sábado, 17 de janeiro de 2026

A Formiga no Carreiro


Amanhã, Portugal vai a votos para eleger o Presidente da República.., o 21.º Presidente da República Portuguesa desde a implantação deste sistema em 05 de outubro de 1910… 

E eu, qual “formiga no carreiro” tal como a do poema de Zeca Afonso, só me apetece andar “em sentido contrário”!

Este poema de Zeca Afonso é um dos exemplos mais emblemáticos da sua capacidade de usar imagens simples do quotidiano para refletir sobre questões profundas e universais.

Nesta composição, a figura da formiga, animal pequeno, aliás, muito pequeno, mas persistente e infatigável, a seguir sempre o seu caminho no carreiro, mesmo que em sentido contrário, é uma metáfora poderosa para o papel do povo – tantas vezes submetido à rotina, ao trabalho contínuo e à resignação perante a ordem estabelecida… tal como amanhã, em fila, uma espécie de carreiro… e, lá vamos fazer uma cruz… e, com ela, escolher o senhor que se segue…

No que a mim me diz respeito, tal foi o nível da campanha, apesar de não me apetecer cair ao rio, apetecia-me ir em sentido contrário… não ir votar!…

Não ir votar, à luz do poema, pode ser visto como uma manifestação de cansaço perante a repetição dos mesmos gestos, das mesmas expectativas e, muitas vezes, das mesmas desilusões… ou da fraca qualidade dos candidatos.

No entanto, tal como a formiga, que segue o seu carreiro, em sentido contrário, contra o septuagenário, amanhã muitos cidadãos, provavelmente a maior parte, sentem que devem participar nas eleições, apesar de também sentirem que pouco ou não se vai alterar no rumo das suas vidas.

Mas, Zeca Afonso, ao retratar esta formiga, persistente no seu caminho contrário, também nos estará a desafiar a questionar o carreiro que seguimos: será o inevitável? Haverá outros caminhos possíveis?

Talvez a resposta a estas perguntas esteja não só na reflexão, mas, acima de tudo, na procura de alternativas… E, acima de tudo, no reconhecimento de que cada escolha, mesmo eventualmente a de não votar, é uma posição política, carregada de significado e consequência.

Eu vou votar…


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