sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Chegará o dia em que a inteligência será desprezada e a estupidez será adorada…

A frase que intitula este meu pequeno desabafo tem sido amplamente partilhada nas redes sociais e, embora frequentemente atribuída a José Saramago, não existe confirmação absoluta de que o escritor português, vencedor do Prémio Nobel da Literatura em 1998, tenha realmente proferido tais palavras. 

A relevância da discussão sobre a autoria da frase não reside apenas na curiosidade de saber quem a disse primeiro (se é que alguma vez a disse), mas sim no comportamento que a sua partilha revela. 

Afirmo isto porque, aparentemente (desculpem-me se estou enganado), muitos daqueles que a partilham, acabam, paradoxalmente, por agir de modo contrário ao que ela sugere: desprezam a inteligência e valorizam a estupidez na medida em que partilham a frase apenas pelo seu apelo estético ou pela aparência de conhecimento que transmite, atribuem-lhe automaticamente uma autoridade, sem, em momento algum, se questionarem sobre a sua origem ou significado.

Desta forma, assim, com a cabeça (vazia) entre as orelhas, persiste-se numa forma de estar em que a reflexão crítica é deixada de lado e o verdadeiro sentido das palavras é perdido. 

Será que não conseguimos entender que o simples ato de partilhar algo bonito, sem consciência ou análise apenas contribui para o fenómeno que a própria frase denuncia: a valorização superficial e acrítica do discurso, o desprezo pela inteligência e adoração à estupidez… 


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