Há quem não goste chuva. Há quem goste de passar entre os pingos da chuva… e eu, gosto de chuva… muito! no seu devido tempo… que é agora… mas já chegava!…
Há algo de profundamente reconfortante no som da chuva a cair, no aroma fresco que invade o ar e na sensação de renovação que traz consigo… nas cores vivas das plantas e árvores lavadas pela água caída do céu…
A chuva, em especial nos dias cinzentos e frios, convida a olhar para dentro de nós mesmos. Chama-nos ao recolhimento e até, por vezes, à nostalgia. É uma amiga silenciosa que nos acompanha nas leituras em casa, nas conversas demoradas ao telefone ou simplesmente no observar do mundo através da janela embaciada… ou numa caminhada debaixo dela…
No entanto, como tudo na vida, o que é bom em excesso perde o seu encanto. Após dias seguidos (já vamos com muitos) de céu nublado e gotas (muitas, muito fortes) a tamborilar incessantemente, começa a instalar-se uma sensação de saturação. As ruas, que primeiro são lavadas, tornam-se lamacentas… os passeios escorregadios… o simples ato de sair de casa transforma-se num pequeno grande desafio. O guarda-chuva passa de acessório a extensão do braço e a roupa demora eternidades a secar.
Gosto muito de chuva, sobretudo quando vem no tempo certo… quando traz fertilidade… quando limpa a atmosfera.
Mas, como qualquer visita, chega a altura de desejar que se despeça, deixando saudades em vez de cansaço. Que venha então o próximo capítulo do clima, com promessas de céu limpo, para que, quando a chuva voltar, volte também a nossa vontade de a acolher de braços abertos.
PS.: As sucessivas tempestades que têm assolado Portugal nos últimos tempos transformaram-se numa verdadeira calamidade nacional, provocando destruições nunca vistas, inundações como há muito não se viam, deslizamentos de terra, grandes, enormes, prejuízos materiais e muitas mortes.
Comunidades inteiras enfrentam dificuldades diárias, com estradas cortadas, casas danificadas e atividades económicas comprometidas, enquanto as autoridades lutam para responder à emergência e apoiar os mais afetados num cenário que desafia não só a resiliência dos portugueses, mas também exige uma reflexão sobre a preparação para fenómenos climáticos extremos que parecem cada vez mais frequentes.
De repente as Forças Armadas passaram a ser desejadas nas ruas, nos caminhos, nos telhados, nos rios, nas telecomunicações, nos geradores, nos barcos e nos camiões, no transporte de pessoas e de bens alimentares… e, como seria de esperar, cumprem e bem a sua missão.
Sinceramente, penso ser de elementar necessidade equacionar a existência, ou melhor, a extinção da Autoridade Nacional de Proteção Civil e encarregar as FA’s da garantia da segurança de Portugal e dos Portugueses…
Esta é uma discussão que alguém terá que ter nos tempos próximos… espero que de uma vez por todas alguém seja capaz de pensar nisto… por agora, resta o reconhecimento e o agradecimento a estes homens e mulheres que juraram cumprir… e que o fazem abnegadamente mesmo quando tantos apenas se apressam a apontar o dedo!…
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