Vemos, ouvimos e lemos "cientistas da coisa" que se manifestam de forma (a)crítica em relação ao conceito de algoritmo e à forma como ele hoje é utilizado… como ajuda, ou como nos controla e nos vai modelando a vida.
E, "algoritmo para cá, algoritmo para lá", uns a
apoiar, outros a criticar, andamos todos, qual marchante ao toque de uma caixa de rufo ao "toque do algoritmo"... e, apesar de sentirmos que estamos, de
alguma forma, por vontade ou por necessidade, sujeitos à sua influência e ao seu controlo, a verdade é que hoje não os dispensamos!...
Mas, afinal, o que é o algoritmo? A palavra algoritmo é um
nome masculino... penso que não há dúvidas em relação a esta primeira constatação!... De acordo com o dicionário da Porto Editora, algoritmo trata-se de um "conjunto de operações predefinidas a seguir de forma sistemática para a
resolução de um determinado tipo de problema". Em matemática, é definido
como o "conjunto ordenado e finito de processos necessários para efetuar
um cálculo". Já na informática, o algoritmo é entendido como o
"conjunto de operações, sequenciais, lógicas e não ambíguas, que, aplicadas
a um conjunto de dados, permitem encontrar a solução para um problema num
número finito de passos".
E na vida real?
Bem, na vida real, de uma forma geral, e sem que muitas vezes nos apercebamos, a verdade é que a algoritmia vai controlando progressivamente a nossa vida. Na publicidade e no marketing, por exemplo, algoritmos recolhem dados sobre os nossos gostos, a nossa localização, o histórico da nossa navegação... e depois?... depois, atua direcionando-nos para uma publicidade personalizada e eficaz.
O mesmo ocorre nas recomendações e
consumo de conteúdos, nomeadamente nas redes sociais, nos serviços de streaming
como Netflix e Spotify, e nos motores de busca. Sem nos darmos conta, começamos
a pensar no quão inteligentes esses serviços são já que, apenas nos mostram
aquilo que queremos ver - ou nem por isso porque algumas plataformas tornaram-se autênticas máquinas de publicidade, inundando-nos com anúncios de
produtos ou serviços que não queremos, não procuramos e não precisamos.
Além disso, os algoritmos estão presentes nos sistemas de
GPS, na apresentação dos preços dos produtos que procuramos, e até na sugestão
de produtos que não procurávamos, mas que nos são apresentados como bons, úteis e necessários... No fundo, estes
sistemas filtram o conteúdo dos nossos consumos diários, priorizando,
classificando e associando informações com o objetivo de moldar a nossa
experiência e, em última análise, a perceção que temos do mundo em que
vivemos.
Sem que nos tenhamos apercebido, ou acreditando que seria
benéfico, deixámos que a Inteligência Artificial fosse entrando
progressivamente no nosso modus vivendi.
Sim, hoje, fazemos desporto ou, pelo menos, movimentamo-nos até
que o Smartwatch nos indique que atingimos o objetivo. Dormimos de acordo com a
indicação do mesmo aparelho. Andamos sempre com aplicações como o Waze (ou outras do mesmo género) ligadas…
vemos os filmes sugeridos pela Netflix… ouvimos as músicas apresentadas pelo
Spotify… consumimos aquilo que o motor de busca nos oferece.
E, quando nos queremos informar, recebemos a informação da mesma forma… neste mundo cada vez mais dependente da máquina, dominada pelo algoritmo, onjunto ordenado e finito de processos necessários para efetuar um cálculo que permite alcançar um detrminado objetivo, recolhemos dados sem nos certificarmos da sua veracidade. Pensamos que só porque está na internet, é verdade... mas, muitas vezes, não é!... E, ao seguir a indicação da máquina, entramos na “bolha” e, muitas vezes, na mentira, que corre, como bem sabemos, sempre mais depressa do que a verdade!...
Alan Mathison Turing, o "pai da computação"
moderna, formalizou em 1936 o conceito de algoritmo através da "Máquina de
Turing". Na altura apresentou ao mundo "uma cabeça apta a ler e escrever" (0's
e 1's numa fita infinita de papel) e com ela lançou as bases para o
desenvolvimento da informática e da tecnologia digital.
Falta saber se Turing, ao observar o mundo de hoje e a nossa
completa dependência das máquinas, ficaria satisfeito com o rumo que a sua
teoria tomou. O conceito de algoritmo, originalmente pensado para resolver
problemas de forma sistemática e rigorosa, tornou-se uma força dominante no
quotidiano atual. Os algoritmos controlam muitos aspetos da nossa vida, desde o
consumo de informação até à personalização de publicidade, influenciando
diretamente as nossas escolhas e percepções.
PS.: como não podia deixar de ser, a imagem que encima este desabafo, foi gerada com recurso ao Microsoft Copilot, um assistente de inteligência artificial (IA) generativa desenvolvido pela Microsoft para aumentar a produtividade e a criatividade dos utilizadores... ou seja, para nos facilitar a vida... e nos retirar necessidade de nos empenharmos a procurar ou a criar uma imagem... a máquina faz por nós!...

Sem comentários:
Enviar um comentário