Hoje inicia a Primavera… e, com ela, todo um sentimento de renovação que ultrapassa aquilo que muitos chamam de cinzento do Inverno…
Gosto de música… de tudo um pouco… e hoje, neste início da Primavera, ouço Tous les arbres sont en fleurs de Nana Mouskouri… hoje, com o início da Primavera, somos convidados a apreciar, mas, acima de tudo a viver a vida que, tal como a natureza, uma vez mais se renova e se embeleza…sábado, 21 de março de 2026
Gosto de música… Tous les arbres sont en fleurs
sexta-feira, 20 de março de 2026
Gosto de múscia... Florbela
sábado, 14 de março de 2026
100 anos...
algures no verão de 2024, quando o meu avô tinha 98 anos)
O meu avô António, o Tone Tadeu, como era conhecido, apesar do seu BI não o dizer, faria hoje 100 anos... viveu 99 anos, 5 meses e 26 dias... viveu mais de setenta anos com a minha avó Custódia... deixou duas filhas, 6 netos(as) (e os seus respetivos[as]) e 8 bisnetos(as)... não somos muitos... mas todos, todos, todos sentimos a sua falta!...
Sentimos a falta daqueles olhos azuis, marotos, sempre a sorrir, mesmo quando estava menos contente... sinceramente, não me consigo lembrar de um único dia em que o velhinho, como carinhosamente todos lhe chamávamos, não contasse uma piada, uma história de antigamente, um orgulho das suas brincadeiras de jovem, uma dureza da sua vida...
Sinceramente, sinto que o meu avô tinha orgulho na sua vida... nos seus mais de 70 anos ao lado da avó (que tinha um trato, às vezes, duro) mas que era a sua Custódia... a mãe das suas duas filhas vivas (porque uma faleceu muito nova)... aquela que ele, engatatão da Queijada, ainda antes de casar, quando ela ficou "sozinha no mundo" e quando ele a “pretendia”, segundo ela, espiou, durante a noite e que ela, para confirmar isso mesmo, espalhou borralha nas escadas da casa para que lá ficassem marcados as suas pegadas...
Sou o neto mais velho... eles foram os meus padrinhos de baptismo e de casamento... cresci ao lado deles... acompanhei-os sempre que pude… recordo a última viagem da avó num meu carro, dois dias antes de ser acometida de uma pancreatite aguda que a agarrou até aos fins da sua vida (com mais de noventa anos) à cama… lembro do único internamento do meu avô (perto de 15 dias) nessa sua longa vida… recordo como dizia sempre que estava bem… e sempre, sempre a perguntar pelos de casa…
Lembro, tempos de há muito tempo… a chegada da escola e a pinguinha de vinho novo quando este se estava a incubar, mas sempre acompanhado do devido recado: "não digas nada à tua mãe"... lembro a nota que era dada... lembro a preocupação: "Rosa, onde anda o teu filho?"... que vais fazer quando acabares a Escola?... "isto não está fácil, eu tive que ir para Lisboa, mas agora nem lá há trabalho"... lembro "quando saíres da tropa, que vais fazer?"... lembro a alegria do nascimento da minha filha... da construção da minha casa num dos seus campos de milho... lembro da preocupação com a saúde da Rosinha, a sua afilhada emprestada... do desabafo do dia em que a viu pela última vez... e da recomendação: "não digas à avó que a Rosinha morreu"...
Que saudades meu avô!...
sexta-feira, 13 de março de 2026
Para Atravessar Contigo o Deserto do Mundo (*)
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei
Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso
Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo
Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento
(*) Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto, 1962
terça-feira, 10 de março de 2026
O vinho do Seguro, Sr Presidente
Realizou-se ontem, 9 de março, a tomada de posse do 21.o Presidente da República da República Portuguesa, de seu nome, António José Seguro.
Republicano desiludido que sou e monárquico pouco convencido, não prestei grande atenção à cerimónia de tomada de posse… ouvi o discurso e procurei as reações dos líderes dos principais… ouvi e li alguns comentários de alguns comentadeiros de/ao serviço… inquietou-me a falta de povo… estranhei que o povo, que lhe confiou o voto (3.505.846 de nós) não tivesse saído à rua para mostrar a sua alegria!… o que para mim denota claramente um problema que urge resolver… para além disso, Marcelo, melhor o Presidente Marcelo voltou a fazer das suas e, no caminho para a AR, para para fazer as últimas compras…
Mas, o que mais me inquietou foi o facto de Seguro, peço desculpa, o Sr Presidente Seguro, ter ostensivamente servido o seu vinho, agora dos seus filhos, que nada percebem da poda, no almoço com os outros chefes de estado… o que resultou, claramente, numa descarada promoção do vinho que produz, mas acima de tudo, numa ostensiva mistura de vida política com negócios pessoais, poucos meses depois de termos andado a discutir uma possível mistura dos negócios pessoais de Luís Montenegro com o seu cargo.
Enfim, permitiu-se que se fizesse ostensivamente propaganda ao seu vinho no seu primeiro almoço como PR - e fica tudo calado, porque ele é socialista… e, portanto, pode."
domingo, 8 de março de 2026
Algumas Reflexões Sobre a Mulher (*)
Elas são as mães:
rompem do inferno, furam a treva,
arrastando
os seus mantos na poeira das estrelas.
Animais sonâmbulos,
dormem nos rios, na raiz do pão.
Na vulva sombria
é onde fazem o lume:
ali têm casa.
Em segredo, escondem
o latir lancinante dos seus cães.
Nos olhos, o relâmpago
negro do frio.
Longamente bebem
o silencio
nas próprias mãos.
O olhar
desafia as aves:
o seu voo é mais fundo.
Sobre si se debruçam
a escutar
os passos do crepúsculo.
Despem-se ao espelho
para entrarem
nas águas da sombra.
É quando dançam que todos os caminhos
levam ao mar.
São elas que fabricam o mel,
o aroma do luar,
o branco da rosa.
Quando o galo canta
Desprendem-se
para serem orvalho.
(*) Eugénio de Andrade
sábado, 7 de março de 2026
A cantiga é uma arma… silencie-se!…
Posto isto, estranho muito, muito mesmo que muitos dos artistas de hoje, intelectuais de meia tigela se apostem a defender aquilo contra tantos lutaram no antigamente.
Falo da censura aos artistas Israelitas e da tentativa de os impedir de participar no Festival da Canção da Eurovisão.
O que vale é ainda haver alguns que não andam só com a cabeça entre as orelhas… António Manuel Ribeiro dos UHF é um desses… um bem-haja pela coragem!…
“Não devemos confundir Netanyahu com os israelitas, porque eles estão todos os dias na rua a fazer manifestações. Deixem os artistas israelitas respirar um bocado”.
domingo, 1 de março de 2026
Gosto de música… Time
... nunca outro recebeu tão grandes eleogios e teve tanta aceitação do público... um público que ultrapassa gerações (e, para o comprovar, basta pensar que os padrinhos da minha filha lhe ofereceram um gira-discos no Natal passado e, imagine-se só, o primeiro vinil que a minha filha pediu para lhe comprar foi... o vinil comemorativo dos 50 anos deste disco!)...
Ticking away, the moments that make up a dull day
Fritter and waste the hours in an offhand way
Kicking around on a piece of ground in your home town
Waiting for someone or something to show you the way
Tired of lying in the sunshine
Staying home to watch the rain
You are young and life is long
There's always time to kill today
And then one day you find
Ten years have got behind you
No one told you when to run
You missed the starting gun
So you run and you run, you catch up with the sun, but it's sinking
Racing around to come up behind you again
The sun is the same in a relative way, but you're older
Shorter of breath and one day closer to death
Every year is getting shorter
Never seem to find the time
Plans that either come to naught
Or half a page of scribbled lines
Hanging on in quiet desperation is the English way
Time is gone, the song is over
Thought I'd something more to say
sábado, 28 de fevereiro de 2026
Passos Coelho e o sebastianismo...
Aqui vão elas:
João Vieira Pereira, diretor do Expresso, na edição do Expresso de 27 de fevereiro, logo no Editorial começa por afirmar que “O sebastianismo do qual sofremos como nação puxa-nos para baixo. Como se vivêssemos num eterno suspiro. Não é que queiramos voltar à glória do que fomos num passado de que nem sequer nos lembramos, mas escolhemos viver a pensar no que poderíamos ser, caso... Como se o conforto do abraço de uma realidade alternativa, de um sonho, fosse sempre melhor do que o que temos agora. Isso coloca-nos num estado de permanente insatisfação, que nos entorpece e condiciona a capacidade de agir. Recusamo-nos a aceitar a realidade, e essa recusa imobiliza-nos.”
Não concordo com muito do que diz de seguida... mas a verdade é que Passos Coelho continua presente, marca, incomoda... dita o ritmo!...
Para além João Vieira Pereira, e da parafernália de comentadeiros que dissertaram sobre este tema e sobre as suas palavras, neste mesmo dia, o mesmo Jornal Expresso publica o seu podcast "Antes pelo contrário" no qual Pedro Delgado Alves (que gosto de ouvir, mesmo não concordando) e José Eduardo Martins (que gosto de ouvir e com quem concordo a maior parte das vezes e recordo bem a sua [o]posição a algumas das decisões de Passos) gastam 2/3 do seu tempo a ruminar a mais recente intervenção de Passos Coelho... concordando que Passos Coelho "existe por si" e só se fala "do que ele diz", e que "personagens menores da direita, como Ventura e Cotrim [não concordo com a referência a Cotrim], desaparecem do mapa" quando ele fala.
Não sou sebastionista… sou Passista!...
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
Gosto de música... Que Amor não me engana (*)
Se da antiga chama
Mal vive a amargura
Duma mancha negra
Duma pedra fria
Que amor não se entrega
Na noite vazia
E as vozes embarcam
Num silêncio aflito
Quanto mais se apartam
Mais se ouve o seu grito
Muito à flor das águas
Noite marinheira
Vem devagarinho
Para a minha beira
Em novas coutadas
Junto de uma hera
Nascem flores vermelhas
Pela Primavera
Assim tu souberas
Irmã cotovia
Dizer-me se esperas
Pelo nascer do dia
sábado, 21 de fevereiro de 2026
Desta vez é que é!... Portugal e os portugueses pedem compromissos sérios!
Mas, eis que surge um envelope… um simples envelope, cheio com 75.000,00 euros… 15 mil paus da nota antiga… que não se sabia de quem eram… que aparentavam ser resultado de uma qualquer teia na qual o PS de Costa se tinha enredado e que teria como expoente máximo o jovem, irreverente e muito promissor (socratista) José, de seu apelido Galamba (para além do amigo de sempre de Costa de seu nome Vítor Escária)…
De repente e, sem que nada o fizesse prever, fruto de uma operação policial, preparada de véspera e às escondidas do poder, cai este (des)governo Costa e com ele, o Ministério Público, entidade que, de acordo com a tão sagrada Constituição, representa o Estado, que exerce a ação penal e defende a legalidade democrática e os interesses que a lei determinar, nomeadamente a direção da investigação criminal, a promoção da legalidade, a representação do Estado, de incapazes e de incertos, a defesa de interesses coletivos e difusos, a defesa e a promoção dos direitos e interesses das crianças, jovens, idosos, adultos com capacidade diminuída, bem como de outras pessoas especialmente vulneráveis e o exercício de funções consultivas, cai na lama, da qual, passados mais de dois anos ainda não se conseguiu levantar…
Eis que chega março de 2024 e com ele grandes mudanças… uma vitória da AD (PSD + o falecido/ressuscitado CDS + o inexistente PPM); o PS passa a segunda força mais votada e o Chega, populista, defensor de tudo, de mais qualquer coisa e, mesmo de um par de botas, cresce, sem se saber como, nem por que razão, conseguindo a confiança de mais 800 mil portugueses que, entendo eu, mais que confiar neste projeto, desconfiam dos outros.
E, de repente, António Costa, grande salvador (e, estamos há quase 450, sempre, sempre, sempre à espera de um qualquer salvador, qual D. Sebastião, chegado num dia de nevoeiro) chega a Presidente da Comissão Europeia… grande prémio… grande honra par alguém que… que… nada * nada = nada a não ser enganar tudo e todos, sai como salvador deste Portugal “troikisado” e é escolhido para o lugar com o qual tanto sonhara, mas para onde a sua ida, se ocorresse antes do fim do seu mandato de primeiro ministro, de acordo com a vontade expressa do Presidente da República, implicaria a queda do seu (des)governo.
O governo de Montenegro governa… mais linha vermelha para aqui… mais não é não para acolá… com o orçamento aprovado, surge a polémica e o governo da AD de Montenegro cai… não porque estivesse a governar mal… cai porque o grande grupo daqueles que nunca nada fazem para além da política saiu para a rua a criticar Montenegro porque quando este fora da política fez pela vida… de repente ficamos a saber que os políticos não podem ter nada nem fazer mais nada a não ser políticos… e, nesta lama para onde se deixaram cair, eis que a quase AD (agora sem o PPM) vence novamente as eleições… e, surpresa das surpresas, o líder do PS, de seu nome, Pedro Nuno Santos, outro socratista, vê o PS a ter o pior resultado de sempre e, imagine-se, a ser ultrapassado por Ventura e pelos seus seguidores…
Somos apresentados pela The Economist como uma das economias de melhor desempenho neste nosso mundo, mas com uma vitalidade que assenta numa clara fragilidade económica e financeira que apertou e continua a apertar os orçamentos e a aumentar a ansiedade de todos aqueles que trabalham e que continuam a fazer contas todos os meses, para ver se a carteira do inicio mês chega para as responsabilidades do seu fim.
Sem que se tenha dado por isso, a habitação transformou-se numa preocupação diária para jovens e menos jovens que percebem que não conseguem ter capacidade financeira para construir um teto… a autonomia do início do século, e mesmo dos tempos da troika, tornou-se uma miragem e a estabilidade de todos aqueles que tinham e continuam a ter um emprego ficou como que assente em pilares de barro… a segurança social já teve melhores dias… a justiça que, apesar das constantes promessas que todos fazem, tarda em ser efetiva e justa… para não falar da saúde, ou melhor a resposta à doença, que já teve melhores dias e que vive sob enorme pressão, que faz com que profissionais e cidadãos vivam na incerteza… e da educação que precisa de confiança, de qualidade, de visão de futuro e de estabilidade…. e da (des)Proteção Civil que todos anos vê engordar os seus orçamentos, que não chegam… e das Forças Armadas, depauperadas, ostracisadas pela população e pela classe política mas, na hora H, lá estão, lá continuam e lá continuarão… sem conferências de imprensa, ou quase sem, a fazer o seu trabalho…
E, de repente, inundações e tempestades expuseram fragilidades que conhecíamos e que continuam por resolver.
E, os portugueses lá continuam, tal como canta Sérgio Godinho, “com a cabeça entre as orelhas”, a cumprir… adaptam-se… empreendem… estudam… criam emprego… trabalham mais e mais horas… em mais do que um emprego… cuidam dos seus… aplicam as suas poupanças… encontram alegria não se sabe bem onde… pagam enormes impostos… sustentam a economia….
E, esperam… esperam… esperam e esperam pelo dia em que possam ver o seu esforço reconhecido por uma classe política que se enreda em lutas e discursos que em nada contribuem para a resolução dos seus verdadeiros problemas.
Todos aqueles que se dedicam à nobre arte da política têm a obrigação de estar à altura da sociedade que os elegeram seus representantes.
É urgente que os decisores políticos estabeleçam um claro compromisso com aqueles que os elegeram… Portugal não pode continuar a assistir a este constante processo de legislar e revogar… de avançar e retroceder… de fazer e de desfazer, muitas vezes, apenas e só, por preconceito ideológico… Portugal precisa de visão, precisa de previsibilidade, precisa de sentido de responsabilidade, precisa de estabilidade… precisa de firmeza e consistência.
Não se pode continuar a apontar o dedo ao erro (ou à omissão) de ontem… é fundamental procurar soluções e visões para o amanhã, promovendo compromissos sérios, consistentes e duradouros que seja capazes de dar esperança a este nobre povo que tudo sofre, tudo suporta e que, resiliente e perseverante, eleição após eleição continua a acreditar que desta vez é que é!!!… Talvez, do nevoeiro destes tempos, possa surgir algo novo.…
Resta esperar, como tantos outros, pelo dia em que o esforço coletivo seja finalmente reconhecido e recompensado. Portugal segue à espera, entre o nevoeiro, por um verdadeiro salvador - D. Sebastião, onde andas?
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026
Só que Não!!!
"Saudades dos tempos em que havia burros, gordos caixa de óculos, pretos, pulas, chineses, geeks, etc. Os burros chumbavam, não se tornavam doutores como hoje em dia. Mas a fasquia era definida no marrão da turma, não por baixo como agora. Somos todos iguais diz-se.
Antes não éramos, mas o gordo tinha notas brutais e ninguém sabia como, o caixa de óculos tinha um sentido de humor inigualável, o preto jogava à bola como ninguém e dava-lhe à brava em inglês, o chinês tinha vindo de outra escola e tinha histórias que não lembravam a ninguém. Cada um tinha um defeito, mas tinha ou lutava por ter tantas outras qualidades. Hoje não. Somos todos iguais. Tudo é bullying, racismo, desrespeito, xenofobia, opressão, violência. Antigamente quando não se distinguia o racismo da alcunha, levava-se um chapadão na tromba e aprendia-se. E não era bullying. Era aprendizagem. Da dura, daquela que dói mas não se esquece mais. E às vezes em casa com os pais também se aprendia.
Ser igual a todos era tudo que não se queria. O sem sal passava despercebido e sentia-se sozinho. Ter uma alcunha diferente era fixe. A diferença era vista com bons olhos.
E aprendia-se uma coisa importante: rirmos de nós próprios. E não chorarmos porque alguém nos chamou isto ou aquilo. Assumia-se a gordura, o esquelético, a caixa de óculos e tudo o mais que viesse.
Mas quando não se estava bem, quando não se gostava da alcunha, fazia-se uma coisa importante: mudava-se, lutava-se. Não se culpava os outros nem a sociedade.
E falhava-se. Muitas vezes. Mas cada vez que se falhava ficava-se mais forte. E sabíamos que era assim. Que havia uns que conseguiam, outros ficavam para trás, que havia quem vencia e quem falhava.
Agora não.
Todos somos iguais, todos somos bons, todos merecemos, todos temos as mesmas oportunidades, todos somos vítimas, todos somos oprimidos, todos somos cordeiros.
Só que não."
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
hoje houve debate na AR...
Pois é!!! resolver os problemas, NADA!!!
Dá-lhe Falâncio, pá!
Pois é, camaradas, pá!
Chegou a luta, pá, para provar que a cantiga ainda é uma arma, pá, e que deve e pode reflectir os anseios do proletariado nacional, nestas alturas de grande crise, pá
A luta vai meter a boca no megafone, para explicar aqui nesta cantiga, pá, quais é que são os problemas que realmente afectam a nação, pá
Então cá vai!
É o desemprego, pá
A corrupção, pá
Endividamento, pá
A depressão, pá
O aquecimento, pá
A recessão, pá
E como se isto não bastasse, a reacção, pá
E os oprimidos, pá
Os endividados, pá
Os suprimidos, pá
Os separados, pá
Os desvalidos, pá
Desalinhados, pá
E os sem-abrigo, coitadinhos, dormem no chão, pá
E o povo, pá?
E o povo, pá?
E o povo, pá?
Quer dinheiro para comprar um carro novo
E o povo, pá?
E o povo, pá?
E o povo, pá?
Quer dinheiro para comprar um carro novo
São indigentes, pá
São insolventes, pá
São repetentes, pá
Delinquentes, pá
É só aumentos, pá
Despedimentos, pá
Aluimentos, pá
Desinvestimentos, pá
E os camponeses, pá
E os professores, pá
E os reformados, pá
E os pescadores, pá
E os subsídios, pá
E os ordenados, pá
E as dividas e os créditos mal parados, pá
E o povo, pá?
E o povo, pá?
E o povo, pá?
Quer dinheiro para comprar um carro novo
E o povo, pá?
E o povo, pá?
E o povo, pá?
Quer dinheiro para comprar um carro novo, pá
Ah, pois quer, pá!
O povo também quer Ferraris, pá
O povo também quer Maseratis e Bentleys e Lamborghinis, pá
Porque é que são só os jogadores da bola a ter, pá?
O povo também quer o novo SLK 200 da Mercedes, pá
O povo também quer um BMW Z3, pá
Aquele muito bonito com os estofos cremes em pele, pá, e com a manete das mudanças em marfim, pá
O povo também quer o novo Audi A8 com o motor Z12, pá, que gasta 35 litros aos 100, mas dá a volta a 270 na autoestrada, pá
O povo também trabalha, pá!
E o povo, pá?
E o povo, pá?
E o povo, pá?
Quer dinheiro para comprar um carro novo
E o povo, pá?
E o povo, pá?
E o povo, pá?
Quer dinheiro para comprar um carro novo, pá!
20.000,00€ e sete anos a ver a bola...
Não se ouviu um pio… a comunicação social nada noticiou… a oposição nada disse… o povo de nada soube… e, este gasto, absurdo, para um sítio onde as pessoas trabalham e não têm de estar a ver futebol, não incomodou nada nem ninguém!…
De repente, passados estes anos todos, o governo de Luís Montenegro, do PSD, continuou a subscrição acriticamente (e fez mal), e foi acusado de gastos exorbitantes, luxos incomportáveis, de insensibilidade… a oposição arrancou cabelos e a comunicação social correu a noticiar o horror que são os gastos em que o PSD nos faz incorrer.
Estranho mundo este em que se confirma um contrato por confirmar sem se verificar a necessidade e pertinência de um determinado serviço.
Mas, mais estranha foi a reação da Comunicação Social… da oposição berrante e sem escrúpulos não se admira a berraria!… estranha-se, ou talvez não, ver que a Comunicação Social que devia ser verdadeira, isenta, imparcial, clara e concisa, apenas reporta parte da história… não diz que se está perante uma renovação (que não devia ter sido feita) de um contrato que vigorou durante sete anos do governo socialista… a quem tudo desculpou e tudo permitiu…
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Definição de Hipocrisia (*)
Pedro Gomes Sanches, in Rendição ou a ascensão dos idiotas
domingo, 15 de fevereiro de 2026
Gosto de música… “Arco Íris” de Carlos Paião
Gosto muito de música… não sei tocar nenhum instrumento e canto de forma sofrível!… gosto de ouvir… e, gosto de ler as letras que dão corpo às canções.
Arco-Íris de Carlos Paião…
“Enquanto os homens falam de progresso
E há gente p'los caminhos sem sorrir
No mundo dos que sonham tudo tem um preço
E o tempo o tempo quer fugir
Refrão:
Quantos homens são precisos p'ra sonhar
Se quisermos o bom tempo vai chegar
Enquanto criticamos duramente
Esquecendo a culpa que há em todos nós
Doenças guerras fome são números somente
E a vida a vida não tem voz
(Refrão)
Como um sonho sem fim
Natureza obrigado
Por seres bonita assim
(Refrão)
Enquanto os homens falam eu não ouço
Abraço o teu sorriso meu amor
Amigos vão e vem num lugar tão nosso
Respiro e o tempo é bem melhor”
Se quisermos o bom tempo vai chegar…
Diante das dificuldades e desigualdades do tempo presente (1985) Carlos Paião, fala-nos de esperança e de busca por um mundo melhor.
O arco-íris, com as suas sete cores lado a lado, simboliza a diversidade, a harmonia e a esperança, além da promessa de renovação e de recompensa após as dificuldades, tal como na lenda que nos promete um pote de ouro no final. Contudo, existe uma constante tensão entre o discurso de progresso e a realidade de sofrimento da “gente [que anda] p'los caminhos sem sorrir”.
“se quisermos o bom tempo vai chegar”… sim, se quisermos!
No entanto assentamos arraiais na indiferença perante problemas sociais... “doenças guerras fome são números somente / E a vida a vida não tem voz”… e, seguimos, e “criticamos duramente / Esquecendo a culpa que há em todos nós”.
Sim, “se quisermos o bom tempo vai chegar”…, se quisermos!
sábado, 14 de fevereiro de 2026
fingir que está tudo bem (*)
fingir que está tudo bem: o corpo rasgado e vestido
com roupa passada a ferro, rastos de chamas dentro
do corpo, gritos desesperados sob as conversas: fingir
que está tudo bem: olhas-me e só tu sabes: na rua onde
os nossos olhares se encontram é noite: as pessoas
não imaginam: são tão ridículas as pessoas, tão
desprezíveis: as pessoas falam e não imaginam: nós
olhamo-nos: fingir que está tudo bem: o sangue a ferver
sob a pele igual aos dias antes de tudo, tempestades de
medo nos lábios a sorrir: será que vou morrer?, pergunto
dentro de mim: será que vou morrer? olhas-me e só tu sabes:
ferros em brasa, fogo, silêncio e chuva que não se pode dizer:
amor e morte: fingir que está tudo bem: ter de sorrir: um
oceano que nos queima, um incêndio que nos afoga.
José Luís Peixoto, in 'A Criança em Ruínas'
Fingir que está tudo bem, é quase como que... colocar uma máscara... esconder o que somos... sentimos... é como que vestir um sorriso feito de silêncio e guardar no peito tempestades que ninguém vê ou que queremos esconder...
Fingir que está tudo bem é caminhar entre sombras suaves, umas vezes... e tenebrosas, outras tantas… com passos leves de quem não quer acordar (d)os próprios medos... é tentar desenhar o dia com cores inventadas… é erguer palavras como muros e esconder a voz no fundo do olhar... é sorrir quando o que apetece é...
Fingir que está tudo bem é fazer da saudade um porto seguro, e esperar que, em algum lugar, alguém entenda o peso de não dizer, de não sorrir, de não fazer... é deixar o tempo passar, como quem deixa a chuva cair do lado de fora, na esperança de que, amanhã, um dia, seja lá quando for, fingir já não seja necessário.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
Noite de Chuva (*)
(*) Florbela Espanca, Reliquiae, 1934
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
Chuva… Entre o Encanto e a Saturação
Há algo de profundamente reconfortante no som da chuva a cair, no aroma fresco que invade o ar e na sensação de renovação que traz consigo… nas cores vivas das plantas e árvores lavadas pela água caída do céu…
A chuva, em especial nos dias cinzentos e frios, convida a olhar para dentro de nós mesmos. Chama-nos ao recolhimento e até, por vezes, à nostalgia. É uma amiga silenciosa que nos acompanha nas leituras em casa, nas conversas demoradas ao telefone ou simplesmente no observar do mundo através da janela embaciada… ou numa caminhada debaixo dela…
No entanto, como tudo na vida, o que é bom em excesso perde o seu encanto. Após dias seguidos (já vamos com muitos) de céu nublado e gotas (muitas, muito fortes) a tamborilar incessantemente, começa a instalar-se uma sensação de saturação. As ruas, que primeiro são lavadas, tornam-se lamacentas… os passeios escorregadios… o simples ato de sair de casa transforma-se num pequeno grande desafio. O guarda-chuva passa de acessório a extensão do braço e a roupa demora eternidades a secar.
Gosto muito de chuva, sobretudo quando vem no tempo certo… quando traz fertilidade… quando limpa a atmosfera.
Mas, como qualquer visita, chega a altura de desejar que se despeça, deixando saudades em vez de cansaço. Que venha então o próximo capítulo do clima, com promessas de céu limpo, para que, quando a chuva voltar, volte também a nossa vontade de a acolher de braços abertos.
PS.: As sucessivas tempestades que têm assolado Portugal nos últimos tempos transformaram-se numa verdadeira calamidade nacional, provocando destruições nunca vistas, inundações como há muito não se viam, deslizamentos de terra, grandes, enormes, prejuízos materiais e muitas mortes.
Comunidades inteiras enfrentam dificuldades diárias, com estradas cortadas, casas danificadas e atividades económicas comprometidas, enquanto as autoridades lutam para responder à emergência e apoiar os mais afetados num cenário que desafia não só a resiliência dos portugueses, mas também exige uma reflexão sobre a preparação para fenómenos climáticos extremos que parecem cada vez mais frequentes.
De repente as Forças Armadas passaram a ser desejadas nas ruas, nos caminhos, nos telhados, nos rios, nas telecomunicações, nos geradores, nos barcos e nos camiões, no transporte de pessoas e de bens alimentares… e, como seria de esperar, cumprem e bem a sua missão.
Sinceramente, penso ser de elementar necessidade equacionar a existência, ou melhor, a extinção da Autoridade Nacional de Proteção Civil e encarregar as FA’s da garantia da segurança de Portugal e dos Portugueses…
Esta é uma discussão que alguém terá que ter nos tempos próximos… espero que de uma vez por todas alguém seja capaz de pensar nisto… por agora, resta o reconhecimento e o agradecimento a estes homens e mulheres que juraram cumprir… e que o fazem abnegadamente mesmo quando tantos apenas se apressam a apontar o dedo!…
sábado, 31 de janeiro de 2026
O Amor e o Tempo (*)
Pela montanha alcantilada
Todos quatro em alegre companhia,
O Amor, o Tempo, a minha Amada
E eu subíamos um dia.
Da minha Amada no gentil semblante
Já se viam indícios de cansaço;
O Amor passava-nos adiante
E o Tempo acelerava o passo.
— «Amor! Amor! mais devagar!
Não corras tanto assim, que tão ligeira
Não pode com certeza caminhar
A minha doce companheira!»
Súbito, o Amor e o Tempo, combinados,
Abrem as asas trémulas ao vento...
— «Porque voais assim tão apressados?
Onde vos dirigis?» — Nesse momento,
Volta-se o Amor e diz com azedume:
— «Tende paciência, amigos meus!
Eu sempre tive este costume
De fugir com o Tempo... Adeus! Adeus!
(*) António Feijó, in 'Sol de Inverno'
terça-feira, 27 de janeiro de 2026
Urgentemente
É urgente o amor
É urgente um barco no mar
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos, muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.
Eugénio de Andrade
In “Até Amanhã"
sábado, 24 de janeiro de 2026
Gosto de música... Voar (Opus 6)
Conheço esta música há muitos anos… no entanto, não sei bem porque razão, nos últimos tempos tem sido uma sugestão muito presente nas playlists do Spotify (que, em abono de verdade, cada vez mais me vai acompanhando)…
Esta música "Voar (Opus 6)", do Tim (de seu nome completo António Manuel Lopes dos Santos), baixista e vocalista dos Xutos & Pontapés (aqui acompanhado por Rui Veloso no projeto conhecido como Companheiro de Aventura), confronta-nos com as limitações que muitas vezes nos são impostas e que nos vão tolhendo a vida… nela, o país, a mãe ou o doutor, acabam por fazer parar os nossos sonhos…
“Eu queria ser astronauta
O meu país não deixou
Depois quis ir jogar a bola
A minha mãe não deixou
Tive vontade de voltar á escola
Mas o doutor não deixou
Fechei os olhos e tentei dormir
Aquela dor não deixou”
É interessante pensar que depois de Manuel Freire nos ter dito que:
“Eles não sabem que o sonho
É uma constante da vida
Tão concreta e definida
Como outra coisa qualquer”,
Tim nos tenha vindo dizer que obstáculos externos podem frustrar os nossos sonhos e desejos.
O que nos vale é o “anjo da guarda” que nos pode fazer “voltar a sonhar” e “voar”, voar em busca de liberdade e da superação dessas barreiras que nos são impostas ou que nós próprios impomos.
“Acordar, meter os pés no chão
Levantar pegar no que tens mais à mão
Voltar a rir
Voltar a andar”…
sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
“O que não posso, porque não tenho esse direito, é calar-me, seja sob que pretexto for” - Sá Carneiro
De cinco em cinco anos, somos chamados a eleger o Presidente da República. Em 2026 elege-se o 21.º PR nestes pouco mais de 115 anos de sistema republicano vigente em Portugal.
Diz a Constituição que o Presidente da República é eleito por sufrágio universal, direto e secreto, pelos cidadãos portugueses recenseados no território nacional e no estrangeiro, num processo que decorrerá em duas voltas, caso nenhum candidato obtenha mais de metade dos votos validamente expressos na primeira volta e que esta segunda volta, quando necessária, realiza-se entre os dois candidatos mais votados na primeira.
Sucede que em 2026, e pela segunda vez na história desta república, lá vamos nós dar uma segunda volta... porque os candidatos da primeira volta não reuniram consenso suficiente, ou seja, eram todos, por assim dizer, fraquinhos!... uns mais que outros... mas, todos muito fraquinhos!...
Para além disso, esta eleição que, de acordo com a Lei, deveria ser suprapartidária, não o foi!… e, apesar da aparente maioria de centro-direita (se é que isso realmente existe?) que governa (às vezes), o candidato mais votado, beneficiando claramente da divisão do centro-direita, é oriundo da esquerda (centro-esquerda, ou coisa que o valha), de seu nome António José Seguro, antigo Secretário-geral do PS. É seguido por André Ventura, líder do Chega que se candidata a PR nessa mesma qualidade não tendo qualquer pudor em dizer que era nessa qualidade que o fazia e para defender apenas e só aquilo que o seu partido (uma espécie de seita que segue cegamente o seu líder) defende.
Assistimos a uma campanha eleitoral marcada, em demasia, por uma clara polarização partidária, onde os interesses dos partidos se sobrepuseram ao espírito de união nacional que se esperaria num processo de eleição daquele que será, ou talvez não, ‘o Presidente de todos os portugueses’... imagine-se o ridículo que foi ver todos os maiores partidos a apresentar uma candidatura (o CDS-PP não conta para esta equação como, aliás, para muitas outras, não tivesse sido o erro de o terem ressuscitado)!
E, os senhores candidatos, mesmo os putativos vencedores, em vez de se preocuparem em promover consensos, delinearam, quase todos, estratégias e discursos mais centrados na luta política e na defesa dos partidos dos quais saíram, deixando de lado a busca do bem comum...
No que aos titulares do bilhete para a segunda volta diz respeito, a saber, António José Seguro e André Ventura, há que dizer que não têm nada em comum… nem tampouco, ambos têm o desejo de ser eleitos... porque se António José Seguro o tem, André Ventura, concorrente a tudo e a mais alguma coisa, está nesta corrida eleitoral não porque quer ser Presidente da República, mas porque quer ser Primeiro-ministro.
E, com esta forma de ser, ao querer ser tudo e um par de botas, André Ventura, lá vai deixando as suas marcas na política portuguesa… negativas, tenho a certeza… pela sua postura direta ‘mas completamente enviesada’, pela sua capacidade de mobilizar apoiantes através de ‘discursos populistas’ que desafiam (ou impedem) o consenso e fomentam a divisão, pelo seu tom excessivamente combativo e pela constante defesa de propostas que frequentemente geram controvérsia, incentivando debates acesos sobre temas como imigração, justiça e a segurança… hábil na utilização dos meios de comunicação e das redes sociais para amplificar as suas mensagens… mas também pela mentira… pela falta de rigor… pela berraria…
Por tudo o que disse anteriormente, a frase de Sá Carneiro que dá título a este meu desabafo, ganha uma nova dimensão perante a atual conjuntura. Neste tempo em que o descontentamento e a desconfiança em relação à classe política crescem, e em que fenómenos como a abstenção (que só diminui porque o conjunto de ‘crentes’ do Venturismo é cada vez maior [que medo!]) e o alheamento político ameaçam a vitalidade da democracia, o apelo a não calar, a não nos demitirmos da participação cívica, é mais pertinente do que nunca.
As eleições presidenciais, mesmo para os defensores do regime monárquico, são um momento privilegiado para o exercício desse direito e desse dever. O Presidente da República, enquanto Chefe de Estado tem que ser o garante da Constituição e o moderador do sistema político. Deve ser alguém que, tal como Sá Carneiro defendia, não se cale perante injustiças, abusos ou ameaças aos valores democráticos.
Todos nós somos chamados a esta luta... Sá Carneiro lembrava-nos que calar não é uma opção legítima em democracia, nem para os representantes eleitos, nem para os cidadãos… e nós, não temos o direito de nos calarmos... o silêncio, seja por indiferença, medo ou desilusão, pode ser tão prejudicial à democracia como a repressão aberta do passado… sob pena de deixarmos que outros decidam por nós!... e, neste tempo em que vivemos e em que somos chamados a fazer uma escolha, exige-se-nos coragem para falar, denunciar e propor alternativas.
Assim, confrontado com a escolha que tenho de fazer, e com os candidatos, não me resta qualquer dúvida de que o único voto possível é em António José Seguro... não convencido… apenas resignado, voto no candidato claramente reconhecido pela sua postura moderada, pelo seu compromisso com o diálogo democrático, pela defesa da estabilidade institucional e pelo respeito pelos valores constitucionais.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
A Gronelândia é nossa!…
Mas pronto, aqui vai: a Gronelândia é nossa!!!
E é nossa desde 7 de junho de 1494 quando foi assinado entre os Reinos de Portugal e de Castela o Tratado de Tordesilhas que, recorde-se, foi um acordo para dividir as terras "descobertas e por descobrir" no mundo, estabelecendo um meridiano 370 léguas a oeste de Cabo Verde, com Portugal a ficar com as terras a leste e Espanha com as a oeste, garantindo assim a Portugal o direito sobre a porção leste do futuro Brasil e a maior parte da Gronelândia…
Portanto Sr Trump, cuidadinho com o que quer ocupar!!! Veja lá se quer que os nossos submarinos entrem em ação?… e, já agora, a parcela de terreno da qual o Sr é Presidente é, desde a mesma data, Castelhana…
terça-feira, 20 de janeiro de 2026
Gosto de música… No trilho do Sol… 30 anos
Cumprem-se, em junto do corrente, 30 anos do lançamento de No Trilho do Sol, o terceiro álbum de estúdio dos Quinta do Bill, na minha humilde opinião de simples apreciador de música, um dos mais conceituados grupos de folk rock português.
Este álbum lançado originalmente em junho de 1996 foi, por ocasião dos 25 anos, objeto de uma reedição, com interpretações de vários convidados, entre os quais Katia Guerreiro e Luís Guerreiro, Rita Redshoes, Samuel Úria e Tim que deram novas vozes e novos arranjos a um álbum muito interessante deste grupo fundado em 1987, em Tomar, por Carlos Moisés e Paulo Bizarro e que gravou até à data nove álbuns de originais: Sem Rumo (1992), Os Filhos da Nação (1994) [na minha opinião usado abusivamente como “hino” de um clube], No Trilho do Sol (1996), Dias de Cumplicidade (1998), Nómadas (2001), A Hora das Colmeias (2006), Sete (2011), As Baladas (2012), Todas as Estações (2016). Para além destes, lançaram quatro compilações: Best of (1999), Ao Vivo Tour 2003 (2004), Quinta do Bill - 20 Anos ao Vivo (2008) (2CD+DVD), Sinfónico - ao vivo no Coliseu do Porto (2015) (2CD+DVD)…
No Trilho do Sol, surge com uma fotografia de um índio norte-americano na capa e tinha 15 temas, entre os quais Se te amo e A única das amantes, para além de Parar o tempo… gosto muito deste álbum…
Deixo aqui uma das minhas favoritas, no Coliseu do Porto…
sábado, 17 de janeiro de 2026
A Formiga no Carreiro
Este poema de Zeca Afonso é um dos exemplos mais emblemáticos da sua capacidade de usar imagens simples do quotidiano para refletir sobre questões profundas e universais.
Nesta composição, a figura da formiga, animal pequeno, aliás, muito pequeno, mas persistente e infatigável, a seguir sempre o seu caminho no carreiro, mesmo que em sentido contrário, é uma metáfora poderosa para o papel do povo – tantas vezes submetido à rotina, ao trabalho contínuo e à resignação perante a ordem estabelecida… tal como amanhã, em fila, uma espécie de carreiro… e, lá vamos fazer uma cruz… e, com ela, escolher o senhor que se segue…
No que a mim me diz respeito, tal foi o nível da campanha, apesar de não me apetecer cair ao rio, apetecia-me ir em sentido contrário… não ir votar!…
Não ir votar, à luz do poema, pode ser visto como uma manifestação de cansaço perante a repetição dos mesmos gestos, das mesmas expectativas e, muitas vezes, das mesmas desilusões… ou da fraca qualidade dos candidatos.
No entanto, tal como a formiga, que segue o seu carreiro, em sentido contrário, contra o septuagenário, amanhã muitos cidadãos, provavelmente a maior parte, sentem que devem participar nas eleições, apesar de também sentirem que pouco ou não se vai alterar no rumo das suas vidas.
Mas, Zeca Afonso, ao retratar esta formiga, persistente no seu caminho contrário, também nos estará a desafiar a questionar o carreiro que seguimos: será o inevitável? Haverá outros caminhos possíveis?
Talvez a resposta a estas perguntas esteja não só na reflexão, mas, acima de tudo, na procura de alternativas… E, acima de tudo, no reconhecimento de que cada escolha, mesmo eventualmente a de não votar, é uma posição política, carregada de significado e consequência.
Eu vou votar…
quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
terça-feira, 13 de janeiro de 2026
Como dizia António Guterres, "é fazer a conta"!!!
O Sistema Nacional de Saúde enfrenta um conjunto de desafios significativos que têm impacto direto na qualidade dos cuidados prestados à população e, consequentemente, na vida de todos nós.
Mas está cheia de “doenças”… e não há quem lhe faça a cura!...
Os diagnósticos estão feitos… entre principais problemas encontram-se:
• a falta de profissionais de saúde, nomeadamente médicos, enfermeiros e técnicos especializados, o que contribui para o aumento dos tempos de espera e a sobrecarga das equipas existentes;
• as infraestruturas, em muitos casos, velhas, a carecerem de intervenções de modernização (ou simples manutenção adequada), refletindo-se isso em condições de trabalho menos favoráveis e numa experiência, para não dizer outra coisa, menos positiva para os utentes;
• a pressão constante, decorrente do aumento da população (idosa) sobre os serviços de urgência e a dificuldade de acesso a consultas de especialidade que geram insatisfação e preocupação entre os cidadãos.
E, sempre, mas principalmente por estes dias, como não podia deixar de ser, muito se tem discutido o estado do SNS… opiniões nos meios de comunicação social (cheia de especialistas em tudologia), políticos (da oposição [que na oposição apresentam soluções que não foram capazes de implementar quando estiveram na situação] ou da situação [que agora que lá estão, não conseguem fazer o que prometiam quando estavam na oposição]) apresentam-se sempre ávidos em apontar soluções e… nas conversas do dia a dia… até aqui se apontam caminhos…
A verdade é que se sente um claro e enorme crescimento da preocupação face aos desafios enfrentados pelo sistema de saúde.
Há que considerar que o SNS é um pilar fundamental do Estado Social, assegurando o acesso universal e tendencialmente gratuito aos cuidados de saúde.
E, reformas e investimentos são essenciais para garantir a sustentabilidade e a capacidade de resposta deste sistema, de modo a enfrentar as exigências demográficas e epidemiológicas de uma sociedade em mudança.
Mas, é um problema de hoje?... não, não é!!! É um problema com décadas e que ninguém tem capacidade e/ou vontade para lhe aventar uma proposta séria de solução… que o diga António Guterres que em maio de 1995, quando ainda não era Primeiro-Ministro de Portugal, ao tentar calcular em dinheiro aquilo que julgava ser a sua meta de investimento na saúde (6% do PIB) nos mandou fazer as contas… porque… ele não conseguia…
“- Ahhh... O Produto Interno Bruto são cerca de três mil milhões de contos, seis por cento de três mil milhões são... três vezes seis, 18... ahhh... um milhão e... ahhh um milhão e... portanto, enfim, o melhor é... é fazer a conta.”
Aqui fica a pérola:
domingo, 4 de janeiro de 2026
Gosto de janeiros… e de frio…
Janeiro, o primeiro de doze meses do ano, para muitos, é apenas o início de um novo ciclo… uma folha em branco no calendário; para mim, é um convite à introspeção e ao aconchego… uma boa refeição, um bom copo, uma boa conversa, uma lareira.
O frio de janeiro tem o dom de juntar as pessoas. O cheiro a lareira acesa, o vapor que escapa das chávenas de café ou de chá quentes, os cachecóis coloridos nas ruas, tudo isso compõe uma atmosfera linda, quase mágica. Ao contrário do verão, que nos chama para fora, o inverno empurra-nos para dentro de casa, muitas vezes, para dentro de nós mesmos… sentados num sofá… aconchegados nas mantas que nos aquecem…
Há uma beleza serena nos dias frios quando as janelas ficam embaciadas e o mundo lá fora se veste de tons suaves. É nesta época que os silêncios falam mais alto e que as memórias do ano recém-findo se ajeitam para dar espaço às novidades que aí vêm.
Janeiro é tempo de tranquilidade, de renovar promessas… alimentar sonhos… valorizar pequenos prazeres como um cobertor macio ou o calor de uma boa fogueira e de uma boa conversa.
Talvez por isso goste tanto de janeiros e do frio: porque me lembram que o conforto está nos detalhes e que, mesmo neste que é um dos meses mais duros do ano, há sempre espaço para a esperança e para o recomeço.


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