nas rádios, mas também nos corações de todos aqueles que ansiavam por mudança. Foi através das palavras cantadas que se transmitiu coragem, esperança e a mensagem de que era possível construir um país mais justo e livre. E, o 25 de Abril tornou-se um exemplo vivo do poder transformador da música, mostrando que a cantiga, quando se alia ao desejo coletivo de liberdade, pode realmente ser uma arma decisiva na luta por direitos e pela democracia.

Posto isto, estranho muito, muito mesmo que muitos dos artistas de hoje, intelectuais de meia tigela se apostem a defender aquilo contra tantos lutaram no antigamente.

Falo da censura aos artistas Israelitas e da tentativa de os impedir de participar no Festival da Canção da Eurovisão.

O que vale é ainda haver alguns que não andam só com a cabeça entre as orelhas… António Manuel Ribeiro dos UHF é um desses… um bem-haja pela coragem!…

“Não devemos confundir Netanyahu com os israelitas, porque eles estão todos os dias na rua a fazer manifestações. Deixem os artistas israelitas respirar um bocado”.



domingo, 1 de março de 2026

Gosto de música… Time

Há 53 anos, os Pink Floyd lançaram o seu 8.º álbum... The dark side of the moom... na minha humilde opinião, o melhor álbum de todos os tempos e, para mim o melhor de sempre!...


... nunca outro recebeu tão grandes eleogios e teve tanta aceitação do público... um público que ultrapassa gerações (e, para o comprovar, basta pensar que os padrinhos da minha filha lhe ofereceram um gira-discos no Natal passado e, imagine-se só, o primeiro vinil que a minha filha pediu para lhe comprar foi... o vinil comemorativo dos 50 anos deste disco!)...

São quase 43 minutos de grande música... grande música e grandes letras... que abordam o tempo, a morte, o dinheiro, a ganância, a relação com os outros… a doença mental... músicas que se ouvem duas a duas… a seguinte continua a anterior (não se pode ouvir só uma) e que ao longo destes 43  minutos nos fazem pensar naquilo que somos, no que nos tornamos e na forma como nos relacionamos com os outros…

É um disco fabuloso… ouço vezes sem conta…

Para celebrar os 53 anos, deixo aqui TIME (Tempo) coisa que dizemos não ter!… e, não temos!… andamos, corremos… não vivemos!!!… até ao momento em que realmente nos apercebemos que realmente já não temos tempo… porque vivemos… somos velhos… estamos doentes… um qualquer Braine Damage… e, de repente começamos a ter tempo… e, sem nos termos dado conta que a cada dia que passa, ficamos sempre um dia mais próximos da morte… ficamos realmente sem tempo e, o sol continua a ser o mesmo… e a lua a continuar a ser responsável pelo seu eclipse!… 
 




Ticking away, the moments that make up a dull day
Fritter and waste the hours in an offhand way
Kicking around on a piece of ground in your home town
Waiting for someone or something to show you the way
Tired of lying in the sunshine
Staying home to watch the rain
You are young and life is long
There's always time to kill today
And then one day you find
Ten years have got behind you
No one told you when to run
You missed the starting gun
So you run and you run, you catch up with the sun, but it's sinking
Racing around to come up behind you again
The sun is the same in a relative way, but you're older
Shorter of breath and one day closer to death
Every year is getting shorter
Never seem to find the time
Plans that either come to naught
Or half a page of scribbled lines
Hanging on in quiet desperation is the English way
Time is gone, the song is over
Thought I'd something more to say

PS.: a versão que publico aqui é do concerto em Ponmpeia… simplesmente fabulosa!