O dia 5 de dezembro é dedicado a São Geraldo, venerado como padroeiro da cidade de Braga.
Braga, “capital” do Minho, cidade localizada no norte de Portugal, destaca-se não apenas pela sua antiguidade, mas também pelo papel central que desempenha na história do cristianismo. Considerada uma das cidades cristãs mais antigas do mundo, reúne uma tradição espiritual profunda que atravessa séculos.
Foi fundada durante o período do império romano sob o nome de Bracara Augusta e preserva uma história viva que ultrapassa dois milénios. Ao longo dos tempos, tornou-se um centro religioso e cultural de referência, mantendo-se como um símbolo do desenvolvimento espiritual e social de Portugal.
Mas, voltemos a São Geraldo… ora, Geraldo nasceu na Fasconga, atual França e iniciou sua vida religiosa na Abadia de Moissac. Destacou-se por ser um homem de grande saber e fé, além de mestre nas áreas de gramática e música. A sua inteligência e virtude foram reconhecidas, o que contribuiu para que tenha sido incumbido da honra/função de Arcebispo de Braga em 1096, tendo governado a Diocese durante doze anos, até 1108.
No seu governo, de escassos 12 anos, destacou-se como um reformador zeloso tendo promovido mudanças significativas na vida moral, eclesiástica e administrativa da Arquidiocese de Braga.
Determinado a restituir à Igreja de Braga a dignidade de Metrópole da Província da Galiza, São Geraldo empreendeu duas viagens a Roma. Como reconhecimento dos seus esforços, recebeu do Papa Pascoal II, em 1103, o Pálio de Arcebispo Metropolita, distinção que consolidou Braga como capital da província eclesiástica, tornando-a metrópole com jurisdição sobre as dioceses do Porto, Viseu, Lamego, Coimbra, Lugo, Mondonhedo, Pontevedra, Ourense e Astorga.
Além das reformas e da luta pelo estatuto metropolitano, São Geraldo dedicou-se à reconstrução da cidade de Braga, empenhando-se em restaurar a urbe das ruínas acumuladas ao longo de séculos de devastação. Destacou-se especialmente pelo impulso dado à construção da Catedral, que, embora já estivesse inaugurada, se encontrava ainda incompleta. O seu envolvimento foi decisivo para o avanço das obras, contribuindo para a consolidação do património religioso e arquitetónico da cidade.
São Geraldo contou com o apoio do conde D. Henrique e da condessa D. Teresa o que lhe permitiu que desempenhasse um papel notável no florescimento espiritual e político que antecedeu a fundação de Portugal. Segundo a tradição, São Geraldo terá sido o responsável pelo batismo de Afonso Henriques, aquele que viria a ser o primeiro Rei de Portugal, ligando assim, a sua memória diretamente aos primórdios da nação.
A memória de São Geraldo está inseparavelmente ligada ao famoso “Milagre da Fruta”:
“Encontrava-se São Geraldo muito doente, às portas da morte, em Bornes, na terra fria, nos princípios de dezembro cercado no tugúrio onde se refugiara com os seus familiares, fugindo à neve que abundantemente por aquelas terras caía. Nos ardores da febre que o consumia, pede a um dos seus familiares que lhe traga algumas peças de fruta, para apagar a sede e dar um pouco de alento ao seu debilitado corpo.
Contudo, o seu familiar respondeu-lhe que naquele lugar e com aquele tempo invernoso as árvores estavam despidas de folhagens e frutos. Poder-se-ia encontrar pelo chão algumas castanhas e nada mais.
A esta observação respondeu São Geraldo:
- Vai e procura!
Então, por uma frincha da porta por onde estava o regelante frio, o servo viu que as árvores, lá fora, ao redor do terreiro, estavam recheadas de frutas.”
Faleceu em Bornes, Vila Pouca de Aguiar, a 05 de dezembro de 1108, tendo o seu corpo sido trazido para Braga, para ser sepultado na capela que edificara em honra de São Nicolau, junto da Sé, num sepulcro que havia sido transportado do Mosteiro de Tibães.
A capela foi objeto de obras no século XVIII por ordem de D. Rodrigo de Moura Teles, que lhe acrescentou o retábulo em talha dourada e os painéis de azulejos, autoria de António Oliveira Bernardes, que relatam a vida de São Geraldo.
No ano de 1182, São Geraldo aparece mencionado como padroeiro da Arquidiocese. No entanto, desde 1985 é “apenas” padroeiro da cidade de Braga, sendo São Martinho de Dume o padroeiro da Arquidiocese.
No dia de São Geraldo, a capela em sua honra abre-se, para mostrar os altares ornados de frutos, em vez das tradicionais flores.
É na capela de São Geraldo, na Sé de Braga, que, desde 1975, se encontra ereta canonicamente a Militia Sanctæ Mariæ em Portugal.
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