sábado, 25 de outubro de 2025

É possível fazer mais e melhor por Ponte de Lima! - Intervenção na sessão de instalação da AM de Ponte de Lima (25Out2025)

Assembleia Municipal de Ponte de Lima

Reunião de Instalação – mandato 2025-2029 

 

Exmo senhor Presidente da Assembleia Municipal de Ponte de Lima, 

Exmos senhores Secretários da Mesa da Assembleia, 

Exmos senhores membros da AM e senhores Presidentes de JF,

Exmo senhor Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, 

Exmos senhores Vereadores, 

Exmos senhores convidados, 

 

Minhas senhoras e meus senhores, 

Assumir o lugar que hoje ocupo é, para mim, motivo de grande honra e traz consigo um profundo sentido de responsabilidade. Aceito sem hesitação o resultado das eleições autárquicas realizadas no passado dia 12 de outubro, respeitando a vontade expressa pelo povo de Ponte de Lima.

Estou convicto de que todos aqueles que são escolhidos democraticamente para representar a sua comunidade devem fazê-lo com dedicação total. É fundamental que defendam a sua terra com integridade, agindo de acordo com a sua consciência e com elevado sentido de responsabilidade. Essa missão exige firmeza e convicção nos objetivos traçados, sem jamais ceder a pressões externas, interesses particulares ou promessas ilusórias que não tragam benefícios concretos à população.

Com estes princípios em mente, aceitei liderar a candidatura do PPD/PSD à Assembleia Municipal. Fi-lo com o propósito claro de defender aquelas que acreditamos serem as melhores propostas para o desenvolvimento do nosso concelho e para o bem-estar das suas gentes.

Inicio esta intervenção expressando o meu sincero agradecimento a todos aqueles que, ao longo dos últimos quatro anos, serviram nesta Assembleia Municipal e nas Assembleias e Juntas de Freguesia do nosso concelho. Seja nos executivos, seja na oposição, muitos concluíram ou estão prestes a concluir as suas funções. Reconheço e valorizo profundamente o empenho e o trabalho dedicado de cada um. A todos, deixo o meu muito obrigado pela dedicação prestada em prol da nossa comunidade.

De igual modo, cumprimento calorosamente todos aqueles que agora iniciam ou retomam as suas funções nestes órgãos autárquicos. Faço votos de que o percurso que agora se inicia, ou se prolonga, seja marcado por um trabalho persistente e benéfico, sempre orientado pela defesa do melhor interesse de Ponte de Lima e de todos os seus habitantes.

É possível fazer mais e melhor por Ponte de Lima! Esta convicção não é apenas um objetivo, mas um compromisso que assumo perante todos os limianos. Acreditamos que cada ação, cada decisão e cada esforço devem ser orientados para o progresso do nosso concelho e para a melhoria da qualidade de vida de todos os seus habitantes.

Gostaria de prestar uma sentida homenagem a Francisco Pinto Balsemão, fundador e militante n.º 1 do PPD/PSD, recentemente falecido. Num momento como este, é justo e devido que esta e todas as Assembleias Municipais dediquem, pelo menos, um voto de pesar e um minuto de silêncio em sua memória, reconhecendo o seu papel fundamental na construção da democracia em Portugal.

A este respeito recordo palavras suas proferidas apenas cinco dias depois da Revolução de Abril: “A democracia não se prepara num laboratório, a democracia pratica-se.” Esta afirmação sublinha a importância da participação ativa, do envolvimento cívico e da responsabilidade de cada um de nós em tornar a democracia uma realidade vivida, todos os dias, nas nossas instituições e na nossa comunidade.

A realidade mostra-nos que apesar de vivermos sob o signo da democracia, persistem práticas que a contradizem profundamente. O caciquismo, as pressões, as ameaças de “fecho de torneiras” e até os ataques pessoais são atitudes que não se coadunam com o espírito democrático. A ausência de respostas a questões pertinentes colocadas tanto por eleitos quanto por munícipes, mesmo neste espaço que deveria ser o verdadeiro palco da Democracia, revela que, em Ponte de Lima, ainda não atingimos uma Democracia plena. Estes comportamentos obscurecem a transparência e impedem o debate aberto e construtivo, indispensável à vitalidade democrática.

É certo que os eleitores exerceram o seu direito de voto, expressando a sua vontade. Importa sublinhar que para a nossa candidatura, que ficou em segundo lugar, o crescimento registado representa não apenas um voto de confiança, mas também uma exigência acrescida. Cada voto recebido é um compromisso assumido. Assim, tudo faremos para não defraudar as expectativas de todos aqueles que acreditam num projeto alternativo, construtivo e rigoroso para o nosso concelho. Esta responsabilidade será honrada com trabalho, transparência e dedicação.

Ponte de Lima, como todos bem sabemos, enfrenta vários problemas cuja resolução tem sido constantemente adiada. Entre eles destacam-se o Plano Diretor Municipal (PDM), a insuficiência de saneamento básico, as limitações nos transportes, a gestão das florestas e a preservação do nosso rio.

Como podemos ficar satisfeitos com um 124.º lugar no Ranking de Competitividade Municipal lançado pelo Instituto Mais Liberdade, um índice que compara a atratividade e qualidade de serviços e infraestruturas dos 186 municípios que têm mais de 10 mil habitantes em Portugal?

Como podemos ficar satisfeitos quando, por exemplo, o Diagnóstico Social do Concelho de Ponte de Lima aprovado em 2024, promovido pela Câmara Municipal de Ponte de Lima em colaboração com a Rede Social de Ponte de Lima nos diz que as nossas famílias têm baixa capacidade financeira e que têm dificuldades de conciliação da vida pessoal, familiar e profissional?; ou ainda com o isolamento dos nossos idosos e com a dificuldade de acesso a respostas sociais adequadas às suas necessidades?; ou com as insuficientes respostas para as necessidades relacionadas com a saúde, nomeadamente consultas de especialidade, a falta de respostas de saúde mental e dependências?; ou ainda a insuficiente resposta ao nível dos transportes públicos, com horários e trajetos completamente desfasados das nossas reais necessidades; como podemos ficar satisfeitos quando verificamos neste mesmo documento que em Ponte de Lima há 318,4 habitantes por médico (muito acima da média nacional, 172,9) e que em média, os residentes de Ponte de Lima ganhavam cerca de 994,66€/mês quando a média nacional se cifrava nos 1289,50€/mês; e, finalmente, como podemos ficar satisfeitos quando vemos que a cada ano perdemos população e que as nossas freguesias ficam cada vez mais despovoadas?

A resposta a tudo isto e muito mais que poderia ser dito não se pode ficar por rotundas, estradas, jardins e pedra nos centros cívicos; é necessário tornar Ponte de Lima um concelho atrativo e competitivo, um concelho amigo das suas gentes.

Estou certo de que se tivesse prevalecido um verdadeiro espírito democrático e se as oposições tivessem sido devidamente ouvidas, alguns destes problemas poderiam ter sido minimizados. Porém, a inexistência de um diálogo aberto e construtivo com a oposição privou o Executivo Municipal e mesmo esta Assembleia de contributos relevantes o que, em nosso entendimento comprometeu a qualidade das decisões tomadas e das respostas dadas aos desafios locais.

O Senhor Presidente da Assembleia, na sua intervenção aquando da sua primeira tomada de posse realizada há pouco mais de quatro anos, trouxe à luz uma questão essencial para o correto funcionamento das Assembleias Municipais: a necessidade de conferir maior dignidade a este órgão. Sublinhou, de forma clara, as dificuldades enfrentadas pelos seus membros no sistema atualmente em vigor, nomeadamente o pouco tempo disponível para analisar e fiscalizar documentos muitas vezes de grande volume, de grande capacidade técnica, preparados durante meses por técnicos.

De acordo com as suas palavras, não é razoável exigir aos eleitos que, em apenas cinco dias úteis, realizem uma análise crítica e informada de tais documentos. Esta limitação de tempo, associada à insuficiência de apoio técnico, conduz inevitavelmente ao silêncio de muitos membros, não por falta de interesse ou sentido de responsabilidade, mas devido à impossibilidade de um exame aprofundado e à ausência dos recursos necessários para o efeito.

Ao longo dos últimos quatro anos, esta realidade manteve-se inalterada. O que se ouviu, ou melhor, o que não se ouviu, foi precisamente a ausência de participação ativa de muitos membros da Assembleia, reflexo direto das dificuldades anteriormente identificadas e jamais superadas.

Perante este cenário, impõe-se uma questão pertinente: que medidas foram, de facto, implementadas ao longo destes quatro anos para corrigir e superar os obstáculos à fiscalização dos documentos e para dignificar o papel da Assembleia Municipal? Esta interrogação permanece atual e relevante, exigindo reflexão e resposta por parte dos órgãos competentes.

É fundamental que, no novo mandato, a democracia e o respeito pelo estatuto da oposição se afirmem como realidades em Ponte de Lima. Da parte do grupo parlamentar do PPD/PSD, fica o compromisso de exercer uma oposição construtiva: apoiar-se-á tudo aquilo que seja benéfico para o concelho e para a sua população, e opor-se-á a tudo o que não se coadune com o melhor interesse dos limianos.

O lema de campanha adotado pela nossa candidatura — “SOMOS PONTE DE LIMA”… sim, todos SOMOS PONTE DE LIMA — reflete o espírito de união e pertença que se pretende incutir na comunidade. Este slogan expressa o entendimento de que todos, independentemente das suas diferenças, têm um papel essencial na construção do futuro do concelho.

Os limianos não pedem, exigem que cada um de nós assuma a responsabilidade de ser parte ativa deste projeto coletivo. É uma chamada à participação, ao envolvimento e ao compromisso de todos para transformar Ponte de Lima, a Nossa Terra, num lugar cada vez melhor para viver, trabalhar e criar novas oportunidades para as gerações futuras.

Desejo um bom trabalho a todos…







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