quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Ao toque do algoritmo...


Vemos, ouvimos e lemos "cientistas da coisa" que se manifestam de forma (a)crítica em relação ao conceito de algoritmo e à forma como ele hoje é utilizado… como ajuda, ou como nos controla e nos vai modelando a vida.

E, "algoritmo para cá, algoritmo para lá", uns a apoiar, outros a criticar, andamos todos, qual marchante ao toque de uma caixa de rufo ao "toque do algoritmo"... e, apesar de sentirmos que estamos, de alguma forma, por vontade ou por necessidade, sujeitos à sua influência e ao seu controlo, a verdade é que hoje não os dispensamos!...

Mas, afinal, o que é o algoritmo? A palavra algoritmo é um nome masculino... penso que não há dúvidas em relação a esta primeira constatação!... De acordo com o dicionário da Porto Editora, algoritmo trata-se de um "conjunto de operações predefinidas a seguir de forma sistemática para a resolução de um determinado tipo de problema". Em matemática, é definido como o "conjunto ordenado e finito de processos necessários para efetuar um cálculo". Já na informática, o algoritmo é entendido como o "conjunto de operações, sequenciais, lógicas e não ambíguas, que, aplicadas a um conjunto de dados, permitem encontrar a solução para um problema num número finito de passos". 

E na vida real?

Bem, na vida real, de uma forma geral, e sem que muitas vezes nos apercebamos, a verdade é que a algoritmia vai controlando progressivamente a nossa vida. Na publicidade e no marketing, por exemplo, algoritmos recolhem dados sobre os nossos gostos, a nossa localização, o histórico da nossa navegação... e depois?... depois, atua direcionando-nos para uma publicidade personalizada e eficaz. 

O mesmo ocorre nas recomendações e consumo de conteúdos, nomeadamente nas redes sociais, nos serviços de streaming como Netflix e Spotify, e nos motores de busca. Sem nos darmos conta, começamos a pensar no quão inteligentes esses serviços são já que, apenas nos mostram aquilo que queremos ver - ou nem por isso porque algumas plataformas tornaram-se autênticas máquinas de publicidade, inundando-nos com anúncios de produtos ou serviços que não queremos, não procuramos e não precisamos. 

Além disso, os algoritmos estão presentes nos sistemas de GPS, na apresentação dos preços dos produtos que procuramos, e até na sugestão de produtos que não procurávamos, mas que nos são apresentados como bons, úteis e necessários... No fundo, estes sistemas filtram o conteúdo dos nossos consumos diários, priorizando, classificando e associando informações com o objetivo de moldar a nossa experiência e, em última análise, a perceção que temos do mundo em que vivemos. 

Sem que nos tenhamos apercebido, ou acreditando que seria benéfico, deixámos que a Inteligência Artificial fosse entrando progressivamente no nosso modus vivendi

Sim, hoje, fazemos desporto ou, pelo menos, movimentamo-nos até que o Smartwatch nos indique que atingimos o objetivo. Dormimos de acordo com a indicação do mesmo aparelho. Andamos sempre com aplicações como o Waze (ou outras do mesmo género) ligadas… vemos os filmes sugeridos pela Netflix… ouvimos as músicas apresentadas pelo Spotify… consumimos aquilo que o motor de busca nos oferece. 

E, quando nos queremos informar, recebemos a informação da mesma forma… neste mundo cada vez mais dependente da máquina, dominada pelo algoritmo, onjunto ordenado e finito de processos necessários para efetuar um cálculo que permite alcançar um detrminado objetivo, recolhemos dados sem nos certificarmos da sua veracidade. Pensamos que só porque está na internet, é verdade... mas, muitas vezes, não é!... E, ao seguir a indicação da máquina, entramos na “bolha” e, muitas vezes, na mentira, que corre, como bem sabemos, sempre mais depressa do que a verdade!... 

Alan Mathison Turing, o "pai da computação" moderna, formalizou em 1936 o conceito de algoritmo através da "Máquina de Turing". Na altura apresentou ao mundo "uma cabeça apta a ler e escrever" (0's e 1's numa fita infinita de papel) e com ela lançou as bases para o desenvolvimento da informática e da tecnologia digital. 

Falta saber se Turing, ao observar o mundo de hoje e a nossa completa dependência das máquinas, ficaria satisfeito com o rumo que a sua teoria tomou. O conceito de algoritmo, originalmente pensado para resolver problemas de forma sistemática e rigorosa, tornou-se uma força dominante no quotidiano atual. Os algoritmos controlam muitos aspetos da nossa vida, desde o consumo de informação até à personalização de publicidade, influenciando diretamente as nossas escolhas e percepções. 


PS.: como não podia deixar de ser, a imagem que encima este desabafo, foi gerada com recurso ao Microsoft Copilot, um assistente de inteligência artificial (IA) generativa desenvolvido pela Microsoft para aumentar a produtividade e a criatividade dos utilizadores... ou seja, para nos facilitar a vida... e nos retirar necessidade de nos empenharmos a procurar ou a criar uma imagem... a máquina faz por nós!... 

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