terça-feira, 25 de novembro de 2025

25 de novembro de 1975 - Portugal viveu, há 50 anos, um confronto que opôs militares da extrema-esquerda e "moderados" e que ditou o fim da revolução portuguesa e a normalização democrática do país

Um ano e meio depois da Revolução de Abril, que derrubou a ditadura mais antiga da Europa, a revolução estava na rua. 

De um lado estava a esquerda militar, influenciada pela extrema-esquerda e pelos comunistas, dividida entre "gonçalvistas", apoiantes do ex-primeiro-ministro Vasco Gonçalves e do PCP, e os "otelistas", apoiantes do principal estratega do 25 de Abril e chefe do Comando Operacional do Continente (COPCON ), todos eles adeptos da "via revolucionária". 

Do outro estavam os "moderados", militares e forças à direita do PCP, incluindo o Partido Socialista de Mário Soares e o PPD/PSD de Sá Carneiro e que tinham o apoio de Costa Gomes, Presidente da República.

Com o país a ser governado pelo Conselho da Revolução, instituído pela Lei n.º 5/75 e que era constituído pelo Presidente da República, os Chefes e Vice-Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, os Chefes dos Estados-Maiores dos três ramos das Forças Armadas, o Comandante-Adjunto do COPCON, a Comissão Coordenadora do Programa do Movimento das Forças Armadas (MFA), oito elementos do MFA (quatro do Exército, dois da Marinha e dois da Força Aérea), e todos os membros da extinta Junta de Salvação Nacional, vivia-se sob a memoria do golpe de 28 de Setembro de 1974 e do contragolpe de 11 de Março de 1975; a totalidade da banca e das empresas de seguros, as empresas de transportes e de energia, as celuloses e as empresas de siderurgia, e muitas outras, ao todo, 244 empresas, tinham sido nacionalizados; para além destas empresas nacionalizadas, 261 outras, coninuaram com gestão privada, mas o Estado nomeou novas administrações; a reforma agrária no Alentejo e Ribatejo estava no auge (3311 herdades foram ocupadas o que correspondia a cerca de 19% da superfície cultivada de Portugal); a taxa de desemprego atingia valores nunca vistos; houve fixação de preços e aumento de salários sem que isso estivesse relacionado com o aumento de produtividade; assistiu-se ao aumento dramático da população fruto do regresso dos Portugueses que retornavam das colónias; os emigrantes reduziram as suas remessas de moeda para Portugal; o turismo diminui drasticamente; no Norte e no Centro do país, bombas destruíram sedes do PCP e nas ruas gritavam-se vivas ao poder popular, à revolução e "abaixo os comunistas".

Ameaças de golpes, de esquerda e de direita fazem manchetes nos jornais... um cerco à Assembleia da República por trabalhadores da construção civil em greve; um sequestro do Primeiro-Ministro, Pinheiro de Azevedo que desabafa dizendo que não gostou de ser sequestrado: "Chateia-me"!; um Governo em greve…

Otelo foi substituído no comando do COPCON; Sargentos Paraquedistas (na altura pertencentes à Força Aérea) haviam sido transferidos para o Exército ao mesmo tempo que os Oficiais desta mesma força tinham abandonado os seus subordinados e reuniram-se na Base Aérea de Cortegaça; os Paraquedistas que restaram, de repente, ocuparam as bases de Tancos, Monte Real, Montijo e o Comando da Região Aérea, no Monsanto, em Lisboa... 

Melo Antunes, Vasco Lourenço, Jaime Neves, Comandante do Regimento de Comandos da Amadora e Ramalho Eanes, o militar que viria a ser Presidente da República (1976-1986) sairam para a rua na defesa da DEMOCRACIA... Lisboa em estado de sítio... na manhã do dia seguinte, os Comandos cercaram as instalações da Polícia Militar, na Ajuda em Lisboa... Jaime Neves arrombou a Porta de Armas com uma Chaimite... ouviram-se disparos... resultado: três mortes: dois Comandos (Tenente Comando José Eduardo Oliveira Coimbra e 2º Furriel Miliciano Comando Joaquim dos Santos Pires) e um militar da Polícia Militar (Aspirante Miliciano José Albertino Ascenso Bagagem).

O que ficou deste dia?

Que foi travada uma tentativa de golpe... e que a principal consequência foi o fim do chamado Período Revolucionário em Curso (PREC) e a estabilização da democracia representativa em Portugal.

50 anos depois, o resumo do melhor que há a dizer desta importante data foi feito por Pedro Alves deputado do PPD/PSD na sessão comemorativa do 25 de novembro de 1975: 

"Os portugueses dispensam discussões sobre a metafísica das datas"; [no 25 de novembro de 1975] "os democratas venceram e, em nome da reconciliação nacional, os vencidos foram perdoados"... "os democratas venceram e a suprema ironia é que os revolucionários de ontem são hoje burgueses reacionários. Os democratas venceram e perdoaram e amnistiaram, mas não esquecem"...

Viva o 25 de novembro...

Viva o 25 de abril...

Viva Portugal!!!


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