segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Candidato Casimiro Baltazar da Conceição

O cenário político atual é marcado por um número inédito de candidatos, todos ávidos por conquistar a atenção e o voto dos eleitores. 

Esta multiplicidade de figuras, umas políticas, outras nem por isso mas arrogadas desse estatuto,  resulta numa verdadeira competição de promessas, onde cada candidato procura destacar-se, muitas vezes recorrendo a discursos apelativos e garantias que dificilmente se concretizam.

Surgem frequentemente estratégias baseadas em promessas vãs que vão desde bens materiais até obras públicas grandiosas que raramente saem do papel, ou simplesmente uniões que sabemos não ser aquilo que realmente se pretende. 

Este jogo político, foi claramente ironizado no poema musicado de Sérgio Godinho, “Cuidado Com As Imitações”. Nele faz alusão direta a esses “homens que mandam” [ou que querem mandar], mestres em prometer tudo e mais alguma coisa.

Com leves doses de sarcasmo para retratar a realidade política, Sérgio Godinho não faz apenas uma crítica bem-humorada; este poema é, acima de tudo, um alerta sério sobre a importância da autenticidade e sobre os perigos da manipulação. 

Através da personagem Casimiro Baltazar da Conceição, alguém capaz de ver além das aparências e das promessas ocas que nos são apresentadas, somos convidados a refletir sobre quem realmente merece a nossa confiança. 

Mais do que nunca, é essencial observar os detalhes e analisar as intenções que se escondem por trás dos discursos. A tentação de acreditar em figuras carismáticas, que parecem honestas ou eloquentes, é grande. Contudo, essas qualidades por si só não garantem a veracidade nem a integridade dos candidatos. Não basta uma pessoa falar bem, apontar defeitos nos outros ou afirmar ter passado por todas as experiências possíveis. Nem tampouco basta adotar uma postura de salvador, como se fosse um D. Sebastião, regressado num dia de nevoeiro, de uma qualquer batalha, ganha ou perdida, e que se apresenta, com soluções milagrosas, como o único capaz de resolver todos os problemas que possam existir (criando-os mesmo quando eles não existem!).

E depois? Depois vem-me à memória o conselho de Casimiro, aquele homem com “um olho no meio da testa”, “para além dos outros dois”, e com “as orelhas equipadas com radar”: “Cuidado Casimiro, cuidado com as imitações.” 

Este alerta é completamente atual e necessário. Nestes tempos de tantas campanhas e tantos candidatos, devemos manter um olhar crítico, não nos podemos deixar enganar por aparências ou falsas promessas; temos que exigir autenticidade daqueles que se propõem a liderar. Só assim poderemos evitar cair nas armadilhas da manipulação e escolher, com consciência, quem realmente merece a nossa confiança.

Enfim... 


Aqui vai...



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