terça-feira, 14 de abril de 2020
Somos do NORTE!...
Hoje, depois de ter visto aquela frase estapafúrdia com que ontem a TVI nos presenteou, andei algum tempo a pensar se deveria escrever isto... porque sou do NORTE, aqui vai... desculpem-me os mais puritanos, mas a coisa hoje tem mesmo que ser assim...
Nasci em Ponte de Lima, mas o meu BI dizia que foi em Rebordões-Souto... bem sei que nem foi num, nem noutro local: nasci no Hospital de Santa Luzia em Viana do Castelo...
Vivi toda a minha vida no NORTE... apenas uns pequenos interregnos em que, por necessidade tive que me deslocar (e por lá ficar uns tempos) a Lisboa e a Leiria...
De Lisboa, guardo a recordação das noites mal dormidas, do barulho, das ruas cheias de carros, quentes e abafadas... dos transportes públicos sempre cheios... das pessoas que, na sua maioria, não conhecem ninguém e que, salvo as devidas exceções que confirmam a regra, se julgam sempre, mas sempre, superiores a tudo e a todos!... de Leiria guardo recordações de pessoas simpáticas, afáveis e prestáveis... uma cidade limpa, calma, asseada...
De Lisboa também guardo boas recordações... nem tudo é mau... os meus tempos de tropa e umas férias bem passadas com a Rosa Lima e a Marta De Lima Amorim são a exceção que confirma a regra e que me trazem boas recordações dessa cidade no sul plantada...
Escrevo isto porque me sinto triste com a frase de ontem!... aquela frase trouxe-me à memória aquele velho e triste ditado que diz que Portugal é Lisboa e os seus arredores...
Mas Portugal não é isso! E, se na reportagem de ontem, queriam chamar de provincianos aos do Norte, enganem-se porque nós não somos provincianos!... SOMOS DO NORTE com orgulho, mesmo sabendo que mesmo no NORTE há filhos e enteados... sou do NORTE... sou do MINHO e a norte de Rebordões-Souto, encontramos Ponte de Lima, Paredes de Coura, Valença, Monção e Melgaço... Sou do Norte e não gostei que dissessem que eu e os meus conterrâneos não temos educação!
Porque SIM, SOMOS pessoas educadas!... sabemos falar e sabemos calar... sabemos brincar e sabemos estar... sabemos distinguir a hora de divertir a hora de trabalhar... sabemos quando uma coisa é séria e quando é mais a brincar... todos estudamos como os do centro ou do sul estudaram... e na hora de contribuir para o país, contribuímos como os outros mesmo que na hora de receber recebamos sempre menos!...
Hoje, e porque de educação se fala, veio-me à memória uma, ou melhor, duas coisas.
Em primeiro lugar uma anedota que um amigo lisboeta um dia me contou e que aqui não conto por ser longa... dizia ele: vocês lá no NORTE são muito mais felizes que nós... são espontâneos... dizem o que vos vai na alma. Estou em crer, outra coisa não pode ser, que a senhora jornaleira que escreveu a notícia de ontem estava precisamente a referir-se ao facto de que realmente temos as (desculpem) caralhadas na ponta da língua: um "car(v)alho" tem sempre mais efeito que um "ora bolas!"
A segunda coisa que me vem à memória e que confirma a primeira é a história que o meu avô (vivo e com 94 anos) um dia me contou e que se referia a uma ida ao confesso, obrigatório uma vez por mês!... e eis que um dia, um senhor, um pouco mais velho que o meu avô, ainda não tinha saído do adro da igreja e na sua pureza (porque na maior parte das vezes, as car(v)alhadas saem sem se dar conta), já tinha dito uns quantos car(v)alhos dizendo que a partir desse dia não os podia dizer mais car(v)alho porque estavam confessados...
Mas há uma outra coisa que me faz gostar de Rebordões-Souto, de Ponte de Lima e do NORTE: é que cá na terra, na província, no NORTE, ainda nos conhecemos todos... sempre que nos cruzamos com um vizinho, sai um bom dia, um passa-bem, um beijinho ou um abraço... e sai com tanta força como se já não o fizéssemos há anos ou se pressentíssemos que este poderia ser o último!... para além disso, em Rebordões-Souto, em Ponte de Lima e no NORTE, estamos sempre à espera que os nossos amigos que vivem fora regressem, ou pelo menos nos façam uma visita... e ficamos tristes com a sua ausência... e ainda mais: quando vemos alguém que não é de Rebordões-Souto, de Ponte de Lima, ou do NORTE "perdido", ou menos orientado, não negamos a ajuda!...
Somos do NORTE... somos educados para sermos assim... felizes... vestimos roupas alegres para dançar... damos apertos de mão, beijos e abraços... convidamos para entrar na nossa casa... e andamos triste porque este FDP deste vírus nos tirou esta alegria...
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário