Mas, eis que surge um envelope… um simples envelope, cheio com 75.000,00 euros… 15 mil paus da nota antiga… que não se sabia de quem eram… que aparentavam ser resultado de uma qualquer teia na qual o PS de Costa se tinha enredado e que teria como expoente máximo o jovem, irreverente e muito promissor (socratista) José, de seu apelido Galamba (para além do amigo de sempre de Costa de seu nome Vítor Escária)…
De repente e, sem que nada o fizesse prever, fruto de uma operação policial, preparada de véspera e às escondidas do poder, cai este (des)governo Costa e com ele, o Ministério Público, entidade que, de acordo com a tão sagrada Constituição, representa o Estado, que exerce a ação penal e defende a legalidade democrática e os interesses que a lei determinar, nomeadamente a direção da investigação criminal, a promoção da legalidade, a representação do Estado, de incapazes e de incertos, a defesa de interesses coletivos e difusos, a defesa e a promoção dos direitos e interesses das crianças, jovens, idosos, adultos com capacidade diminuída, bem como de outras pessoas especialmente vulneráveis e o exercício de funções consultivas, cai na lama, da qual, passados mais de dois anos ainda não se conseguiu levantar…
Eis que chega março de 2024 e com ele grandes mudanças… uma vitória da AD (PSD + o falecido/ressuscitado CDS + o inexistente PPM); o PS passa a segunda força mais votada e o Chega, populista, defensor de tudo, de mais qualquer coisa e, mesmo de um par de botas, cresce, sem se saber como, nem por que razão, conseguindo a confiança de mais 800 mil portugueses que, entendo eu, mais que confiar neste projeto, desconfiam dos outros.
E, de repente, António Costa, grande salvador (e, estamos há quase 450, sempre, sempre, sempre à espera de um qualquer salvador, qual D. Sebastião, chegado num dia de nevoeiro) chega a Presidente da Comissão Europeia… grande prémio… grande honra par alguém que… que… nada * nada = nada a não ser enganar tudo e todos, sai como salvador deste Portugal “troikisado” e é escolhido para o lugar com o qual tanto sonhara, mas para onde a sua ida, se ocorresse antes do fim do seu mandato de primeiro ministro, de acordo com a vontade expressa do Presidente da República, implicaria a queda do seu (des)governo.
O governo de Montenegro governa… mais linha vermelha para aqui… mais não é não para acolá… com o orçamento aprovado, surge a polémica e o governo da AD de Montenegro cai… não porque estivesse a governar mal… cai porque o grande grupo daqueles que nunca nada fazem para além da política saiu para a rua a criticar Montenegro porque quando este fora da política fez pela vida… de repente ficamos a saber que os políticos não podem ter nada nem fazer mais nada a não ser políticos… e, nesta lama para onde se deixaram cair, eis que a quase AD (agora sem o PPM) vence novamente as eleições… e, surpresa das surpresas, o líder do PS, de seu nome, Pedro Nuno Santos, outro socratista, vê o PS a ter o pior resultado de sempre e, imagine-se, a ser ultrapassado por Ventura e pelos seus seguidores…
Somos apresentados pela The Economist como uma das economias de melhor desempenho neste nosso mundo, mas com uma vitalidade que assenta numa clara fragilidade económica e financeira que apertou e continua a apertar os orçamentos e a aumentar a ansiedade de todos aqueles que trabalham e que continuam a fazer contas todos os meses, para ver se a carteira do inicio mês chega para as responsabilidades do seu fim.
Sem que se tenha dado por isso, a habitação transformou-se numa preocupação diária para jovens e menos jovens que percebem que não conseguem ter capacidade financeira para construir um teto… a autonomia do início do século, e mesmo dos tempos da troika, tornou-se uma miragem e a estabilidade de todos aqueles que tinham e continuam a ter um emprego ficou como que assente em pilares de barro… a segurança social já teve melhores dias… a justiça que, apesar das constantes promessas que todos fazem, tarda em ser efetiva e justa… para não falar da saúde, ou melhor a resposta à doença, que já teve melhores dias e que vive sob enorme pressão, que faz com que profissionais e cidadãos vivam na incerteza… e da educação que precisa de confiança, de qualidade, de visão de futuro e de estabilidade…. e da (des)Proteção Civil que todos anos vê engordar os seus orçamentos, que não chegam… e das Forças Armadas, depauperadas, ostracisadas pela população e pela classe política mas, na hora H, lá estão, lá continuam e lá continuarão… sem conferências de imprensa, ou quase sem, a fazer o seu trabalho…
E, de repente, inundações e tempestades expuseram fragilidades que conhecíamos e que continuam por resolver.
E, os portugueses lá continuam, tal como canta Sérgio Godinho, “com a cabeça entre as orelhas”, a cumprir… adaptam-se… empreendem… estudam… criam emprego… trabalham mais e mais horas… em mais do que um emprego… cuidam dos seus… aplicam as suas poupanças… encontram alegria não se sabe bem onde… pagam enormes impostos… sustentam a economia….
E, esperam… esperam… esperam e esperam pelo dia em que possam ver o seu esforço reconhecido por uma classe política que se enreda em lutas e discursos que em nada contribuem para a resolução dos seus verdadeiros problemas.
Todos aqueles que se dedicam à nobre arte da política têm a obrigação de estar à altura da sociedade que os elegeram seus representantes.
É urgente que os decisores políticos estabeleçam um claro compromisso com aqueles que os elegeram… Portugal não pode continuar a assistir a este constante processo de legislar e revogar… de avançar e retroceder… de fazer e de desfazer, muitas vezes, apenas e só, por preconceito ideológico… Portugal precisa de visão, precisa de previsibilidade, precisa de sentido de responsabilidade, precisa de estabilidade… precisa de firmeza e consistência.
Não se pode continuar a apontar o dedo ao erro (ou à omissão) de ontem… é fundamental procurar soluções e visões para o amanhã, promovendo compromissos sérios, consistentes e duradouros que seja capazes de dar esperança a este nobre povo que tudo sofre, tudo suporta e que, resiliente e perseverante, eleição após eleição continua a acreditar que desta vez é que é!!!… Talvez, do nevoeiro destes tempos, possa surgir algo novo.…
Resta esperar, como tantos outros, pelo dia em que o esforço coletivo seja finalmente reconhecido e recompensado. Portugal segue à espera, entre o nevoeiro, por um verdadeiro salvador - D. Sebastião, onde andas?
Sem comentários:
Enviar um comentário