algures no verão de 2024, quando o meu avô tinha 98 anos)
O meu avô António, o Tone Tadeu, como era conhecido, apesar do seu BI não o dizer, faria hoje 100 anos... viveu 99 anos, 5 meses e 26 dias... viveu mais de setenta anos com a minha avó Custódia... deixou duas filhas, 6 netos(as) (e os seus respetivos[as]) e 8 bisnetos(as)... não somos muitos... mas todos, todos, todos sentimos a sua falta!...
Sentimos a falta daqueles olhos azuis, marotos, sempre a sorrir, mesmo quando estava menos contente... sinceramente, não me consigo lembrar de um único dia em que o velhinho, como carinhosamente todos lhe chamávamos, não contasse uma piada, uma história de antigamente, um orgulho das suas brincadeiras de jovem, uma dureza da sua vida...
Sinceramente, sinto que o meu avô tinha orgulho na sua vida... nos seus mais de 70 anos ao lado da avó (que tinha um trato, às vezes, duro) mas que era a sua Custódia... a mãe das suas duas filhas vivas (porque uma faleceu muito nova)... aquela que ele, engatatão da Queijada, ainda antes de casar, quando ela ficou "sozinha no mundo" e quando ele a “pretendia”, segundo ela, espiou, durante a noite e que ela, para confirmar isso mesmo, espalhou borralha nas escadas da casa para que lá ficassem marcados as suas pegadas...
Sou o neto mais velho... eles foram os meus padrinhos de baptismo e de casamento... cresci ao lado deles... acompanhei-os sempre que pude… recordo a última viagem da avó num meu carro, dois dias antes de ser acometida de uma pancreatite aguda que a agarrou até aos fins da sua vida (com mais de noventa anos) à cama… lembro do único internamento do meu avô (perto de 15 dias) nessa sua longa vida… recordo como dizia sempre que estava bem… e sempre, sempre a perguntar pelos de casa…
Lembro, tempos de há muito tempo… a chegada da escola e a pinguinha de vinho novo quando este se estava a incubar, mas sempre acompanhado do devido recado: "não digas nada à tua mãe"... lembro a nota que era dada... lembro a preocupação: "Rosa, onde anda o teu filho?"... que vais fazer quando acabares a Escola?... "isto não está fácil, eu tive que ir para Lisboa, mas agora nem lá há trabalho"... lembro "quando saíres da tropa, que vais fazer?"... lembro a alegria do nascimento da minha filha... da construção da minha casa num dos seus campos de milho... lembro da preocupação com a saúde da Rosinha, a sua afilhada emprestada... do desabafo do dia em que a viu pela última vez... e da recomendação: "não digas à avó que a Rosinha morreu"...
Que saudades meu avô!...

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