Um ano e meio depois da Revolução de Abril, que derrubou a
ditadura mais antiga da Europa, a revolução estava na rua.
De um lado estava a esquerda militar, influenciada pela
extrema-esquerda e pelos comunistas, dividida entre "gonçalvistas",
apoiantes do ex-primeiro-ministro Vasco Gonçalves e do PCP, e os
"otelistas", apoiantes do principal estratega do 25 de Abril e chefe
do Comando Operacional do Continente (COPCON ), todos eles adeptos da
"via revolucionária".
Do outro estavam os "moderados", militares e
forças à direita do PCP, incluindo o Partido Socialista de Mário Soares e o
PPD/PSD de Sá Carneiro e que tinham o apoio de Costa Gomes, Presidente da
República.
Com o país a ser governado pelo Conselho da Revolução, instituído pela Lei n.º 5/75 e que era constituído pelo Presidente da República, os Chefes e Vice-Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, os Chefes dos Estados-Maiores dos três ramos das Forças Armadas, o Comandante-Adjunto do COPCON, a Comissão Coordenadora do Programa do Movimento das Forças Armadas (MFA), oito elementos do MFA (quatro do Exército, dois da Marinha e dois da Força Aérea), e todos os membros da extinta Junta de Salvação Nacional, vivia-se sob a memoria do golpe de 28 de Setembro de 1974 e do contragolpe de 11 de Março de 1975; a totalidade da banca e das empresas de seguros, as empresas de transportes e de energia, as celuloses e as empresas de siderurgia, e muitas outras, ao todo, 244 empresas, tinham sido nacionalizados; para além destas empresas nacionalizadas, 261 outras, coninuaram com gestão privada, mas o Estado nomeou novas administrações; a reforma agrária no Alentejo e Ribatejo estava no auge (3311 herdades foram ocupadas o que correspondia a cerca de 19% da superfície cultivada de Portugal); a taxa de desemprego atingia valores nunca vistos; houve fixação de preços e aumento de salários sem que isso estivesse relacionado com o aumento de produtividade; assistiu-se ao aumento dramático da população fruto do regresso dos Portugueses que retornavam das colónias; os emigrantes reduziram as suas remessas de moeda para Portugal; o turismo diminui drasticamente; no Norte e no Centro do país, bombas destruíram sedes do PCP e nas ruas gritavam-se vivas ao poder popular, à revolução e "abaixo os comunistas".
Ameaças de golpes, de esquerda e de direita fazem manchetes
nos jornais... um cerco à Assembleia da República por trabalhadores da
construção civil em greve; um sequestro do Primeiro-Ministro, Pinheiro de
Azevedo que desabafa dizendo que não gostou de ser sequestrado:
"Chateia-me"!; um Governo em greve…
Otelo foi substituído no comando do COPCON; Sargentos
Paraquedistas (na altura pertencentes à Força Aérea) haviam sido transferidos para o
Exército ao mesmo tempo que os Oficiais desta mesma força tinham abandonado os seus subordinados e reuniram-se na Base Aérea de Cortegaça; os Paraquedistas que restaram, de repente, ocuparam as bases de Tancos, Monte Real, Montijo
e o Comando da Região Aérea, no Monsanto, em Lisboa...
Melo Antunes, Vasco Lourenço, Jaime Neves, Comandante do
Regimento de Comandos da Amadora e Ramalho Eanes, o militar que viria a ser
Presidente da República (1976-1986) sairam para a rua na defesa da DEMOCRACIA...
Lisboa em estado de sítio... na manhã do dia seguinte, os Comandos cercaram as
instalações da Polícia Militar, na Ajuda em Lisboa... Jaime Neves arrombou a Porta de Armas com uma
Chaimite... ouviram-se disparos... resultado: três mortes: dois Comandos
(Tenente Comando José Eduardo Oliveira Coimbra e 2º Furriel Miliciano Comando
Joaquim dos Santos Pires) e um militar da Polícia Militar (Aspirante Miliciano
José Albertino Ascenso Bagagem).
O que ficou deste dia?
Que foi travada uma tentativa de golpe... e que a principal
consequência foi o fim do chamado Período Revolucionário em Curso (PREC) e a
estabilização da democracia representativa em Portugal.
50 anos depois, o resumo do melhor que há a dizer desta
importante data foi feito por Pedro Alves deputado do PPD/PSD na sessão
comemorativa do 25 de novembro de 1975:
"Os portugueses dispensam discussões sobre a metafísica
das datas"; [no 25 de novembro de 1975] "os democratas venceram e, em
nome da reconciliação nacional, os vencidos foram perdoados"... "os
democratas venceram e a suprema ironia é que os revolucionários de ontem são
hoje burgueses reacionários. Os democratas venceram e perdoaram e amnistiaram,
mas não esquecem"...
Viva o 25 de novembro...
Viva o 25 de abril...
Viva Portugal!!!
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