domingo, 19 de abril de 2026

Gosto de música… Don't Answer Me

The Alan Parsons Project é uma daquelas coisas que… para quem não sabe, Alan Parsons foi o engenheiro de som do Dark Side of the Moon… o melhor álbum de todos os tempos… e o seu projeto, The Alan Parsons Project será aquilo que se pode considerar como um dos expoentes máximos do rock progressivo num género muito polido que mistura muita sofisticação técnica com melodias que se aproximam do banal mais pop que se pode ouvir…

Para mim, The Alan Parsons é boa música para ser ouvida de fones nos ouvidos, num dia de sol… sem ouvir nada nem ninguém… prestando muita atenção à música mas também à letra, ela muito intelectual, literária e um tanto distante… abstrata…

Don't Answer Me" será provavelmente uma exceção… retrata o fim de um relacionamento marcado por ilusões e a necessidade de silêncio para evitar novas mágoas… a resignação após a desistência de um "mundo de sonhos”….

Para mim, sinceramente, e retirando o romance e o amor da equação, esta letra retrata também muito daquilo que é a forma de muitos de nós encaramos a vida: ilusões, ilusões e ilusões!…

Magia… sim, mas só nos espetáculos de ilusão!…

Don't Answer Me (Não Me Responda)

If you believe in the power of magic
I can change your mind
And if you need to believe in someone
Turn and look behind
When we were living in a dream world
Clouds got in the way
We gave it up in a moment of madness
And threw it all away

Don't answer me, don't break the silence
Don't let me win
Don't answer me, stay on your island
Don't let me in

Run away and hide from everyone
Can you change the things we've said and done?

If you believe in the power of magic
It's all a fantasy
So if you need to believe in someone
Just pretend it's me
It ain't enough that we meet as strangers
I can't set you free
So will you turn your back forever on what you mean to me?

Don't answer me, don't break the silence
Don't let me win
Don't answer me, stay on your island
Don't let me in

Run away and hide from everyone
Can you change the things we've said and done?

Don't answer me, don't break the silence
Don't let me win
Don't answer me, stay on your island
Don't let me in

Run away and hide from everyone

Don't answer me, don't break the silence
Don't let me win
Don't answer me, stay on your island
Don't let me in

Can you change the things we've said and done? 



quinta-feira, 16 de abril de 2026

Hoje é dia mundial da voz

Existem momentos na nossa vida em que o silêncio deixa de ser uma escolha e se torna uma sombra.

Para quem vive a experiência de uma patologia grave na região da garganta tal como um abcesso periamigdaliano é uma complicação grave de amigdalite, onde se acumula pus entre a amígdala e os músculos da garganta, a voz deixa de ser algo que "simplesmente temos" e passa a ser algo que "tememos perder".

Não é apenas uma inflamação; é uma invasão física... É um ataque... uma barreira que se ergue no local deveria haver passagem... um peso que transforma o ato simples de engolir e de falar numa tarefa hercúlea e dolorosa.

Foi isso mesmo que me aconteceu há quase cinco anos... uma simples dor de garganta... se se recordarem, vivíamos o tempo da COVID... vacinas... dores nos braços... paracetamol e ibuprofeno… e, a dor de garganta… vinha e ia… até que… num almoço com amigos, ao beber um gostoso digestivo, a garganta doi muito mais que nos dias anteriores… e, como se isso não bastasse, à noite, aparece febre!...

No dia seguinte, maldisposto, com dores, vai-se ao médico… um prognóstico feio… e, dois dias depois já nem água passava… volta-se ao hospital… vai-se para outro… confirma-se o prognóstico: há que ir à faca… há qualquer coisa dentro de nós que lá não devia estar… é uma coisa simples, mas é necessário fazer uma traqueostomia… QUÊ!!!??? Fazer o quê???

Isso mesmo!... foi isso mesmo que senti… querem fazer-me um buraco no pescoço… um buraco que me tirava a VOZ… e, assim lá fiquei… uma dúzia de dias sem voz, a falar por mensagens, por sinais e… por silêncios… muitos silêncios!... um isolamento silencioso para o qual não estava, definitivamente, preparado.

Felizmente tudo passou… ficou apenas a lembrança e a cicatriz… uma grande cicatriz no pescoço que todos os dias me lembra de que a nossa voz é a nossa assinatura sonora… é o espelho da nossa alma... carrega a nossa emoção, o nosso humor, os nossos sentimentos… a nossa autoridade… o nosso afeto...

Neste dia mundial da voz, penso como é bom ter voz… como é bom saber bem usar este que é o instrumento mais belo de todos… e, com voz, podermos fazer tudo o que queremos, inclusive, falar com os outros… 



segunda-feira, 13 de abril de 2026

Fanatismo (*)

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver.
Não és sequer razão do meu viver
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No mist’rioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!...

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa...”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
“Ah! podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!...”

(*) Florbela Espanca, Livro de Soror Saudade, 1923

quinta-feira, 9 de abril de 2026

9 de abril de 1918... Batalha de La Lys



A Batalha de La Lys, travada na região da Flandres, durante a Primeira Grande Guerra, entre 7 e 29 de abril de 1918, foi uma enorme ofensiva militar alemã na qual milhares de soldados portugueses enfrentaram um dos momentos mais exigentes da nossa história militar.

Num cenário de grande adversidade, resistiram com coragem, honra e sentido de dever, afirmando o nome de Portugal na frente europeia da Primeira Guerra Mundial.

De acordo com dados avançados por alguns estudiosos deste evento trágico, o exército alemão, contava com cerca de 55.000 homens comandados pelo general Ferdinand von Quast e, infligiu uma pesada derrota à 2.ª divisão do Corpo Expedicionário Português (CEP) que era constituída por cerca de 20.000 homens, comandados pelo general Gomes da Costa, da qual resultou que, em apenas quatro horas de batalha na madrugada e manhã de 9 de abril de 1918, se teriam registado milhares de baixas, dos quais 1.341 mortos, 4.626 feridos, 1.932 desaparecidos e 7.440 prisioneiros.

Neste dia que é considerado o Dia do Combatente, evoco todos aqueles que serviram - e continuam a servir - com a mesma determinação. Diz no site do Exército Português que "Mais do que recordar o passado, [devemos] reconhecer um legado que permanece vivo na identidade do Povo Português".

Porque há datas que não se esquecem e valores que não se rendem... aqui fica a minha humilde homenagem aos bravos combatentes portugueses.



quarta-feira, 8 de abril de 2026

8 de março de 1514 - Foral Manuelino de Souto Rebordões

O Foral de Souto de Rebordões foi outorgado por SAR o senhor D. Manuel I em 8 de abril de 1514, estabeleceu direitos reais e as obrigações fiscais deste pequeno concelho que abrangia as freguesias de São Salvador de Souto e Santa Maria de Rebordões. 


Este documento manuelino regulava a "pensão dos tabeliães" e foi central para a administração da região até à extinção do concelho em 1836, tendo sido emitido no âmbito da reforma dos forais manuelinos para unificar os tributos. 

Dele foram produzidos três exemplares: um para a Câmara, outro para o senhorio dos direitos e um terceiro para a Torre do Tombo, onde se encontra guardado.

Deste pequeno concelho, no site do Arquivo Municipal de Ponte de Lima pode ler-se:

"O pequeno concelho de Souto de Rebordões, constituído apenas pelas freguesias de S. Salavador do Souto e Santa Maria de Rebordões, parece ter merecido especial atenção por parte dos nossos primeiros monarcas, a avaliar pelo número de forais que lhe atribuíram.

Tendo como sede a freguesia de S. Salvador, situava-se entre os termos de Ponte de Lima, Correlhã, coutos de Queijada, Cabaços e Feitosa, correspondendo a uma "terra" ou julgado medieval, a que as Inquirições de 1220 se referem como o "judicatu de Souto et de Revordãos".

Souto de Rebordões recebeu o seu primeiro foral no reinado de D. Afonso Henriques, em data ainda por determinar. O rei D. Afonso II viria a confirmá-lo, em Santarém, em 3 de Fevereiro de 1218. E a este seguir-se-iam mais seis forais, outorgados pelos reis D. Sancho I, o segundo e o terceiro, e D. Afonso III, os restantes.

A 16 de Setembro de 1270, D. Afonso III viria a atribuir-lhe, em Lisboa, o sétimo foral.

D. Dinis, em 1310, doou a terra de Souto de Rebordões a seu filho bastardo, D. Sanches, sucedendo-se a partir desse ano uma série de doações e vendas, sempre confirmadas pelos reis seguintes.

D. João I viria a doá-la a Álvaro Gil Duro, com rendas e direitos, em 7 de Agosto de 1415. Quatro anos depois seria vendida a Inês Vaz, mulher de Gil Afonso de Magalhães, por 50 000 libras, passando a terra de Souto de Rebordões a pertencer à casa dos Magalhães e Meneses.

Em 1514, a 8 de Abril, D. Manuel viria a conceder-lhe uma nova carta de foral.

Relativamente ao poder local, Souto de Rebordões dispunha de um juiz ordinário, dois vereadores, procurador do concelho, eleição trienal do povo, a que presidia o corregedor de Viana, dois tabeliães que serviam alternadamente na câmara, juiz dos órfãos e escrivão, e um meirinho, a exercer também as funções de porteiro. Ao escrivão dos órfãos incumbiam igualmente os cargos de inquiridos, distribuidor e contador.

Em meados do século XIX, o couto de Souto de Rebordões viria a ser suprimido, passando as suas duas freguesias a pertencer ao concelho de Ponte de Lima."


Pode ler aqui um pequeno trabalho do Dr António Matos Reis relativo a este documento que pode consultar aqui no site do Arquivo Municipal de Ponte de Lima.


domingo, 5 de abril de 2026

Domingo da Páscoa da Ressurreição do Senhor



Nasceu o Sol da Páscoa gloriosa,
Ressoa pelo céu um canto novo,
Exulta de alegria a terra inteira.

Dos abismos da morte e da tristeza
Sobe o Senhor Jesus à sua glória,
Libertando os antigos Patriarcas.

Sem saber que o sepulcro está vazio,
A guarda, vigilante, testemunha
O poder do Senhor ressuscitado.

Rei imortal, contigo glorifica
Neste dia de glória os que em teu nome
Renasceram das águas do Baptismo.

E desça sobre a Igreja e sobre o mundo,
Como penhor de paz e de esperança,
A luz da tua Páscoa esplendorosa.

Cantemos a Deus Pai e a seu Filho,
Louvemos o Espírito de amor,
Agora e pelos séculos sem fim.

(*) Hino do Ofício de Laudes no Domingo da Páscoa da Ressurreição do Senhor

Faço votos de que tenham todos uma Santa Páscoa

sábado, 4 de abril de 2026

O Papa Leão XIV recuperou hoje, Sexta-Feira Santa, a tradição de transportar uma cruz por todas as estações da via-sacra no Coliseu, em Roma, algo que não acontecia desde 1994

 


Perante mais de 30 mil pessoas, de acordo com as autoridades locais, citadas pela agência de notícias EFE, Leão XIV presidiu ontem, 03 de abril de 2026, Sexta-feira Santa, pela primeira vez desde que tomou posse, a uma das cerimónias mais solenes da Semana Santa, marcada por um apelo contra a guerra e os abusos de poder, ao longo das catorze estações da via sacra.

No trajeto, que durou mais de uma hora, o papa carregou uma cruz de madeira, recuperando uma tradição que não se via desde o pontificado de João Paulo II.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Salgueiro Maia, o Capitão Sem Medo

Salgueiro Maia e Maia Loureiro-Terreiro do Paço-Lisboa, 25 de Abril de 1974 id: 274, Eduardo Gageiro

EM 25 DE ABRIL DE 1974, SALGUEIRO MAIA LEVOU A CABO E VENCEU A MAIS DECISIVA AÇÃO MILITAR REALIZADA PELAS FORÇAS ARMADAS PORTUGUESAS SEM CAUSAR UM MORTO, SEM PROVOCAR O COMBATE, RESPEITANDO OS VENCIDOS


É desta forma que a página oficial das comemorações dos 50 anos do 25 de abril apresenta Salgueiro Maia, de seu nome completo Fernando José Salgueiro Maia (Castelo de Vide, 01 de julho de 1944 - Lisboa, 03 de abril de 1992) aquele que foi e, na minha opinião, continua a ser a figura central da Revolução dos Cravos e que ficou para a História conhecido como o Capitão Sem Medo.

Neste dia, em que passam 34 anos da sua morte bem que podíamos gastar algum do nosso tempo a conhecer a vida do Homem que lutou para nos devolver a liberdade.


quinta-feira, 2 de abril de 2026

50 anos da Constituição da República Portuguesa


Assinalam‑se hoje, 02 de abril, 50 anos da aprovação da Constituição da República Portuguesa.

“A Constituição da República Portuguesa, aprovada pela Assembleia Constituinte e promulgada em abril de 1976, constitui um marco fundador da democracia portuguesa. Elaborada no contexto da transição iniciada com o 25 de Abril de 1974, a Constituição representou a passagem de um processo revolucionário aberto e instável para um regime político assente na soberania popular, 
no pluralismo e no Estado de direito.

A queda da ditadura colocou de forma imediata a necessidade de definir novas regras de organização do poder político, de consagrar direitos fundamentais e de instituir mecanismos de representação democrática. A opção pela eleição de uma Assembleia Constituinte, por sufrágio universal, direto e secreto, traduziu uma rutura decisiva com o passado autoritário e afirmou a legitimidade democrática como fundamento do novo regime.

O processo constituinte desenvolveu-se, contudo, num contexto excecional, marcado pela coexistência, mas também conflito entre legitimidades distintas, pela centralidade política das Forças Armadas e por profundas tensões sociais e ideológicas.”


50 anos passados, numa altura em que tanto se fala da sua revisão (a 8.ª se tal vier a acontecer), julgo importante ler o texto original... aqui está ele (https://www.parlamento.pt/parlamento/documents/crp1976.pdf)