sábado, 18 de abril de 2020

A velinha ao fundo do túnel


O senhor Presidente da República, depois de ouvido o Governo e de obtida a devida autorização da Assembleia da República, decretou a renovação do estado de emergência em Portugal devido à pandemia provocada pelo novo coronavírus. Este estado de emergência tem início às 00h00 deste sábado, 18 de abril e vigorará até às 24 horas do dia 2 de maio.

Com esta renovação do estado de emergência, continuam a vigorar um conjunto de medidas restritivas das nossa liberdade, medidas essas às quais a maioria de nós deu a resposta necessária respeitando o necessário isolamento social e que em muito contribuíram para o tão apregoado achatamento da curva.

No entanto, tenho receio que este achatamento seja aparente. Tenho alguma dificuldade em olhar para os números que nos são dados e os considerar sucessos; primeiro porque as pessoas não são números e muitas pessoas perderam a vida; em segundo lugar porque, em termos percentuais (e não em termos absolutos) a Covid-19 foi muito dura com os portugueses: mais de 1500 infetados em cada milhão de portugueses não me parece ser nada de que nos devamos orgulhar

Para além disso, preocupa-me muito o aparente facilitismo e positivismo com que o senhor Presidente da República e o senhor Primeiro-ministro estão a imprimir na situação... assusta-me muito que se pense já na abertura de alguns serviços que implicam muita proximidade tais como barbeitos, cabeleireiros e esteticistas... assusta-me imenso que se equacione a abertura de creches... preocupa-me que se recomende o uso de máscaras e não as haja para compra, ou então estejam a um preço incomportável para a carteira da maior parte de nós... preocupar-me que nos mandem trabalhar, mas nas nossas estradas não haja as transportes públicos capazes de nos transportar com o necessário afastamento social... para não falar no álcool-gel que está quase só preço do petróleo...

Para além disso entristece-me a aparente contradição entre algumas restrições à liberdade (que vigoraram e continuarão a vigorar) tais como as restrições às celebrações religiosas e/ou fúnebres e ao mesmo tempo se permitam celebrações públicas dos dois feriados nacionais que se encontram dentro desta janela de tempo, ou seja, o 25 de abril e o primeiro de maio...

Enfim... espero que a curva continue achatada. Bem sei que todos nós desejamos um rápido regresso à normalidade por mais estranha que ela seja e espero que, com estes anúncios de velinhas ao fundo do túnel, não estejamos a levantar vendavais que apaguem a esperança de sermos novamente livres e alegres...

Sem comentários:

Enviar um comentário