quarta-feira, 1 de julho de 2026

Gosto de música... “Todo Este Céu” de Fausto (*)

“Todo Este Céu” é uma balada poética de Carlos Fausto Bordalo Gomes Dias, Fausto, um dos grandes nomes da música portuguesa, que versa sobre amor, saudade. Esta canção faz parte do seu enorme reportório, todo ele constituído por obras que têm por base letras profundas e melódicas que evocam imagens muito ligadas à identidade cultural e à paisagem portuguesa. 

Todo este céu... um abraço, forte, um agasalho... um colo... o céu, com pássaros e tons assombrados... presença e ausência de uma pessoa amada... luz, trevas, céu e chão, vida e morte... um consolo... capaz de dar sentido à vida... ou no fim dela quando tudo são mágoas... e uma vez mais o abraço, final, que reforça a necessidade permanente de consolo num teu colo... para superar as mágoas e tristezas da vida... 

Que vida... que fado... que saudade!... 



(*) Fausto morreu, faz hoje dois anos (01 de julho de 2024, com 75 anos)


domingo, 28 de junho de 2026

28 de junho de 1706 - o dia em que Portugal conquistou Madrid



A conquista de Madrid em 1706 foi um marco militar português durante a Guerra da Sucessão de Espanha, onde um exército aliado comandado pelo Marquês das Minas ocupou a capital espanhola a 28 de junho. Esta vitória temporária (durante 40 dias) proclamou o arquiduque Carlos como rei, fortalecendo a posição de Portugal na Europa.

Decorria a Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714) e Portugal, alinhado com a Grande Aliança (Inglaterra e Holanda), lutou contra a fação de Filipe de Bourbon, neto de Luís XIV de França.

O exército, com cerca de 14.700 portugueses e 4.200 anglo-holandeses, liderado pelo 2.º Marquês das Minas, D. António Luís de Sousa, marchou sobre Madrid.

As tropas entraram em Madrid a 28 de junho de 1706, controlando a cidade por 40 dias e proclamando o arquiduque Carlos de Habsburgo como rei.

Apesar de ser uma vitória militar notável, a falta de apoio popular em Madrid e a reorganização das tropas de Filipe V forçaram a retirada das tropas aliadas.

Esta campanha demonstrou a capacidade militar de Portugal, consolidando a sua independência e projetando poder na Península Ibérica.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

24 de junho de 1128 - o dia em que Portugal se começou a fazer…


Ontem, 24 de Junho, há 898 anos, ou seja, em 1128, Portugal começa a fazer-se como Estado independente…



“na festa de S. João Batista, o ínclito Infante D. Afonso, filho do conde Henrique e da rainha D. Teresa, neto do grande imperador da Hispânia, D. Afonso, com o auxílio do Senhor e por clemência divina, e também graças ao seu esforço e persistência, mais do que à vontade e ajuda dos parentes, apoderou-se com mão forte do reino de Portugal. Com efeito, tendo morrido seu pai, o conde D. Henrique, quando ele era ainda criança de dois ou três anos, certos [indivíduos] indignos e estrangeiros pretendiam [tomar conta] do reino de Portugal; sua mãe, a rainha D. Teresa, favorecia-os, porque queria, também, por soberba, reinar em vez de seu marido, e afastar o filho do governo do reino. Não querendo de modo algum, suportar uma ofensa tão vergonhosa, pois era já então de maior idade e de bom carácter, tendo reunido os seus amigos e os mais nobres de Portugal, que preferiam, de longe, ser governados por ele, do que por sua mãe ou por [pessoas] indignas e estrangeiras. Acometeu-os numa batalha no campo de S. Mamede, que é perto do castelo de Guimarães e, tendo-os vencido e esmagado, fugiram diante deles e prendeu-os. [Foi então que] se apoderou do principado e da monarquia do reino de Portugal.

(…) Tomando como fundamento a evolução dos sinais de validação usados na chancelaria régia, dir-se-ia que só mais tarde, a partir dos anos 1150-1160, se atribuiria à autoridade do fundador da monarquia o carácter de um carisma pessoal. Estes indícios devem relacionar-se com o papel que os barões portucalenses desempenharam na “revolução” que expulsou os Travas e deu o poder a Afonso Henriques, deixando-o, todavia, dependente da nobreza nortenha até ele se emancipar da sua influência, à medida que foi assumindo um papel cada vez mais decisivo na condução da guerra santa.”

In
“D. Afonso Henriques” de José Mattoso, “3. Os primeiros passos de um jovem príncipe”, pgs. 47 e 57

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Nuno De Santa Maria Álvares Pereira (1360-1431)

Nuno Álvares Pereira, conhecido como o Santo Condestável, São Nuno de Santa Maria, nasceu em 24 de junho de 1360...

Filho de D. Álvaro Gonçalves Pereira e de D. Iria Gonçalves do Carvalhal, foi um nobre e general português do século XIV, tendo desempenhado um papel fundamental na crise de 1383-1385, onde Portugal defendeu a sua independência de Castela. Foi também o 2.º Condestável do Reino de Portugal, 38.º Mordomo-Mor do Reino, 7.º conde de Barcelos, 3.º conde de Ourém e 2.º conde de Arraiolos. Militar português, comandou forças em número substancialmente inferior o inimigo e venceu todas as batalhas que travou. É o patrono da da Arma de Infantaria do Exército Português, bem como de inúmeras outras associações entre as quais se destaca a Militia Sanctae Mariae que o escolheu para patrono do Priorado Português (Priorado de São Nuno de Santa Maria).

Casou com Leonor de Alvim, quatro anos mais velha, viúva de um primeiro casamento sem filhos, rica, em cerimónia realizada em Vila Nova da Rainha, freguesia do concelho de Azambuja de quem teve dois filhos e uma filha sendo que esta, Beatriz, foi a única a chegar à idade adulta e que se tornou mulher de D. Afonso, o 1.º Duque de Bragança, dando origem à Casa de Bragança que viria a reinar em Portugal três séculos mais tarde.

Ficou viuvo em 1388, não mais voltando a casar.

Após a morte de Leonor de Alvim, sua mulher, tornou-se carmelita, entrando no Convento do Carmo em 1423. Toma o nome de Irmão Nuno de Santa Maria. 

Aí permanece até à sua morte, com 71 anos, em 1 de novembro de 1431. Os seus restos mortais repousam hoje na Igreja do Santo Condestável, em Lisboa, para onde foram trasladados em 14 de agosto de 1951, data em que assinalavam 566 anos da vitória portuguesa na Batalha de Aljubarrota.

O anterior túmulo de Nuno Álvares Pereira, no Convento do Carmo, destruído no Terramoto de 1755 tinha o seguinte epitáfio:

"Aqui jaz aquele famoso Nuno, o Condestável, fundador da Sereníssima Casa de Bragança, excelente general, beato monge, que durante a sua vida na terra tão ardentemente desejou o Reino dos Céus depois da morte, e mereceu a eterna companhia dos Santos. As suas honras terrenas foram incontáveis, mas voltou-lhes as costas. Foi um grande Príncipe, mas fez-se humilde monge. Fundou, construiu e dedicou esta igreja onde descansa o seu corpo."

Nuno Álvares Pereira foi beatificado em 23 de janeiro de 1918 pelo Papa Bento XV, pelo Decreto "Clementíssimus Deus", e foi consagrado o dia 6 de novembro ao, então, beato. Foi canonizado como São Nuno de Santa Maria pelo papa Bento XVI em 26 de abril de 2009.

Ver biografia no site do Vaticano: 




Ver homilia do Papa Bento XVI:

A Conferência Episcopal Portuguesa, em nota pastoral sobre a canonização de Nuno de Santa Maria, declarou:

"(…) o testemunho de vida de D. Nuno constituirá uma força de mudança em favor da justiça e da fraternidade, da promoção de estilos de vida mais sóbrios e solidários e de iniciativas de partilha de bens. Será também apelo a uma cidadania exemplarmente vivida e um forte convite à dignificação da vida política como expressão de melhor humanismo ao serviço do bem comum. Os Bispos de Portugal propõem, portanto, aos homens e mulheres de hoje o exemplo da vida de Nuno Álvares Pereira, pautada pelos valores evangélicos, orientada pelo maior bem de todos, disponível para lutar pelos superiores interesses da Pátria, solícita por servir os mais desprotegidos e pobres. Assim seremos parte activa na construção de uma sociedade mais justa e fraterna que todos desejamos."


sábado, 20 de junho de 2026

Beato Francisco Pacheco... 400 anos depois


Hoje, passados que estão 400 anos sobre a sua morte (1626-2026), recordamos Beato Francisco Pacheco, presbítero e mártir, Patrono do Preceptorado de Ponte de Lima da Militia Sanctae Mariae Portugal, nascido em Ponte de Lima em 1565, sobrinho de um mártir do Japão, ficou de tal forma entusiasmado com a história do tio que fez voto de ser também mártir, tendo apenas 10 anos.

Numa das suas últimas cartas escrevia: “Estamos todos já muito cansados e cortados, dos trabalhos desta perseguição; porém, as esperanças de nos caber alguma boa sorte de martírio nos animam e fazem continuar e fazer da fraqueza forças, esperando nessa hora em que nos caiba a ditosa sorte”.

sábado, 13 de junho de 2026

Fumo (*)

Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas;
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces plenas de carinhos!

Os dias são Outonos: choram... choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu amor pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos....

(*) Florbela Espanca, Livro de Soror Saudade, 1923

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Todos nós somos passantes neste mundo…



Há muitos anos - sim, já foi há muitos - li, muito ao de leve, o Pricipezinho… digo que foi muito ao de leve para justificar as tão poucas recordações que tinha desse livro.

Entretanto, por estes dias, dei por mim a comprar o livro (porque não sei onde anda o outro) e a reler… bem, não sei se reli… ou se, em boa verdade, dada a já justificada leveza da primeira leitura, esta não terá sido a primeira vez que verdadeiramente o li!…

Pois bem… este livro, que o autor na sua dedicatória dá a entender ter sido escrito para crianças, é uma daquelas coisas que todos os adultos devem ler… é uma verdadeira coleção de frases, interessantes, que ditas e escritas para crianças, continuam a fazer muito sentido na vida de todos nós quando chegamos a adultos depois de logicamente termos sido crianças.

E assim, lá vamos lendo: 

"O essencial é invisível aos olhos."

"Tu tornas-te eternamente responsável por aquilo que cativas."

"A gente só conhece bem as coisas que cativou."

"Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que a fez tão importante."

"Os olhos são cegos. Só se vê bem com o coração."

"É bem mais difícil julgar a si mesmo que julgar os outros"

“É preciso exigir de cada um aquilo que cada um pode dar”

"É loucura odiar todas as rosas porque uma te espetou"

No entanto, nesta minha (re)leitura, a frase que me marcou foi: “Esta é, para mim, a mais bela paisagem do mundo, e também a mais triste. É a mesma da página precedente. Mas desenhei-a de novo para mostrá-la bem.”

Aqui estão as duas imagens: 





Pois é!... todos nós somos passantes neste mundo… aparecemos… vivemos... morremos... desaparecemos!… alguns ficamos (por boas ou por más razões) na memória dos que ficam para nos recordar… mas todos, todos, todos desaparecemos!...

E, pior que isso é ver que aqueles de quem gostamos também desaparecem!...