quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

É mais fácil ver um argueiro nos olhos dos outros que um tranqueiro nos nossos

(O Cisco e a Trave 1619. Por Domenico Fetti,
atualmente no Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque)


A sabedoria popular portuguesa é fértil em metáforas sobre a natureza humana. O provérbio que dá título a este meu desabafo é, talvez, um dos retratos mais certeiros da nossa incapacidade de autocrítica e tem inspiração no Evangelho de Mateus na passagem de transcrevo de seguida:


«Não julguem ninguém e assim Deus não vos julgará! É que Deus há de julgar-vos do mesmo modo que julgarem os outros, usando a mesma medida que usarem para os outros. Por que reparas tu no cisco que está na vista do teu semelhante, e não vês a trave que está nos teus próprios olhos? Como te atreves a dizer-lhe: “Deixa-me cá tirar-te isso da vista”, quando tens uma trave nos teus olhos? Fingido! Tira primeiro a trave dos teus olhos e depois já vês melhor para tirares o cisco da vista do teu semelhante. Não deem aos cães o que é santo. Eles são capazes de se virar contra vocês e de vos despedaçar. Não deitem as vossas pérolas aos porcos! Pois eles vão pisá-las.» (Mateus 7, 1-6)


A imagem apresentada é poderosa: enquanto nos perdemos a apontar um "argueiro" - um minúsculo grão de poeira ou cisco - nos olhos de quem nos rodeia, somos incapazes de sentir ou admitir um "tranqueiro" - uma trave ou tronco enorme - que nos obstrui a própria visão.

Este fenómeno revela a facilidade e superficialidade com que nos apressamos a exercer o papel de juízes. É tentador e, de certa forma, confortável apontar as falhas dos outros. Ao criticar o pequeno erro do vizinho ou a falha de carácter de um colega, ou o que quer que seja, criamos uma ilusão de superioridade moral, projetamos nos outros as nossas frustrações, fazendo com que o argueiro nos olhos dos outros seja como que uma cortina de fumo capaz de evitar o confronto com as nossas próprias montanhas de defeitos.

Viver com um "tranqueiro" nos olhos será caminhar pelo mundo com uma visão distorcida, uma espécie de espera do comboio na paragem do autocarro no cantar de Sérgio Godinho…

A verdadeira lucidez não começa na observação dos outros, mas na coragem de olhar para o espelho. Retirar o tranqueiro dos nossos olhos é um exercício doloroso e constante; exige que troquemos o julgamento pela introspeção. Só quando admitimos as nossas próprias falhas e insucessos é que ganhamos a autoridade moral e a sensibilidade necessária para lidar com os ciscos dos outros.

Aquele que não reconhece as suas próprias faltas graves perde a capacidade de evoluir. O orgulho atua como um anestésico que nos impede de sentir o peso das nossas contradições, tornando-nos mestres na exigência e aprendizes na humildade.

Em suma, este provérbio convida-nos a uma inversão de prioridades: antes de limparmos o horizonte alheio, urge desimpedir o nosso próprio olhar.

Afinal, a justiça devia começar sempre pela autocrítica.

PS.: Como estamos no último dia deste ano do Senhor de 2025, desejo a todos, todos, todos, um bom ano de 2026... cheio, preferencialmente, de coisas boas... e de muita e boa autocrítica.

domingo, 28 de dezembro de 2025

Gosto de música… Why worry

Gosto de música… tal como já disse num anterior desabafo, não sei tocar nenhum instrumento e, já cantei melhor… mas, gosto muito, muito de ouvir boa música!…

E, entre as minhas bandas preferidas estão os Dire Straits… e, entre as grandes músicas desta grande banda está Why worry, um verdadeiro convite à esperança e à resiliência que nos diz que o amor, verdadeira força central capaz de dar sentido à vida, ao lado da entreajuda e do apoio mútuo podem superar as tristezas e as adversidades da vida, e que após a dor, aqui simbolizada pela chuva, vem o sol e com ele a alegria, reforçando a ideia de que não há motivo para nos preocuparmos, demasiado, quando se tem amor, afeto e, acima de tudo, paciência… claro está que, sempre a dose certa de cada uma das coisas!… 

Nos tempos que correm, quando, cada vez mais, vivemos obcecados, não sei bem com o quê e tenho quase a certeza que os outros também não, quando não sabemos bem para onde caminhamos e, porque caminhamos, seria bom que nos questionássemos acerca dos nossos verdadeiros propósitos e acerca “destinos” dos nossos passos… 

Ouvir boa música pode ajudar… 

Deixo o texto que merece ser ruminado e uma interpretação clamorosa desta grande obra de arte… merece ser ouvida, lida, mas, acima de tudo, escutada!… 

Baby, I see this world has made you sad
Some people can be bad
The things they do, the things they say
But baby, I'll wipe away those bitter tears
I'll chase away those restless fears
That turn your blue skies into gray
Why worry
There should be laughter after pain
There should be sunshine after rain
These things have always been the same
So why worry now
Why worry now
Baby, when I get down I turn to you
And you make sense of what I do
And though it isn't hard to say
But baby, just when this world seems mean and cold
Our love comes shining red and gold
And all the rest is by the way
Why worry
There should be laughter after pain
There should be sunshine after rain
These things have always been the same
So why worry now
Why worry now



quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Na hora de pôr a mesa, éramos cinco (*)




Na hora de pôr a mesa, éramos cinco
O meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs e eu
Depois, a minha irmã mais velha, casou-se
Depois, a minha irmã mais nova, casou-se
Depois, o meu pai morreu

Hoje na hora de pôr a mesa, somos cinco
Menos a minha irmã mais velha que está
Na casa dela, menos a minha irmã mais
Nova que está na casa dela, menos o meu
Pai, menos a minha mãe viúva

Cada um deles é um lugar vazio nesta mesa onde como sozinho
Mas irão estar sempre aqui na hora de pôr a mesa
Seremos sempre cinco
Enquanto um de nós estiver vivo
Seremos sempre cinco

(*) Poema de José Luís Peixoto

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Nossa Senhora do Ó


Nossa Senhora do Ó, Igreja de São Bartolomeu, Pontevedra

A Festa de Nossa Senhora do Ó é uma devoção Mariana instituída no Século VI pelo X Concílio de Toledo e é conhecida na liturgia pelo nome de «Expectação do Parto de Nossa Senhora».

O nome de Senhora do Ó advém do facto de, as antífonas maiores, de 18 de Dezembro à véspera de Natal, começarem sempre pela interjeição exclamática «Ó». Simboliza a gravidez da Virgem Maria: «no avultado ventre sagrado se reconhecem as esperanças do parto».

Em Portugal o culto a Nossa Senhora do Ó ter-se-ia iniciado em Torres Novas, em Santa Maria do Castelo, pela veneração de uma imagem, sita na Capela-Mor da Igreja Matriz e conhecida à época de D. Afonso Henriques por Nossa Senhora de Almondano, no tempo de D. Sancho I por Nossa Senhora de Alcáçova, e a partir de 1212 por Nossa Senhora do Ó; é Padroeira de 16 freguesias.

A devoção à Nossa Senhora do Ó procura, sobretudo, «celebrar a vida», tal como Nossa Senhora a celebrou.

Assim, nestes tempos conturbados em que vivemos, quando o direito à vida, profundamente ameaçado pela relativização da vida do bebé que, no ventre materno aguarda o dia do seu nascimento, discutindo se é ou não um ser humano, normalizado que foi o aborto, sem respeito algum pelo mais indefeso dos bebés – o que não nasceu, urge, assim, defender aquele direito primeiro do ser humano: o direito à vida!

E, podemos fazê-lo pela oração e pela ação. 

A “Novena breve a Nossa Senhora do Ó” (que publico em baixo) é um convite a orar por todos os bebés que ainda não nasceram, com Maria, que expectante, aguardou o nascimento do Seu Filho durante nove meses como qualquer outra mulher.

Nossa Senhora da Expectação ou do Ó é uma invocação muito antiga que urge recuperar neste momento da história da humanidade promovendo a sua devoção. Maria soube acolher o dom da vida em Seu Filho único, Jesus Cristo. 

Assim, possamos nós saber acolher cada filho! 

Rezemos com Maria por todas as crianças que ainda não nasceram, por todas as mães que aguardam a sua chegada e por todos os pais que saibam ser dignos do dom da paternidade.


Novena

- Avé Maria, cheia de graça
- O Senhor é convosco.
- Deus, vinde em nosso auxilio
- Senhor, socorrei-nos e salvai-nos
- Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
- Como era no princípio, agora e sempre.
- Ámen.

Reconheçamos as nossas faltas, para que possamos celebrar mais dignamente a Virgem Nossa Senhora, Mãe do Nosso Salvador, o Príncipe da Paz, sob a invocação da Expectação do Parto da Beatíssima Santa Maria.

(momento de silencio)

- Nossa Senhora do Ó, sede da Sabedoria, Mãe de Jesus.
- Protegei todas as mães que esperam a vinda de um filho


Dia 17 - Ó Sapientia

Ó Sabedoria do Altíssimo, que governais tudo com firme suavidade: vinde ensinar-nos o caminho da salvação. Ámen

Oração

Nós Te pedimos, Senhora da Expectação, que rogueis a Deus por todas as mulheres que iniciaram a sua gravidez para que possam leva-la, com felicidade, até ao fim. Por Nosso Senhor...


Dia 18 - Ó Adonai

Ó Chefe da Casa de Israel, que destes a Lei de Moisés no Monte Sinai: vinde resgatar-nos com o poder do Vosso braço.

Oração

Nós Te rogamos, Senhora da Expectação, que intercedais junto de Vosso Filho, Jesus Cristo, pelas mães que acolham o filho que trazem no ventre já no segundo mês de gravidez. Cobri-os com a vossa benção protetora. Ámen.


Dia 19 - Ó radix Jesse

Ó Rebento da raiz de Jessé, sinal erguido diante dos povos, vinde libertar-nos e não tardeis mais.

Oração

Nós Te rogamos, Senhora da Expectação, que intercedais junto de Vosso Filho, Luz dos Povos e libertador dos oprimidos, por todas as mães, especialmente por aquelas que vão já no terceiro mês da gravidez. Ámen.


Dia 20 - Ó clavis David

Ó Chave da Casa de David, que abris e que ninguém pode fechar, fechais e ninguém pode abrir: vinde e libertai todos os que vivem nas trevas do cativeiro e nas sombras da morte.

Oração

Ó Senhora da Expectação ouvi as súplicas que Vos dirigimos, purificando-as, entrega-as a Teu Filho, para que abra em nós as portas da compaixão e ilumine os corações de todas as mulheres que já vão no quarto mês de gravidez para que acolham com amor aquele filho que trazem consigo. Ámen.


Dia 21 - Ó oriens, æternæ

Ó Sol nascente, esplendor da luz eterna e Sol da Justiça: vinde iluminar os que vivem nas trevas e na sombra da morte.

Oração

Nós Te rogamos, mãe do Sol sem ocaso, da justiça plena, intercedei junto de Vosso Filho, o Sol da Justiça, por todos aqueles que não sabem ou não querem acolher o filho que lhes foi confiado e que já conta  cinco meses de vida. Ámen.


Dia 22 - Ó Rex gentium

Ó Rei das nações e Pedra angular da Igreja, vinde salvar o homem que formastes do pó da terra.

Oração

Ó Senhora da Expectação, Mãe admirável do Rei das nações rogai a Deus Pai, por Vosso Filho Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo, por todos os bebés que já com seis meses aguardam o seu dia natal e fortalecei seus pais com esperança amorosa. Ámen.


Dia 23 - Ó Emanuel

Ó Emanuel, nosso Rei e Legislador, esperança das nações e salvador do mundo: vinde salvar-nos, Senhor nosso Deus.

Oração

Ó Senhora da Expectação, que geraste o Salvador do mundo, Deus connosco, intercedei junto d'Aquele que, com Amor, trouxeste no Vosso ventre por todos os pais que aguardam expectantes o nascimento de seu filho e que já tem sete meses de vida. Ámen.


Dia 24

Ó Senhora da Expectação, ilumina os dias de todos os que aguardam o nascimento de um filho e dá a todas as mães uma hora feliz e a alegria a todos os pais no acolhimento ao filho que esperam e que já está no seu oitavo mês de vida. Ámen.


Dia 25

Ó Senhora da Aurora do Sol nascente, hoje alegram-se os Céus e a terra e os anjos cantam sem cessar: Glória a Deus! Glória a Deus pelo Filho que nos deu e por aquele que, completando-se a gravidez, vai colocar no regaço de cada Mãe e de cada Pai. Permiti que este cresça em Graça e Sabedoria e dai força necessária a seus pais para cumprirem a sua missão na alegria e na esperança. Ámen.

Pai Nosso...

Avé Maria...

Glória...

- Nossa Senhora do Ó
- Abençoais todas as mães.
- Bendigamos ao Senhor.
- Demos graças a Deus.

Oremos

Que a bênção de Deus, Pai, Filho e espírito Santo, desça sobre cada bebé que vai nascer e que a Senhora do Ó o cubra com a Sua Misericórdia. Ámen.


Fonte: www.msm-portugal.pt 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Vêm aí 3.000 euros de salário médio...

Quem poderia imaginar que, de repente e sem que nos déssemos conta, todos nos tornássemos ricos?

A prosperidade, súbita, parece invadir o discurso político nacional, particularmente depois das declarações de Luís Montenegro, Primeiro-Ministro de Portugal, em quem depositei a minha confiança, mas que, por vezes, e com as devidas e enormes diferenças, começa a recordar-me o perfil "irritantemente otimista" de António Costa (cruzes, credo, canhoto), que como bem sabemos foi o anterior (des)governante, (ir)responsável que (des)governou o país entre finais de 2015 e princípios de 2024.

Esta minha comparação, claramente infundada e manifestamente exagerada, surge a propósito de dois factos recentes:

  • Em primeiro lugar, a promessa de que o salário médio em Portugal poderá, quase como que por magia, atingir os 3.000 euros; 
  • E, em segundo, a reação do Primeiro-Ministro, à distinção atribuída pela revista ‘The Economist’ que elegeu a economia portuguesa como a 'economia do ano', na minha humilde opinião, um pouco optimista.

A economia até pode estar melhor... ouve-se muitos a dizer que sim... e sempre, outros tantos, ou até talvez mais, a dizer que está pior... a verdade é que não se sente... e, por mais que se receba, no final do mês, de uma forma geral, o saldo andará sempre perto do redondo zero!...

Isto traz-me à memória a célebre “A vida das pessoas não está melhor mas a do País está muito melhor”, proferida em tempos duros para muitos de nós… Espero que o otimismo de Luís Montenegro, agora, no atual contexto, com Portugal considerado a “Economia do Ano” de 2025, liderando, imagine-se, o ranking das 36 economias mais ricas do mundo, traga melhorias nas vidas das pessoas. 

Espero que tudo isto não passe apenas de mais um exemplo de otimismo – talvez tão irritante quanto o do antigo Primeiro-Ministro, que durante oito anos alimentou esperanças sem resultados visíveis para a vida quotidiana de todos nós. 

Fica o desejo sincero de que, desta vez, a realidade acompanhe as palavras e que não sejamos, mais uma vez, desiludidos.


quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Dia Internacional dos Direitos Humanos - 10 de dezembro


Hoje, 10 de dezembro, comemora-se o Dia Internacional dos Direitos Humanos, uma data que marca um momento decisivo na história mundial: a proclamação da Declaração Universal dos Direitos Humanos. 

Proclamada em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos consiste em 30 artigos que organizam e definem os direitos universais, indivisíveis e inalienáveis de todos os seres humanos. Este documento reconhece a igual dignidade e valor de cada pessoa, sem distinção de origem, crença ou condição. 

Com a proclamação da declaração, a comunidade internacional alcançou um consenso fundamental: os direitos humanos são inerentes a todos, não podendo ser concedidos ou retirados por qualquer pessoa ou Estado. 

Este compromisso transformador continua a ser uma referência essencial para a construção de sociedades mais justas, inclusivas e pacíficas. A sua importância é cada vez mais evidente, especialmente nos tempos atuais. 

Em Portugal, através da Resolução da Assembleia da República n.º 69/98, o dia 10 de dezembro foi instituído como Dia Nacional dos Direitos Humanos. 

A celebração desta data histórica evidencia não só a longevidade do compromisso com os direitos humanos, mas também a sua relevância contínua. Defender esses direitos permanece uma necessidade urgente, talvez ainda mais crítica no presente do que em outros períodos da nossa história. 

A seguir, apresenta-se a Declaração Internacional dos Direitos Humanos, conforme adotada e  proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas (resolução 217 A III) em 10 de dezembro 1948:

Preâmbulo

Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo,

Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da humanidade e que o advento de um mundo em que mulheres e homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do ser humano comum,

Considerando ser essencial que os direitos humanos sejam protegidos pelo império da lei, para que o ser humano não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra a tirania e a opressão,

Considerando ser essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações,

Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua fé nos direitos fundamentais do ser humano, na dignidade e no valor da pessoa humana e na igualdade de direitos do homem e da mulher e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla,

Considerando que os Países-Membros se comprometeram a promover, em cooperação com as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos e liberdades fundamentais do ser humano e a observância desses direitos e liberdades,

Considerando que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mais alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso,

Agora portanto a Assembleia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Direitos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade tendo sempre em mente esta Declaração, esforce-se, por meio do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Países-Membros quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.

Artigo 1

Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.

Artigo 2

1. Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição. 

2. Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política, jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate de um território independente, sob tutela, sem governo próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania.

Artigo 3

Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

Artigo 4

Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas.

Artigo 5

Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.

Artigo 6

Todo ser humano tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei.

Artigo 7

Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.

Artigo 8

Todo ser humano tem direito a receber dos tribunais nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei.

Artigo 9

Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.

Artigo 10

Todo ser humano tem direito, em plena igualdade, a uma justa e pública audiência por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir seus direitos e deveres ou fundamento de qualquer acusação criminal contra ele.

Artigo 11

1.Todo ser humano acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa. 

2. Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. Também não será imposta pena mais forte de que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso.

Artigo 12

Ninguém será sujeito à interferência na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataque à sua honra e reputação. Todo ser humano tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.

Artigo 13

1. Todo ser humano tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado. 

2. Todo ser humano tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio e a esse regressar.

Artigo 14

1. Todo ser humano, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países. 

2. Esse direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos objetivos e princípios das Nações Unidas.

Artigo 15

1. Todo ser humano tem direito a uma nacionalidade. 

2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade.

Artigo 16

1. Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer restrição de raça, nacionalidade ou religião, têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração e sua dissolução. 

2. O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes. 

3. A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção da sociedade e do Estado.

Artigo 17

1. Todo ser humano tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros. 

2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.

Artigo 18

Todo ser humano tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; esse direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença pelo ensino, pela prática, pelo culto em público ou em particular.

Artigo 19

Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; esse direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.

Artigo 20

1. Todo ser humano tem direito à liberdade de reunião e associação pacífica. 

2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.

Artigo 21

1. Todo ser humano tem o direito de tomar parte no governo de seu país diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos. 

2. Todo ser humano tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país. 

3. A vontade do povo será a base da autoridade do governo; essa vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto.

Artigo 22

Todo ser humano, como membro da sociedade, tem direito à segurança social, à realização pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade.

Artigo 23

1. Todo ser humano tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego. 

2. Todo ser humano, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho. 

3. Todo ser humano que trabalha tem direito a uma remuneração justa e satisfatória que lhe assegure, assim como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social. 

4. Todo ser humano tem direito a organizar sindicatos e a neles ingressar para proteção de seus interesses.

Artigo 24

Todo ser humano tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e a férias remuneradas periódicas.

Artigo 25

1. Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e à sua família saúde, bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis e direito à segurança em caso de desemprego, doença invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle. 

2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social.

Artigo 26

1. Todo ser humano tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito. 

2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos do ser humano e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz. 

3. Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos.

Artigo 27

1. Todo ser humano tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do progresso científico e de seus benefícios. 

2. Todo ser humano tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica literária ou artística da qual seja autor.

Artigo 28

Todo ser humano tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados.

Artigo 29

1. Todo ser humano tem deveres para com a comunidade, na qual o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível. 

2. No exercício de seus direitos e liberdades, todo ser humano estará sujeito apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática. 

3. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos objetivos e princípios das Nações Unidas.

Artigo 30

Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos.

domingo, 7 de dezembro de 2025

"Lentamente"... uma história de amor...

Gosto de música!... Ouço um pouco de tudo, mas a minha atenção recai especialmente sobre as décadas de 70, 80 e início dos anos 90. Estes períodos musicais oferecem-me uma variedade de sonoridades que continuam a fascinar-me.  

Sinto uma afinidade particular por géneros como rock, pop, fado (tradicional e moderno), eletrónica...  não sou amante de jazz, nem tampouco de música clássica... gosto de bons poemas bem musicados... e destaco o "indie pop" e o "indie rock" como estilos que despertam em mim um interesse muito particular. No contexto nacional e no chamado "indie tuga" ocupa um lugar de destaque nas minhas escolhas pessoais, a banda portuguesa Capitão Fausto. Surgiu em 2010 com o lançamento do EP auto-intitulado "Capitão Fausto" e, desde então, têm vindo a afirmar-se como uma referência no panorama musical português, penso eu, conquistando fãs com o seu estilo próprio e inovador…

Sinceramente, não consigo precisar o momento exato em que os ouvi pela primeira vez, mas a verdade é que desde que os ouvi, rapidamente se tornaram parte integrante do meu quotidiano musical. Ainda não tive a oportunidade de a escutar ao vivo, mas são uma companhia frequente, marcando presença em quase todas as minhas playlists, servindo muitas vezes de banda sonora para diferentes momentos do meu dia.  

Com um estilo que muitos classificam como urbano-depressivo, com sons melódicos que nos entram alma adentro, lá vamos ouvindo "Põe o maço na mesa / a mão na Teresa / e os pés no chão", "Morro na Praia" e “Trabalhar nunca me fez bem nenhum / Mas é melhor que ver o tempo a passar”, "Não se pode tar sempre bem", mas "Amanhã Tou Melhor", mesmo se se "Têm os Dias Contados", e que "Nada Muda" porque "longa é a subida e não vai dar com cada um para seu lado", até porque "Nada de mal", "nada de mal há-de aparecer" já que "existe um final e que é natural que não dê para prever" até porque "Há sempre um fardo" e “é bom saber / Que existe a razão pra ter tanta ansiedade”, mesmo que seja numa "Nuvem negra"... na qual "Muitos dias virão"... canção que abre o disco "A Invenção do Dia Claro", onde nos é dito no seu refrão: 

“Enquanto há tempo fazemos a festa, fachada desta nossa tristeza 
Há-de haver festa num sítio onde malta se possa juntar 
Fazemos a festa com gente cheia desta tristeza 
Há-de haver festa até se for para estar a chorar” 

Entre esta muito bem sucedida amalgama de sons e textos, uns divertidos, outros melancólicos, que nos mandam ser felizes, ao mesmo tempo que nos chamam a atenção para as frustrações que a vida nos apresenta, há uma que gosto mesmo muito... "Lentamente"... uma história de amor... 

“Qual é que é a guerra que acaba amanhã? 
Só quero que aconteça sempre perto de ti 
Sempre os dois em terra, meu amor 
Sabemos que a guerra volta sempre no fim 
Volta sempre no fim 

(Meu amor, só tu me podes mudar) 
Mas a alegria que me dás compensa, foste quem eu escolhi 
(Meu amor, só tu me podes mudar) 
Não há um dia que eu não pense em ti 

Nesta primavera trouxeste o calor 
Tapaste aquela cova do inverno que eu vi 
Sempre tão sincera, meu amor 
Que tanto me dás e pouco pedes para ti 
Pouco pedes para ti 

(Meu amor, só tu me podes mudar) 
Eu tenho todos os defeitos que viste e continuas aqui 
(Meu amor, só tu me podes mudar) 
Não há um dia que eu não pense em ti 

Mas lembra-te bem quando eu te digo 
Que moras dentro do meu peito 
Agora não importa 
Se ainda não bateste com a porta 
Mas eu fico à porta, não consigo entrar 
Não está nas nossas mãos 
Se o tempo nos vai manter juntos 
Ao menos vou perder o medo 
De não conseguir, p'ra poder tentar 

Em toda a falha há sempre alguma virtude 
É só preciso encontrar 
Não vale a pena 'tar à espera que mude 
Eu posso sempre tentar 

(Meu amor, só tu me podes mudar) 
Eu tenho todos os defeitos que viste e continuas aqui 
(Meu amor, só tu me podes mudar) 
Não há um dia que eu não pense em ti 

Qual é que é a guerra que acaba amanhã 
Se em vez de nos matarmos nos tentarmos manter 
Sempre os dois em terra? E talvez amanhã 
Com a nossa eterna guerra consigamos viver 
Volta sempre no fim 

(Meu amor, só tu me podes mudar) 
Mas a alegria que me dás compensa, foste quem eu escolhi 
(Meu amor, só tu me podes mudar) 
Não há um dia que eu não pense em ti 

Mas lembra-te bem quando eu te digo 
Que moras dentro do meu peito 
Agora não importa 
Se ainda não bateste com a porta 
Mas eu fico à porta, não consigo entrar 
Não está nas nossas mãos 
Se o tempo nos vai manter juntos 
Ao menos vou perder o medo 
De não conseguir, p'ra poder tentar 

Não está nas nossas mãos 
Se o tempo nos vai manter juntos 
Ao menos vou perder o medo 
De não conseguir, p'ra poder tentar” 


PS.: hoje passam 27 anos e três meses que comecei a namorar com a Rosinha... que grande história de amor!!! 🌹🩷

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

São Geraldo, Arcebispo Metropolita de Braga


O dia 5 de dezembro é dedicado a São Geraldo, venerado como padroeiro da cidade de Braga.

Braga, “capital” do Minho, cidade localizada no norte de Portugal, destaca-se não apenas pela sua antiguidade, mas também pelo papel central que desempenha na história do cristianismo. Considerada uma das cidades cristãs mais antigas do mundo, reúne uma tradição espiritual profunda que atravessa séculos. 

Foi fundada durante o período do império romano sob o nome de Bracara Augusta e preserva uma história viva que ultrapassa dois milénios. Ao longo dos tempos, tornou-se um centro religioso e cultural de referência, mantendo-se como um símbolo do desenvolvimento espiritual e social de Portugal. 

Mas, voltemos a São Geraldo… ora, Geraldo nasceu na Fasconga, atual França e iniciou sua vida religiosa na Abadia de Moissac. Destacou-se por ser um homem de grande saber e fé, além de mestre nas áreas de gramática e música. A sua inteligência e virtude foram reconhecidas, o que contribuiu para que tenha sido incumbido da honra/função de Arcebispo de Braga em 1096, tendo governado a Diocese durante doze anos, até 1108.

No seu governo, de escassos 12 anos, destacou-se como um reformador zeloso tendo promovido mudanças significativas na vida moral, eclesiástica e administrativa da Arquidiocese de Braga.  

Determinado a restituir à Igreja de Braga a dignidade de Metrópole da Província da Galiza, São Geraldo empreendeu duas viagens a Roma. Como reconhecimento dos seus esforços, recebeu do Papa Pascoal II, em 1103, o Pálio de Arcebispo Metropolita, distinção que consolidou Braga como capital da província eclesiástica, tornando-a metrópole com jurisdição sobre as dioceses do Porto, Viseu, Lamego, Coimbra, Lugo, Mondonhedo, Pontevedra, Ourense e Astorga. 

Além das reformas e da luta pelo estatuto metropolitano, São Geraldo dedicou-se à reconstrução da cidade de Braga, empenhando-se em restaurar a urbe das ruínas acumuladas ao longo de séculos de devastação. Destacou-se especialmente pelo impulso dado à construção da Catedral, que, embora já estivesse inaugurada, se encontrava ainda incompleta. O seu envolvimento foi decisivo para o avanço das obras, contribuindo para a consolidação do património religioso e arquitetónico da cidade. 

São Geraldo contou com o apoio do conde D. Henrique e da condessa D. Teresa o que lhe permitiu que desempenhasse um papel notável no florescimento espiritual e político que antecedeu a fundação de Portugal. Segundo a tradição, São Geraldo terá sido o responsável pelo batismo de Afonso Henriques, aquele que viria a ser o primeiro Rei de Portugal, ligando assim, a sua memória diretamente aos primórdios da nação. 

A memória de São Geraldo está inseparavelmente ligada ao famoso “Milagre da Fruta”:  

“Encontrava-se São Geraldo muito doente, às portas da morte, em Bornes, na terra fria, nos princípios de dezembro cercado no tugúrio onde se refugiara com os seus familiares, fugindo à neve que abundantemente por aquelas terras caía. Nos ardores da febre que o consumia, pede a um dos seus familiares que lhe traga algumas peças de fruta, para apagar a sede e dar um pouco de alento ao seu debilitado corpo. 

Contudo, o seu familiar respondeu-lhe que naquele lugar e com aquele tempo invernoso as árvores estavam despidas de folhagens e frutos. Poder-se-ia encontrar pelo chão algumas castanhas e nada mais. 

A esta observação respondeu São Geraldo: 

- Vai e procura! 

Então, por uma frincha da porta por onde estava o regelante frio, o servo viu que as árvores, lá fora, ao redor do terreiro, estavam recheadas de frutas.” 

Faleceu em Bornes, Vila Pouca de Aguiar, a 05 de dezembro de 1108, tendo o seu corpo sido trazido para Braga, para ser sepultado na capela que edificara em honra de São Nicolau, junto da Sé, num sepulcro que havia sido transportado do Mosteiro de Tibães. 

A capela foi objeto de obras no século XVIII por ordem de D. Rodrigo de Moura Teles, que lhe acrescentou o retábulo em talha dourada e os painéis de azulejos, autoria de António Oliveira Bernardes, que relatam a vida de São Geraldo.

No ano de 1182, São Geraldo aparece mencionado como padroeiro da Arquidiocese. No entanto, desde 1985 é “apenas” padroeiro da cidade de Braga, sendo São Martinho de Dume o padroeiro da Arquidiocese.

No dia de São Geraldo, a capela em sua honra abre-se, para mostrar os altares ornados de frutos, em vez das tradicionais flores.  

É na capela de São Geraldo, na Sé de Braga, que, desde 1975, se encontra ereta canonicamente a Militia Sanctæ Mariæ em Portugal. 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Para memória futura: “A presença de Filipe Lima na reunião incomodou porque ia fazer perguntas sérias sobre o PDM”

 


Francisco Sá Carneiro - 45 anos depois!…



(…) Mais importante do que a doutrinação é levar as pessoas a pensarem, a criticarem, a discernirem. Nem se estranhe que pensemos o Partido também como difusor de ideias, como estimulante da acção e da crítica pessoais. Se não formos também isso renunciaremos à dimensão cultural e ética da política, transformá-la-emos, e a toda a nossa acção, em mero jogo de vulgaridades que só os medíocres e oportunistas aceitarão.
– FRANCISCO SÁ CARNEIRO –1976-06-14
(Parte II - Depoimento pelo 100º número do Povo Livre)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Candidato Casimiro Baltazar da Conceição

O cenário político atual é marcado por um número inédito de candidatos, todos ávidos por conquistar a atenção e o voto dos eleitores. 

Esta multiplicidade de figuras, umas políticas, outras nem por isso mas arrogadas desse estatuto,  resulta numa verdadeira competição de promessas, onde cada candidato procura destacar-se, muitas vezes recorrendo a discursos apelativos e garantias que dificilmente se concretizam.

Surgem frequentemente estratégias baseadas em promessas vãs que vão desde bens materiais até obras públicas grandiosas que raramente saem do papel, ou simplesmente uniões que sabemos não ser aquilo que realmente se pretende. 

Este jogo político, foi claramente ironizado no poema musicado de Sérgio Godinho, “Cuidado Com As Imitações”. Nele faz alusão direta a esses “homens que mandam” [ou que querem mandar], mestres em prometer tudo e mais alguma coisa.

Com leves doses de sarcasmo para retratar a realidade política, Sérgio Godinho não faz apenas uma crítica bem-humorada; este poema é, acima de tudo, um alerta sério sobre a importância da autenticidade e sobre os perigos da manipulação. 

Através da personagem Casimiro Baltazar da Conceição, alguém capaz de ver além das aparências e das promessas ocas que nos são apresentadas, somos convidados a refletir sobre quem realmente merece a nossa confiança. 

Mais do que nunca, é essencial observar os detalhes e analisar as intenções que se escondem por trás dos discursos. A tentação de acreditar em figuras carismáticas, que parecem honestas ou eloquentes, é grande. Contudo, essas qualidades por si só não garantem a veracidade nem a integridade dos candidatos. Não basta uma pessoa falar bem, apontar defeitos nos outros ou afirmar ter passado por todas as experiências possíveis. Nem tampouco basta adotar uma postura de salvador, como se fosse um D. Sebastião, regressado num dia de nevoeiro, de uma qualquer batalha, ganha ou perdida, e que se apresenta, com soluções milagrosas, como o único capaz de resolver todos os problemas que possam existir (criando-os mesmo quando eles não existem!).

E depois? Depois vem-me à memória o conselho de Casimiro, aquele homem com “um olho no meio da testa”, “para além dos outros dois”, e com “as orelhas equipadas com radar”: “Cuidado Casimiro, cuidado com as imitações.” 

Este alerta é completamente atual e necessário. Nestes tempos de tantas campanhas e tantos candidatos, devemos manter um olhar crítico, não nos podemos deixar enganar por aparências ou falsas promessas; temos que exigir autenticidade daqueles que se propõem a liderar. Só assim poderemos evitar cair nas armadilhas da manipulação e escolher, com consciência, quem realmente merece a nossa confiança.

Enfim... 


Aqui vai...



sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Candidato (*)

 A respeito das candidaturas que por aí andam:

Candidato é aquele que deseja
que anseia e que abre suspeita
pois sempre ao se candidatar
passa a ter que tudo provar

se você se candidata a emprego
tem que provar sua formação, seu dom
enfim, tem que provar que é bom! 

se você se candidata ao vestibular
tem que tudo aprender para passar
não importa o quanto doa estudar!

se você se candidata a sindico
todos acham que é para roubar
e o condomínio, não pagar!

se você se candidata a ser candidato
todos pensam que você é mais um
com o desejo do sujo senso comum
de ser, dos espertos, "o mais esperto"

se você se candidata a mandato
seja de vereador, prefeito ou deputado
ih... coitado, este então, muito rala
primeiro porque vai direto para a vala
aonde na lama e na sujeira, tudo se cala
depois porque ninguém acredita no que você fala
mesmo que teu passado não precise de nenhum "abafa"
e também pois todos vêem em você mais um ladrão
que no dinheiro do povo quer meter a mão

mas eu acho que o engraçado disto tudo
é que, no fundo, todos querem ser candidato
e por inveja, ou sei lá, projetam em você sua miséria
e a lama passa a ser somente o reflexo
de onde ainda chafurda aquele que no candidato
vê somente um esperto e não um achado

Ai vem o povo que te acusa, fala assim:

O "líder" quer "20.000 reais por 1.000 votos"; uma pechincha!
pois coitadinho, sempre foi enganadinho e usadinho. Tadinho!
alguns oferecem a promoção: "50 reais o voto! Baratinho!"
aí vem outro com "300.000 reais para 5.000 votinhos!"

ou ainda

"poxa, só um pó de pedra doutor, um cimento e uma manilha"
"preciso bater minha laje, é a minha casa, moradia"
"preciso comer, com fome está toda minha família"
ou quem sabe, ainda, toda minha quadrilha
pois para alimentar a rapaziada
uma chopada, seguida por churrascada
e se tiver frio, uma feijoada com cervejada!

E assim vai a democracia!!!!


(*) André Silva, 31/03/2010 (https://sitedepoesias.com.br/poesias/55948-candidato)

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Corria o dia 25 de novembro de 2025... 50 anos depois, em Ponte de Lima, parecia que estávamos em 24 de abril de 1974

• Realizou-se ontem, 25 de novembro a 3.ª reunião de CM de Ponte de Lima, que de acordo com o regimento era pública; 

• José Nuno Vieira de Araújo, vereador eleito do PSD à CM de Ponte de Lima vem pelo presente solicitar a intervenção do Partido Social Democrata no sentido de elaborar a melhor resposta possível ao assunto que passamos a descrever de seguida:

• Após o recebimento da convocatória para a reunião, o vereador eleito pelo PSD, José Nuno Vieira de Araújo, verificando-se impedido de participar por razões profissionais, pediu a sua substituição na presente reunião;

• A CM de Ponte de Lima, por despacho proferido pelo Presidente, procedeu à convocação de Jorge Filipe Martins Lima, cidadão que figurava em número 2 na lista candidata do PSD à CM de Ponte de Lima;

• Ao iniciar a reunião, O Presidente da CM de Ponte de Lima impediu a participação do Vereador Jorge Filipe Martins Lima, que se encontrava a exercer funções em regime de substituição do vereador eleito pelo PSD, José Nuno Vieira de Araújo, impedimento esse que foi justificado pelo senhor Presidente com base na invocação do artigo 221.º da Lei Orgânica 1/2001, de 14 de agosto;

• Segundo o entendimento expresso pelo Presidente da CM, o Vereador Jorge Filipe Martins Lima não poderia participar na referida reunião por se encontrar a acumular o cargo de vereador substituto com o de membro eleito da Assembleia de Freguesia da Seara, freguesia localizada no mesmo concelho de Ponte de Lima; 

• Face à invocação deste impedimento por parte do Presidente da CM, foi enviada comunicação à Assembleia de Freguesia da Seara, para proceder à suspensão “ope legis”, isto é, uma suspensão que decorre diretamente da lei e que não assume a mesma natureza da suspensão do mandato regulada no artigo 77.º da Lei 169/99 de 18 de setembro, não devendo obediência às regras aí contidas o que significa que não depende de apreciação e aprovação do órgão deliberativo, mas apenas de uma simples comunicação, não se aplicando, neste caso, o limite temporal da suspensão do mandato – 365 dias – prevista no n.º 4 daquele artigo 77.º da mesma Lei;

• Apesar deste procedimento, o Vereador Filipe Lima voltou a ser impedido pelo Presidente da CM de participar na referida reunião, porque, no dizer do Presidente da CM, a reunião já tinha começado e não tinha recebido qualquer comunicação da Assembleia de Freguesia a confirmar a suspensão do mandato;

• O vereador Jorge Filipe Martins Lima, impedido de participar na referida reunião, permaneceu até ao final da reunião no espaço destinado ao público e pretendeu inscrever-se para usar da palavra no período de intervenção do público tendo sido uma vez mais impedido de usar da palavra;

• O vereador apresentou um protesto vigoroso contra a conduta adotada, considerando que tal postura não se enquadra nos princípios democráticos e na boa prática do poder local.

É importante sublinhar que este acontecimento se verificou precisamente no dia em que se celebram 50 anos do 25 de novembro de 1975, uma data de especial significado para o CDS, partido representado pelo senhor Presidente, atitude que contraria claramente o espírito dessa celebração, remetendo simbolicamente para um momento anterior à abertura democrática de abril de 1974.

Importará, eventualmente, para o caso que o vereador substituto tem formação especializada na área do ordenamento do território e que iria levantar questões pertinentes sobre a temática o que pode ter estado na origem da ação do Presidente da CM.

terça-feira, 25 de novembro de 2025

25 de novembro de 1975 - Portugal viveu, há 50 anos, um confronto que opôs militares da extrema-esquerda e "moderados" e que ditou o fim da revolução portuguesa e a normalização democrática do país

Um ano e meio depois da Revolução de Abril, que derrubou a ditadura mais antiga da Europa, a revolução estava na rua. 

De um lado estava a esquerda militar, influenciada pela extrema-esquerda e pelos comunistas, dividida entre "gonçalvistas", apoiantes do ex-primeiro-ministro Vasco Gonçalves e do PCP, e os "otelistas", apoiantes do principal estratega do 25 de Abril e chefe do Comando Operacional do Continente (COPCON ), todos eles adeptos da "via revolucionária". 

Do outro estavam os "moderados", militares e forças à direita do PCP, incluindo o Partido Socialista de Mário Soares e o PPD/PSD de Sá Carneiro e que tinham o apoio de Costa Gomes, Presidente da República.

Com o país a ser governado pelo Conselho da Revolução, instituído pela Lei n.º 5/75 e que era constituído pelo Presidente da República, os Chefes e Vice-Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, os Chefes dos Estados-Maiores dos três ramos das Forças Armadas, o Comandante-Adjunto do COPCON, a Comissão Coordenadora do Programa do Movimento das Forças Armadas (MFA), oito elementos do MFA (quatro do Exército, dois da Marinha e dois da Força Aérea), e todos os membros da extinta Junta de Salvação Nacional, vivia-se sob a memoria do golpe de 28 de Setembro de 1974 e do contragolpe de 11 de Março de 1975; a totalidade da banca e das empresas de seguros, as empresas de transportes e de energia, as celuloses e as empresas de siderurgia, e muitas outras, ao todo, 244 empresas, tinham sido nacionalizados; para além destas empresas nacionalizadas, 261 outras, coninuaram com gestão privada, mas o Estado nomeou novas administrações; a reforma agrária no Alentejo e Ribatejo estava no auge (3311 herdades foram ocupadas o que correspondia a cerca de 19% da superfície cultivada de Portugal); a taxa de desemprego atingia valores nunca vistos; houve fixação de preços e aumento de salários sem que isso estivesse relacionado com o aumento de produtividade; assistiu-se ao aumento dramático da população fruto do regresso dos Portugueses que retornavam das colónias; os emigrantes reduziram as suas remessas de moeda para Portugal; o turismo diminui drasticamente; no Norte e no Centro do país, bombas destruíram sedes do PCP e nas ruas gritavam-se vivas ao poder popular, à revolução e "abaixo os comunistas".

Ameaças de golpes, de esquerda e de direita fazem manchetes nos jornais... um cerco à Assembleia da República por trabalhadores da construção civil em greve; um sequestro do Primeiro-Ministro, Pinheiro de Azevedo que desabafa dizendo que não gostou de ser sequestrado: "Chateia-me"!; um Governo em greve…

Otelo foi substituído no comando do COPCON; Sargentos Paraquedistas (na altura pertencentes à Força Aérea) haviam sido transferidos para o Exército ao mesmo tempo que os Oficiais desta mesma força tinham abandonado os seus subordinados e reuniram-se na Base Aérea de Cortegaça; os Paraquedistas que restaram, de repente, ocuparam as bases de Tancos, Monte Real, Montijo e o Comando da Região Aérea, no Monsanto, em Lisboa... 

Melo Antunes, Vasco Lourenço, Jaime Neves, Comandante do Regimento de Comandos da Amadora e Ramalho Eanes, o militar que viria a ser Presidente da República (1976-1986) sairam para a rua na defesa da DEMOCRACIA... Lisboa em estado de sítio... na manhã do dia seguinte, os Comandos cercaram as instalações da Polícia Militar, na Ajuda em Lisboa... Jaime Neves arrombou a Porta de Armas com uma Chaimite... ouviram-se disparos... resultado: três mortes: dois Comandos (Tenente Comando José Eduardo Oliveira Coimbra e 2º Furriel Miliciano Comando Joaquim dos Santos Pires) e um militar da Polícia Militar (Aspirante Miliciano José Albertino Ascenso Bagagem).

O que ficou deste dia?

Que foi travada uma tentativa de golpe... e que a principal consequência foi o fim do chamado Período Revolucionário em Curso (PREC) e a estabilização da democracia representativa em Portugal.

50 anos depois, o resumo do melhor que há a dizer desta importante data foi feito por Pedro Alves deputado do PPD/PSD na sessão comemorativa do 25 de novembro de 1975: 

"Os portugueses dispensam discussões sobre a metafísica das datas"; [no 25 de novembro de 1975] "os democratas venceram e, em nome da reconciliação nacional, os vencidos foram perdoados"... "os democratas venceram e a suprema ironia é que os revolucionários de ontem são hoje burgueses reacionários. Os democratas venceram e perdoaram e amnistiaram, mas não esquecem"...

Viva o 25 de novembro...

Viva o 25 de abril...

Viva Portugal!!!


segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Fórum TSF: Estamos a falhar no apoio aos mais velhos?

SIM, ESTAMOS!!! Estamos a falhar a toda uma geração que nos trouxe até aqui!!!

Hoje, no Fórum da TSF, discutiu-se uma temática de enorme relevância para o futuro do nosso país: a insuficiência de apoio destinado à população idosa. Esta situação, frequentemente relegada para segundo plano, para não dizer mesmo último plano, afeta não só a qualidade de vida dos mais velhos, mas também impacta o desenvolvimento social e económico de Portugal como um todo. 

A inexistência de políticas eficazes para assegurar o bem-estar dos idosos pode originar sérios desafios para as famílias e para a sociedade em geral. Diante de uma população cada vez mais envelhecida, é indispensável refletir com seriedade e encontrar soluções concretas para responder a esta realidade. 

Portugal com as suas dificuldades económicas, não pode continuar a descurar aqueles que ergueram as bases do país. A geração mais velha teve um papel determinante no progresso nacional, enfrentou adversidades que nós nunca iremos enfrentar, lutou e contribuiu para a melhoria das condições de vida e ignorar o seu legado representa não só uma falha social, mas também uma injustiça histórica. 

Tanto a sociedade como as famílias têm a responsabilidade de valorizar e apoiar os idosos. O reconhecimento do trabalho e do sacrifício desta geração deve traduzir-se em políticas públicas e atitudes que promovam o seu bem-estar, honrando o contributo que deram ao longo dos anos. 

Neste momento, o Estado português revela claras deficiências no apoio à população idosa, evidenciando lacunas relevantes nas políticas de bem-estar destinadas a este grupo. Esta carência estatal é ainda mais grave considerando o acentuado envelhecimento demográfico e a necessidade crescente de suporte adequado aos mais velhos. 

Torna-se essencial implementar apoios dirigidos não apenas às famílias, mas também às Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS). Estas entidades desempenham um papel fundamental ao suprirem falhas do Estado, prestando cuidados e garantindo dignidade aos idosos. Contudo, o Estado não deve limitar-se a fiscalizar ou regulamentar as IPSS: é imperativo assegurar-lhes um apoio efetivo e contínuo, através de recursos financeiros, logísticos e humanos, permitindo que IPSS e famílias possam fazer frente às crescentes necessidades da população idosa. 

Garantir este tipo de apoio é vital não só para o bem-estar imediato dos idosos, mas também para construir uma sociedade mais justa e solidária, onde o contributo das gerações mais velhas seja reconhecido e valorizado. Sem um compromisso efetivo por parte do Estado, famílias e instituições continuarão a enfrentar grandes dificuldades na prestação de cuidados adequados aos idosos. 

Para concluir este meu desabafo, deixo umas palavras de um poema de Zeca Afonso, também citado por Manuel Acácio no Fórum da TSF, que resume a importância de cuidar dos nossos idosos: 

A velhice não se enjeita
Como o lixo da calçada
País que os velhos rejeita
Não é país, não é nada. 

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Chegará o dia em que a inteligência será desprezada e a estupidez será adorada…

A frase que intitula este meu pequeno desabafo tem sido amplamente partilhada nas redes sociais e, embora frequentemente atribuída a José Saramago, não existe confirmação absoluta de que o escritor português, vencedor do Prémio Nobel da Literatura em 1998, tenha realmente proferido tais palavras. 

A relevância da discussão sobre a autoria da frase não reside apenas na curiosidade de saber quem a disse primeiro (se é que alguma vez a disse), mas sim no comportamento que a sua partilha revela. 

Afirmo isto porque, aparentemente (desculpem-me se estou enganado), muitos daqueles que a partilham, acabam, paradoxalmente, por agir de modo contrário ao que ela sugere: desprezam a inteligência e valorizam a estupidez na medida em que partilham a frase apenas pelo seu apelo estético ou pela aparência de conhecimento que transmite, atribuem-lhe automaticamente uma autoridade, sem, em momento algum, se questionarem sobre a sua origem ou significado.

Desta forma, assim, com a cabeça (vazia) entre as orelhas, persiste-se numa forma de estar em que a reflexão crítica é deixada de lado e o verdadeiro sentido das palavras é perdido. 

Será que não conseguimos entender que o simples ato de partilhar algo bonito, sem consciência ou análise apenas contribui para o fenómeno que a própria frase denuncia: a valorização superficial e acrítica do discurso, o desprezo pela inteligência e adoração à estupidez… 


quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Ao toque do algoritmo...


Vemos, ouvimos e lemos "cientistas da coisa" que se manifestam de forma (a)crítica em relação ao conceito de algoritmo e à forma como ele hoje é utilizado… como ajuda, ou como nos controla e nos vai modelando a vida.

E, "algoritmo para cá, algoritmo para lá", uns a apoiar, outros a criticar, andamos todos, qual marchante ao toque de uma caixa de rufo ao "toque do algoritmo"... e, apesar de sentirmos que estamos, de alguma forma, por vontade ou por necessidade, sujeitos à sua influência e ao seu controlo, a verdade é que hoje não os dispensamos!...

Mas, afinal, o que é o algoritmo? A palavra algoritmo é um nome masculino... penso que não há dúvidas em relação a esta primeira constatação!... De acordo com o dicionário da Porto Editora, algoritmo trata-se de um "conjunto de operações predefinidas a seguir de forma sistemática para a resolução de um determinado tipo de problema". Em matemática, é definido como o "conjunto ordenado e finito de processos necessários para efetuar um cálculo". Já na informática, o algoritmo é entendido como o "conjunto de operações, sequenciais, lógicas e não ambíguas, que, aplicadas a um conjunto de dados, permitem encontrar a solução para um problema num número finito de passos". 

E na vida real?

Bem, na vida real, de uma forma geral, e sem que muitas vezes nos apercebamos, a verdade é que a algoritmia vai controlando progressivamente a nossa vida. Na publicidade e no marketing, por exemplo, algoritmos recolhem dados sobre os nossos gostos, a nossa localização, o histórico da nossa navegação... e depois?... depois, atua direcionando-nos para uma publicidade personalizada e eficaz. 

O mesmo ocorre nas recomendações e consumo de conteúdos, nomeadamente nas redes sociais, nos serviços de streaming como Netflix e Spotify, e nos motores de busca. Sem nos darmos conta, começamos a pensar no quão inteligentes esses serviços são já que, apenas nos mostram aquilo que queremos ver - ou nem por isso porque algumas plataformas tornaram-se autênticas máquinas de publicidade, inundando-nos com anúncios de produtos ou serviços que não queremos, não procuramos e não precisamos. 

Além disso, os algoritmos estão presentes nos sistemas de GPS, na apresentação dos preços dos produtos que procuramos, e até na sugestão de produtos que não procurávamos, mas que nos são apresentados como bons, úteis e necessários... No fundo, estes sistemas filtram o conteúdo dos nossos consumos diários, priorizando, classificando e associando informações com o objetivo de moldar a nossa experiência e, em última análise, a perceção que temos do mundo em que vivemos. 

Sem que nos tenhamos apercebido, ou acreditando que seria benéfico, deixámos que a Inteligência Artificial fosse entrando progressivamente no nosso modus vivendi

Sim, hoje, fazemos desporto ou, pelo menos, movimentamo-nos até que o Smartwatch nos indique que atingimos o objetivo. Dormimos de acordo com a indicação do mesmo aparelho. Andamos sempre com aplicações como o Waze (ou outras do mesmo género) ligadas… vemos os filmes sugeridos pela Netflix… ouvimos as músicas apresentadas pelo Spotify… consumimos aquilo que o motor de busca nos oferece. 

E, quando nos queremos informar, recebemos a informação da mesma forma… neste mundo cada vez mais dependente da máquina, dominada pelo algoritmo, onjunto ordenado e finito de processos necessários para efetuar um cálculo que permite alcançar um detrminado objetivo, recolhemos dados sem nos certificarmos da sua veracidade. Pensamos que só porque está na internet, é verdade... mas, muitas vezes, não é!... E, ao seguir a indicação da máquina, entramos na “bolha” e, muitas vezes, na mentira, que corre, como bem sabemos, sempre mais depressa do que a verdade!... 

Alan Mathison Turing, o "pai da computação" moderna, formalizou em 1936 o conceito de algoritmo através da "Máquina de Turing". Na altura apresentou ao mundo "uma cabeça apta a ler e escrever" (0's e 1's numa fita infinita de papel) e com ela lançou as bases para o desenvolvimento da informática e da tecnologia digital. 

Falta saber se Turing, ao observar o mundo de hoje e a nossa completa dependência das máquinas, ficaria satisfeito com o rumo que a sua teoria tomou. O conceito de algoritmo, originalmente pensado para resolver problemas de forma sistemática e rigorosa, tornou-se uma força dominante no quotidiano atual. Os algoritmos controlam muitos aspetos da nossa vida, desde o consumo de informação até à personalização de publicidade, influenciando diretamente as nossas escolhas e percepções. 


PS.: como não podia deixar de ser, a imagem que encima este desabafo, foi gerada com recurso ao Microsoft Copilot, um assistente de inteligência artificial (IA) generativa desenvolvido pela Microsoft para aumentar a produtividade e a criatividade dos utilizadores... ou seja, para nos facilitar a vida... e nos retirar necessidade de nos empenharmos a procurar ou a criar uma imagem... a máquina faz por nós!... 

terça-feira, 18 de novembro de 2025

Se "Incenso fosse música"

isso de querer ser
exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além

Paulo Leminski, 1987


quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Aconteça o que acontecer... 🌹🩷

Hoje, estrada afora, a caminho do trabalho, na rádio ouviam-se notícias dos terríveis atentados que há dez anos (13 de novembro de 2015) vitimaram mais de uma centena de pessoas em Paris… o Bataclan, um espaço de diversão, foi onde mais pessoas morreram.

Entretanto, como que para me distrair, a minha cabeça roda para o Moulin Rouge… nunca lá fui… vi o filme… duas, três… não sei quantas vezes… e há músicas naquele espetáculo dançante, em formato de vídeo, que gosto muito…

Nature Boy, de David Bowie, que abre logo este filme, é uma das que mais gosto… mas, aquela que me faz mesmo parar e ouvir sempre e com muita atenção é Come What May, interpretada por Nicole Kidman e Ewan McGregor.

Come What May, aconteça o que acontecer em tradução livre… vale a pena ler e ouvir!...

Come What May

Never knew I could feel like this
Like I've never seen the sky before
I want to vanish inside your kiss
Every day I love you more and more

Listen to my heart
Can't you hear it sings
Telling me to give you everything
Seasons may change
Winter to spring
But I love you
Until the end of time

Come what may
Come what may
I will love you
Until my dying day

Suddenly the world seems such a perfect place
Suddenly it moves with such a perfect grace
Suddenly my life doesn't seem such a waste
It all revolves around you

And there's no moutain too high
No river too wide
Sing out this song and I'll be there by your side
Storm clouds may gather
And stars may collide
But I love you
I love you
Until the end of time

Come what may
Come what may
I will love you
Until my dying day

Come what may
Come what may
I will love you
I will love you
I will love you
Suddenly the world seems such a perfect place

Come what may
(Come what may)
Come what may
(Come what may)
I will love you
Until my dying day



PS.: Faz hoje seis anos, que depois de 18 dias de internamento, a Rosinha saiu do Hospital... uma operação dura e radical... tão radical como o bicho que lhe tirou a vida... pensava-se que melhores dias viriam… a esperança era muita... infelizmente assim não foi!... 

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

O Massacre do Cemitério de Santa Cruz... 12 de novembro de 1991

12 de novembro de 1991, Timor Leste...

A luta pela independência de Timor-Leste foi longa, culminando na proclamação unilateral da independência pela FRETILIN em 28 de novembro de 1975, a qual foi seguida pela invasão pelas tropas da Indonésia nesse mesmo ano. 

Após anos e anos de ocupação e resistência armada, a Indonésia concordou com um referendo supervisionado pela ONU, que ocorreu em 30 de agosto de 1999. A grande maioria dos timorenses votou pela independência, que foi formalmente restaurada no dia 20 de maio de 2002, após um período de transição administrado pelas Nações Unidas. 

Para a história, entre muitos outros crimes horrendos que foram perpetrados pela Indonésia, fica o Massacre do Cemitério de Santa Cruz... durante uma manifestação pela independência de Timor-Leste, a 12 de novembro de 1991, militares indonésios abriram fogo sobre a multidão no cemitério de Santa Cruz, em Díli. Mais de 250 pessoas perderam a vida, num massacre que chocou o mundo.

(c) 


domingo, 9 de novembro de 2025

Sou Benfiquista de Alma...

 



"Não sou Benfiquista de Coração, porque esse um dia para. Sou Benfiquista de Alma, porque essa é eterna"

Cosme Damião, Fundador do Sport Lisboa e Benfica

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

São Nuno de Santa Maria





Oração a São Nuno de Santa Maria

Pai Santo, em Jesus Cristo mostrastes a São Nuno de Santa Maria o valor supremo do vosso Reino. Para o conquistar, ele exercitou-se com as armas da fé, do amor a Cristo e à Igreja, da Palavra de Deus, da Eucaristia, da oração, da confiança em Maria, da caridade, do jejum, da castidade, da fortaleza, do serviço, da rectidão de espírito e da justiça. Para vos servir de modo mais total como único Senhor, e a Maria Santíssima, Senhora do Carmo, a quem se consagrou na vida religiosa carmelita, de tudo se despojou. Concedei-nos, por sua intercessão, a graça... (nomeá-la), para que sem obstáculos da alma e do corpo possamos nós também viver sempre ao vosso serviço e, combatendo o bom combate da fé, mereçamos tomar parte no Banquete do Reino dos Céus. Por Cristo, nosso Senhor. 
Amen

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Dom Gérard Marie Lafond - fundador da Militia Sanctæ Mariæ



Dom Gérard Marie Lafond nasceu a 30 de Setembro de 1926 e fez os seus estudos secundários no Liceu de Rouen (França).

Em 1945, com um grupo de jovens amigos e o apoio do Dom Abade do mosteiro de S. Wandrille (Normandia – França), funda a MILITIA SANCTÆ MARIÆ - cavaleiros de Nossa Senhora, com um carisma fortemente mariano, beneditino-bernardiano e cavaleiresco.

Em 1948 entra no mosteiro de S. Wandrille e faz a sua profissão monástica em 25 de Março (Dia da Anunciação) de 1950 e, a 25 de Julho (dia de S. Tiago) de 1955, foi ordenado Sacerdote.

Em 1959 acaba o Mestrado em Teologia (Instituto Católico de Paris) e o de Sagrada Escritura, em 1965 (Instituto Bíblico de Roma). Foi professor, no seu mosteiro, dos jovens monges de Sagrada Escritura e acumulou as funções de Bibliotecário. Simultaneamente dirigiu um círculo bíblico para leigos, orientou retiros e fez inúmeras conferências.

No dia 24 de Dezembro de 1969, a seu pedido, o Bispo de Chartres, Dom Roger Michon, reconhece canonicamente a MSM na cripta da catedral dedicada a Nossa Senhora.

Em Dezembro de 1985 foi nomeado Prior Administrador do mosteiro de S. Paulo de Wisques e, em 1988, foi eleito seu Abade, serviço de que resignou em 3 de Fevereiro de 2005.

Entretanto, em 1997, com um grupo de cientistas, artistas e outros intelectuais, e em articulação com o Conselho Pontifício para a Cultura, funda o Projeto Novo Olhar, do qual saiu o livro L’Éveil du Regard.

Sempre que os seus inúmeros afazeres o permitiam, tomava parte nos Capítulos da MSM, de que era seu “Pai espiritual” e Fundador. Em 1995, pela última vez, participa, em Agosto, na casa que ajudou a criar - a Comendadoria da Imaculada (perto de Chartres) - onde leu e entregou aos cavaleiros de Nossa Senhora o que se pode chamar o seu “Testamento Espiritual”.

Dom Lafond deixou inúmeros artigos de formação para os cavaleiros de Nossa Senhora, seus filhos espirituais, além da Regra, seu verdadeiro directório espiritual, e a Liturgia das Horas para estes, já segundo as diretivas decorrentes do II Concílio do Vaticano.

Partiu para a casa do Pai no seu mosteiro de S. Paulo de Wisques a 31 de Outubro de 2010.

Convidam-se os nossos Irmãos e Amigos a rezar por este grande Monge, Dom Abade e Fundador da MSM.

P. N. + A. M. + Gloria

sábado, 25 de outubro de 2025

É possível fazer mais e melhor por Ponte de Lima! - Intervenção na sessão de instalação da AM de Ponte de Lima (25Out2025)

Assembleia Municipal de Ponte de Lima

Reunião de Instalação – mandato 2025-2029 

 

Exmo senhor Presidente da Assembleia Municipal de Ponte de Lima, 

Exmos senhores Secretários da Mesa da Assembleia, 

Exmos senhores membros da AM e senhores Presidentes de JF,

Exmo senhor Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, 

Exmos senhores Vereadores, 

Exmos senhores convidados, 

 

Minhas senhoras e meus senhores, 

Assumir o lugar que hoje ocupo é, para mim, motivo de grande honra e traz consigo um profundo sentido de responsabilidade. Aceito sem hesitação o resultado das eleições autárquicas realizadas no passado dia 12 de outubro, respeitando a vontade expressa pelo povo de Ponte de Lima.

Estou convicto de que todos aqueles que são escolhidos democraticamente para representar a sua comunidade devem fazê-lo com dedicação total. É fundamental que defendam a sua terra com integridade, agindo de acordo com a sua consciência e com elevado sentido de responsabilidade. Essa missão exige firmeza e convicção nos objetivos traçados, sem jamais ceder a pressões externas, interesses particulares ou promessas ilusórias que não tragam benefícios concretos à população.

Com estes princípios em mente, aceitei liderar a candidatura do PPD/PSD à Assembleia Municipal. Fi-lo com o propósito claro de defender aquelas que acreditamos serem as melhores propostas para o desenvolvimento do nosso concelho e para o bem-estar das suas gentes.

Inicio esta intervenção expressando o meu sincero agradecimento a todos aqueles que, ao longo dos últimos quatro anos, serviram nesta Assembleia Municipal e nas Assembleias e Juntas de Freguesia do nosso concelho. Seja nos executivos, seja na oposição, muitos concluíram ou estão prestes a concluir as suas funções. Reconheço e valorizo profundamente o empenho e o trabalho dedicado de cada um. A todos, deixo o meu muito obrigado pela dedicação prestada em prol da nossa comunidade.

De igual modo, cumprimento calorosamente todos aqueles que agora iniciam ou retomam as suas funções nestes órgãos autárquicos. Faço votos de que o percurso que agora se inicia, ou se prolonga, seja marcado por um trabalho persistente e benéfico, sempre orientado pela defesa do melhor interesse de Ponte de Lima e de todos os seus habitantes.

É possível fazer mais e melhor por Ponte de Lima! Esta convicção não é apenas um objetivo, mas um compromisso que assumo perante todos os limianos. Acreditamos que cada ação, cada decisão e cada esforço devem ser orientados para o progresso do nosso concelho e para a melhoria da qualidade de vida de todos os seus habitantes.

Gostaria de prestar uma sentida homenagem a Francisco Pinto Balsemão, fundador e militante n.º 1 do PPD/PSD, recentemente falecido. Num momento como este, é justo e devido que esta e todas as Assembleias Municipais dediquem, pelo menos, um voto de pesar e um minuto de silêncio em sua memória, reconhecendo o seu papel fundamental na construção da democracia em Portugal.

A este respeito recordo palavras suas proferidas apenas cinco dias depois da Revolução de Abril: “A democracia não se prepara num laboratório, a democracia pratica-se.” Esta afirmação sublinha a importância da participação ativa, do envolvimento cívico e da responsabilidade de cada um de nós em tornar a democracia uma realidade vivida, todos os dias, nas nossas instituições e na nossa comunidade.

A realidade mostra-nos que apesar de vivermos sob o signo da democracia, persistem práticas que a contradizem profundamente. O caciquismo, as pressões, as ameaças de “fecho de torneiras” e até os ataques pessoais são atitudes que não se coadunam com o espírito democrático. A ausência de respostas a questões pertinentes colocadas tanto por eleitos quanto por munícipes, mesmo neste espaço que deveria ser o verdadeiro palco da Democracia, revela que, em Ponte de Lima, ainda não atingimos uma Democracia plena. Estes comportamentos obscurecem a transparência e impedem o debate aberto e construtivo, indispensável à vitalidade democrática.

É certo que os eleitores exerceram o seu direito de voto, expressando a sua vontade. Importa sublinhar que para a nossa candidatura, que ficou em segundo lugar, o crescimento registado representa não apenas um voto de confiança, mas também uma exigência acrescida. Cada voto recebido é um compromisso assumido. Assim, tudo faremos para não defraudar as expectativas de todos aqueles que acreditam num projeto alternativo, construtivo e rigoroso para o nosso concelho. Esta responsabilidade será honrada com trabalho, transparência e dedicação.

Ponte de Lima, como todos bem sabemos, enfrenta vários problemas cuja resolução tem sido constantemente adiada. Entre eles destacam-se o Plano Diretor Municipal (PDM), a insuficiência de saneamento básico, as limitações nos transportes, a gestão das florestas e a preservação do nosso rio.

Como podemos ficar satisfeitos com um 124.º lugar no Ranking de Competitividade Municipal lançado pelo Instituto Mais Liberdade, um índice que compara a atratividade e qualidade de serviços e infraestruturas dos 186 municípios que têm mais de 10 mil habitantes em Portugal?

Como podemos ficar satisfeitos quando, por exemplo, o Diagnóstico Social do Concelho de Ponte de Lima aprovado em 2024, promovido pela Câmara Municipal de Ponte de Lima em colaboração com a Rede Social de Ponte de Lima nos diz que as nossas famílias têm baixa capacidade financeira e que têm dificuldades de conciliação da vida pessoal, familiar e profissional?; ou ainda com o isolamento dos nossos idosos e com a dificuldade de acesso a respostas sociais adequadas às suas necessidades?; ou com as insuficientes respostas para as necessidades relacionadas com a saúde, nomeadamente consultas de especialidade, a falta de respostas de saúde mental e dependências?; ou ainda a insuficiente resposta ao nível dos transportes públicos, com horários e trajetos completamente desfasados das nossas reais necessidades; como podemos ficar satisfeitos quando verificamos neste mesmo documento que em Ponte de Lima há 318,4 habitantes por médico (muito acima da média nacional, 172,9) e que em média, os residentes de Ponte de Lima ganhavam cerca de 994,66€/mês quando a média nacional se cifrava nos 1289,50€/mês; e, finalmente, como podemos ficar satisfeitos quando vemos que a cada ano perdemos população e que as nossas freguesias ficam cada vez mais despovoadas?

A resposta a tudo isto e muito mais que poderia ser dito não se pode ficar por rotundas, estradas, jardins e pedra nos centros cívicos; é necessário tornar Ponte de Lima um concelho atrativo e competitivo, um concelho amigo das suas gentes.

Estou certo de que se tivesse prevalecido um verdadeiro espírito democrático e se as oposições tivessem sido devidamente ouvidas, alguns destes problemas poderiam ter sido minimizados. Porém, a inexistência de um diálogo aberto e construtivo com a oposição privou o Executivo Municipal e mesmo esta Assembleia de contributos relevantes o que, em nosso entendimento comprometeu a qualidade das decisões tomadas e das respostas dadas aos desafios locais.

O Senhor Presidente da Assembleia, na sua intervenção aquando da sua primeira tomada de posse realizada há pouco mais de quatro anos, trouxe à luz uma questão essencial para o correto funcionamento das Assembleias Municipais: a necessidade de conferir maior dignidade a este órgão. Sublinhou, de forma clara, as dificuldades enfrentadas pelos seus membros no sistema atualmente em vigor, nomeadamente o pouco tempo disponível para analisar e fiscalizar documentos muitas vezes de grande volume, de grande capacidade técnica, preparados durante meses por técnicos.

De acordo com as suas palavras, não é razoável exigir aos eleitos que, em apenas cinco dias úteis, realizem uma análise crítica e informada de tais documentos. Esta limitação de tempo, associada à insuficiência de apoio técnico, conduz inevitavelmente ao silêncio de muitos membros, não por falta de interesse ou sentido de responsabilidade, mas devido à impossibilidade de um exame aprofundado e à ausência dos recursos necessários para o efeito.

Ao longo dos últimos quatro anos, esta realidade manteve-se inalterada. O que se ouviu, ou melhor, o que não se ouviu, foi precisamente a ausência de participação ativa de muitos membros da Assembleia, reflexo direto das dificuldades anteriormente identificadas e jamais superadas.

Perante este cenário, impõe-se uma questão pertinente: que medidas foram, de facto, implementadas ao longo destes quatro anos para corrigir e superar os obstáculos à fiscalização dos documentos e para dignificar o papel da Assembleia Municipal? Esta interrogação permanece atual e relevante, exigindo reflexão e resposta por parte dos órgãos competentes.

É fundamental que, no novo mandato, a democracia e o respeito pelo estatuto da oposição se afirmem como realidades em Ponte de Lima. Da parte do grupo parlamentar do PPD/PSD, fica o compromisso de exercer uma oposição construtiva: apoiar-se-á tudo aquilo que seja benéfico para o concelho e para a sua população, e opor-se-á a tudo o que não se coadune com o melhor interesse dos limianos.

O lema de campanha adotado pela nossa candidatura — “SOMOS PONTE DE LIMA”… sim, todos SOMOS PONTE DE LIMA — reflete o espírito de união e pertença que se pretende incutir na comunidade. Este slogan expressa o entendimento de que todos, independentemente das suas diferenças, têm um papel essencial na construção do futuro do concelho.

Os limianos não pedem, exigem que cada um de nós assuma a responsabilidade de ser parte ativa deste projeto coletivo. É uma chamada à participação, ao envolvimento e ao compromisso de todos para transformar Ponte de Lima, a Nossa Terra, num lugar cada vez melhor para viver, trabalhar e criar novas oportunidades para as gerações futuras.

Desejo um bom trabalho a todos…







sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Porque voto PSD?



A decisão de votar num determinado partido político é sempre pessoal e resulta de uma análise ponderada de valores, propostas e histórico de atuação. No meu caso, o voto no Partido Social Democrata (PSD) é sustentado por diversos fatores que considero fundamentais para o futuro de Ponte de Lima.
O PSD tem um historial de responsabilidade na gestão das finanças públicas, promovendo políticas económicas que visam o equilíbrio orçamental e a sustentabilidade do Estado, e tudo isto acompanhado de políticas reformistas.
 
Acredito que esta postura é essencial para garantir a confiança dos investidores, o crescimento económico e a criação de emprego, fatores cruciais para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos.

Em Ponte de Lima, durante 50 anos, o PSD sempre foi um partido responsável. Durante 50 anos, fomos oposição construtiva. Durante 50 anos sempre defendemos o melhor para Ponte de Lima e para as suas gentes.

Nas eleições do próximo domingo, 12 de outubro, voto PSD porque, para além de considerar ser necessário acabar com a política de continuidade que nos trouxe até aqui, acredito que o PSD é o partido que melhor concilia responsabilidade económica, justiça social e compromisso com o futuro de Ponte de Lima.

Mas, acima de tudo, voto PSD porque acredito nas pessoas do PSD e nas suas propostas… acredito no José Nuno Vieira de Araújo, na sua equipa, nos elementos que constituem a candidatura à Assembleia Municipal por mim encabeçada e nas 20 candidaturas as nossas Freguesias…

Por si, por nós, vote PSD!

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Discurso de despedida da Junta de Freguesia e apresentação de candidatura à Assembleia Municipal de Ponte de Lima - 09Out2025

Meus caros amigos, boa noite...

Começo esta minha pequena intervenção com um agradecimento pela vossa presença neste nosso encontro... muito obrigado

E, na pessoa da minha filha, pelas razões obvias que todos conhecem, cumprimento todos e cada um de vós...

Cumprimentos ainda de forma particular aqueles com quem tenho palmilhado grande parte do caminho que me trouxe até aqui...

Vitor Cunha, Bruno Gonçalves, Diogo Puga, Marinho Reis, Pedro Santos, Dulce Guerreiro, Rute Calheiros, Carla Reis, Ricardo Mimoso, Daniela Sousa, Clarisse Pereira e Filipe Reis... Manuel Loureiro

Caro mandatário da nossa candidatura, Manuel Trigueiro, na sua pessoa e no nosso cabeça de lista à CM, José Nuno Vieira de Araújo, cumprimento todos os membros das nossas candidaturas às eleições de domingo que se apressa a chegar...

Francisco Sá Carneiro disse um dia: "Propomo-nos a construir, não uma simples democracia formal, mas sim uma autêntica democracia política, económica, social e cultural. Primeiro Portugal, depois o partido, por fim, a circunstância pessoal de cada um de nós!"

Perguntar-se-ão acerca da razão de utilizar esta frase para com ela iniciar esta minha alocução.

A resposta é simples: faço-o porque considero que esta frase resume, no essencial, tudo aquilo que deve ser a nossa forma de ser, a nossa forma de estar, a nossa forma de atuar na sociedade.

O meu partido, nas ruas e nos caminhos da Nossa Terra, na Junta de Freguesia, na Assembleia Municipal enquanto membro por inerência decorrente da minha condição de Presidente de Junta de Freguesia, na relação com a Câmara Municipal ou com outras entidades, foi, sempre, a Freguesia de Rebordões-Souto. 

Tal como já tive oportunidade de algumas vezes referir, foi nessa condição que me encontrei e foi, sempre, nessa condição que usei da palavra e exerci o meu direito de voto.

O meu propósito sempre foi defender aquilo que julguei melhor para a Minha Terra, nunca esquecendo que Rebordões-Souto pertence a um todo que é Ponte de Lima e que a todos nos enche de orgulho. 

Passados que estão 12 anos, afirmo que é com um misto de gratidão, orgulho e emoção que me dirijo a vós neste momento. Após estes anos dedicados ao serviço da nossa Junta de Freguesia em particular e do concelho como um todo, chegou agora o momento de me despedir das funções que abracei com empenho, dedicação e sentido de responsabilidade.

Agradeço, em primeiro lugar, a confiança que sempre depositaram em mim e na minha equipa. 

Cada desafio que enfrentámos juntos, cada conquista alcançada e cada obstáculo superado só foi possível graças ao vosso apoio, colaboração e espírito de comunidade. 

Nem tudo correu como devia... não fizemos tudo aquilo a que nos propusemos e muito menos aquilo que entendíamos dever fazer... não fizemos tudo certo, mas a verdade é que só não erra quem nada faz!!!

A despedida destas funções não representa um adeus. Representa uma passagem para uma nova etapa de serviço público. Continuarei na Assembleia de Freguesia... participarei nas reuniões públicas do executivo... erstarei disponível para aquilo que entendam ser útil.

É com sentido de missão renovado que venho hoje apresentar-vos a minha candidatura à Assembleia Municipal de Ponte de Lima 

Sinto-me preparado para abraçar este novo desafio, ciente da responsabilidade que representa e motivado pelo desejo de elevar ainda mais a nossa terra no contexto do concelho. Levo comigo a experiência adquirida na Junta de Freguesia, o conhecimento profundo das necessidades locais e a vontade de contribuir para decisões que beneficiem todo o município.

Comprometo-me a continuar a defender os interesses da freguesia e de Ponte de Lima, a ouvir as vossas preocupações e a lutar por soluções que promovam o desenvolvimento sustentável, o bem-estar social e a valorização da nossa identidade limiana. Quero ser a voz ativa e comprometida de todos vós na Assembleia Municipal, colocando sempre em primeiro lugar as pessoas e a qualidade de vida da nossa terra.

E, deixem-me que vos diga apenas mais uma coisa: a volta que temos dado pelo nosso concelho (e aproveito esta oportunidade para vos dizer que durante este mandato do José Nuno tivemos a oportunidade de percorrer todas as freguesias deste nosso concelho e de falar com muita gente) permite-me afirmar com segurança o que vou dizer: 50 anos do mesmo partido no poder teve uma consequência: SURDEZ... não se ouve aquilo que os outros vão dizendo... arrogam-se do estatuto de “NÓS É QUE ESTAMOS CERTOS... TODOS OS OUTROS ESTÃO ERRADOS... NADA DO QUE OS OUTROS DIZEM ESTÁ CERTO”

Conto com o vosso apoio nesta nova etapa e prometo não defraudar a confiança que depositarem em mim. Juntos, continuaremos a construir um futuro melhor para todos.

Muito obrigado.