sábado, 28 de fevereiro de 2026

Passos Coelho e o sebastianismo...

Os últimos dias ficam marcados por reações às palavras de Pedro Passos Coelho...

Aqui vão elas:

João Vieira Pereira, diretor do Expresso, na edição do Expresso de 27 de fevereiro, logo no Editorial começa por afirmar que “O sebastianismo do qual sofremos como nação puxa-nos para baixo. Como se vivêssemos num eterno suspiro. Não é que queiramos voltar à glória do que fomos num passado de que nem sequer nos lembramos, mas escolhemos viver a pensar no que poderíamos ser, caso... Como se o conforto do abraço de uma realidade alternativa, de um sonho, fosse sempre melhor do que o que temos agora. Isso coloca-nos num estado de permanente insatisfação, que nos entorpece e condiciona a capacidade de agir. Recusamo-nos a aceitar a realidade, e essa recusa imobiliza-nos.”

Não concordo com muito do que diz de seguida... mas a verdade é que Passos Coelho continua presente, marca, incomoda... dita o ritmo!...

Para além João Vieira Pereira, e da parafernália de comentadeiros que dissertaram sobre este tema e sobre as suas palavras, neste mesmo dia, o mesmo Jornal Expresso publica o seu podcast "Antes pelo contrário" no qual Pedro Delgado Alves (que gosto de ouvir, mesmo não concordando) e José Eduardo Martins (que gosto de ouvir e com quem concordo a maior parte das vezes e recordo bem a sua [o]posição a algumas das decisões de Passos) gastam 2/3 do seu tempo a ruminar a mais recente intervenção de Passos Coelho... concordando que Passos Coelho "existe por si" e só se fala "do que ele diz", e que "personagens menores da direita, como Ventura e Cotrim [não concordo com a referência a Cotrim], desaparecem do mapa" quando ele fala.

Não sou sebastionista… sou Passista!...

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Gosto de música... Que Amor não me engana (*)


Que amor não me engana
Com a sua brandura
Se da antiga chama
Mal vive a amargura

Duma mancha negra
Duma pedra fria
Que amor não se entrega
Na noite vazia


E as vozes embarcam
Num silêncio aflito
Quanto mais se apartam
Mais se ouve o seu grito

Muito à flor das águas
Noite marinheira
Vem devagarinho
Para a minha beira

Em novas coutadas
Junto de uma hera
Nascem flores vermelhas
Pela Primavera

Assim tu souberas
Irmã cotovia
Dizer-me se esperas
Pelo nascer do dia

(*) Letra e música: Zeca Afonso, in "Venham mais cinco"

José Afonso faleceu em 23 de fevereiro de 1987, no Hospital de São Bernardo, em Setúbal, às três horas da madrugada, vítima de esclerose lateral amiotrófica...

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Desta vez é que é!... Portugal e os portugueses pedem compromissos sérios!

O nosso passado recente traz-nos a memória os desmandos do (des)governo Sócrates e as consequentes correções impostas (e negociadas e acordadas pelo PS)… veio a geringonça… com ela, a promessa de grandes melhorias… vieram as greves dos professores que rapidamente deixaram de acreditar na banha de cobre que lhes fora vendida… veio a greve dos transportadores de combustíveis… vieram os incêndios que deixaram marcas profundas no território e nas famílias… veio a crise no SEF (melhor, um funcionário do SEF, mata um emigrante ucraniano) que como resultado foi desmantelado… veio a crise na habitação… e, imagine-se, veio o “Ronaldo das Finanças” e, com ele, as contas certas… na ótica do governo porque a carteira do final do mês, muito diferente daquela que era prometida no início, não chegava para honrar os muitos compromissos deste povo que tanto pedia… entretanto, veio a pandemia que nos fechou em casa e que nos desafiou e, nos educou, a todos e a cada um de nós na nossa forma de vivermos em e na sociedade, nomeadamente na forma como nos relacionamos uns com os outros… veio um PRR e veio a proposta de reposição do tempo de serviço dos professores… e um (triste) recuo do PSD numa votação (facto de certamente ditou a derrota de Rio e a maioria absoluta do mesmo António Costa que continuou arrogantemente otimista a iludir tudo e todos com a já referida carteira do início do mês…

Mas, eis que surge um envelope… um simples envelope, cheio com 75.000,00 euros… 15 mil paus da nota antiga… que não se sabia de quem eram… que aparentavam ser resultado de uma qualquer teia na qual o PS de Costa se tinha enredado e que teria como expoente máximo o jovem, irreverente e muito promissor (socratista) José, de seu apelido Galamba (para além do amigo de sempre de Costa de seu nome Vítor Escária)…

De repente e, sem que nada o fizesse prever, fruto de uma operação policial, preparada de véspera e às escondidas do poder, cai este (des)governo Costa e com ele, o Ministério Público, entidade que, de acordo com a tão sagrada Constituição, representa o Estado, que exerce a ação penal e defende a legalidade democrática e os interesses que a lei determinar, nomeadamente a direção da investigação criminal, a promoção da legalidade, a representação do Estado, de incapazes e de incertos, a defesa de interesses coletivos e difusos, a defesa e a promoção dos direitos e interesses das crianças, jovens, idosos, adultos com capacidade diminuída, bem como de outras pessoas especialmente vulneráveis e o exercício de funções consultivas, cai na lama, da qual, passados mais de dois anos ainda não se conseguiu levantar…

Eis que chega março de 2024 e com ele grandes mudanças… uma vitória da AD (PSD + o falecido/ressuscitado CDS + o inexistente PPM); o PS passa a segunda força mais votada e o Chega, populista, defensor de tudo, de mais qualquer coisa e, mesmo de um par de botas, cresce, sem se saber como, nem por que razão, conseguindo a confiança de mais 800 mil portugueses que, entendo eu, mais que confiar neste projeto, desconfiam dos outros.

E, de repente, António Costa, grande salvador (e, estamos há quase 450, sempre, sempre, sempre à espera de um qualquer salvador, qual D. Sebastião, chegado num dia de nevoeiro) chega a Presidente da Comissão Europeia… grande prémio… grande honra par alguém que… que… nada * nada = nada a não ser enganar tudo e todos, sai como salvador deste Portugal “troikisado” e é escolhido para o lugar com o qual tanto sonhara, mas para onde a sua ida, se ocorresse antes do fim do seu mandato de primeiro ministro, de acordo com a vontade expressa do Presidente da República, implicaria a queda do seu (des)governo.

O governo de Montenegro governa… mais linha vermelha para aqui… mais não é não para acolá… com o orçamento aprovado, surge a polémica e o governo da AD de Montenegro cai… não porque estivesse a governar mal… cai porque o grande grupo daqueles que nunca nada fazem para além da política saiu para a rua a criticar Montenegro porque quando este fora da política fez pela vida… de repente ficamos a saber que os políticos não podem ter nada nem fazer mais nada a não ser políticos… e, nesta lama para onde se deixaram cair, eis que a quase AD (agora sem o PPM) vence novamente as eleições… e, surpresa das surpresas, o líder do PS, de seu nome, Pedro Nuno Santos, outro socratista, vê o PS a ter o pior resultado de sempre e, imagine-se, a ser ultrapassado por Ventura e pelos seus seguidores…

Somos apresentados pela The Economist como uma das economias de melhor desempenho neste nosso mundo, mas com uma vitalidade que assenta numa clara fragilidade económica e financeira que apertou e continua a apertar os orçamentos e a aumentar a ansiedade de todos aqueles que trabalham e que continuam a fazer contas todos os meses, para ver se a carteira do inicio mês chega para as responsabilidades do seu fim.

Sem que se tenha dado por isso, a habitação transformou-se numa preocupação diária para jovens e menos jovens que percebem que não conseguem ter capacidade financeira para construir um teto… a autonomia do início do século, e mesmo dos tempos da troika, tornou-se uma miragem e a estabilidade de todos aqueles que tinham e continuam a ter um emprego ficou como que assente em pilares de barro… a segurança social já teve melhores dias… a justiça que, apesar das constantes promessas que todos fazem, tarda em ser efetiva e justa… para não falar da saúde, ou melhor a resposta à doença, que já teve melhores dias e que vive sob enorme pressão, que faz com que profissionais e cidadãos vivam na incerteza… e da educação que precisa de confiança, de qualidade, de visão de futuro e de estabilidade…. e da (des)Proteção Civil que todos anos vê engordar os seus orçamentos, que não chegam… e das Forças Armadas, depauperadas, ostracisadas pela população e pela classe política mas, na hora H, lá estão, lá continuam e lá continuarão… sem conferências de imprensa, ou quase sem, a fazer o seu trabalho… 

E, de repente, inundações e tempestades expuseram fragilidades que conhecíamos e que continuam por resolver.

E, os portugueses lá continuam, tal como canta Sérgio Godinho, “com a cabeça entre as orelhas”, a cumprir… adaptam-se… empreendem… estudam… criam emprego… trabalham mais e mais horas… em mais do que um emprego… cuidam dos seus… aplicam as suas poupanças… encontram alegria não se sabe bem onde… pagam enormes impostos… sustentam a economia….

E, esperam… esperam… esperam e esperam pelo dia em que possam ver o seu esforço reconhecido por uma classe política que se enreda em lutas e discursos que em nada contribuem para a resolução dos seus verdadeiros problemas.

Todos aqueles que se dedicam à nobre arte da política têm a obrigação de estar à altura da sociedade que os elegeram seus representantes.

É urgente que os decisores políticos estabeleçam um claro compromisso com aqueles que os elegeram… Portugal não pode continuar a assistir a este constante processo de legislar e revogar… de avançar e retroceder… de fazer e de desfazer, muitas vezes, apenas e só, por preconceito ideológico… Portugal precisa de visão, precisa de previsibilidade, precisa de sentido de responsabilidade, precisa de estabilidade… precisa de firmeza e consistência.

Não se pode continuar a apontar o dedo ao erro (ou à omissão) de ontem… é fundamental procurar soluções e visões para o amanhã, promovendo compromissos sérios, consistentes e duradouros que seja capazes de dar esperança a este nobre povo que tudo sofre, tudo suporta e que, resiliente e perseverante, eleição após eleição continua a acreditar que desta vez é que é!!!… Talvez, do nevoeiro destes tempos, possa surgir algo novo.…

Resta esperar, como tantos outros, pelo dia em que o esforço coletivo seja finalmente reconhecido e recompensado. Portugal segue à espera, entre o nevoeiro, por um verdadeiro salvador - D. Sebastião, onde andas?



sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Só que Não!!!


Copiei de uma rede social:

"Saudades dos tempos em que havia burros, gordos caixa de óculos, pretos, pulas, chineses, geeks, etc. Os burros chumbavam, não se tornavam doutores como hoje em dia. Mas a fasquia era definida no marrão da turma, não por baixo como agora. Somos todos iguais diz-se.

Antes não éramos, mas o gordo tinha notas brutais e ninguém sabia como, o caixa de óculos tinha um sentido de humor inigualável, o preto jogava à bola como ninguém e dava-lhe à brava em inglês, o chinês tinha vindo de outra escola e tinha histórias que não lembravam a ninguém. Cada um tinha um defeito, mas tinha ou lutava por ter tantas outras qualidades. Hoje não. Somos todos iguais. Tudo é bullying, racismo, desrespeito, xenofobia, opressão, violência. Antigamente quando não se distinguia o racismo da alcunha, levava-se um chapadão na tromba e aprendia-se. E não era bullying. Era aprendizagem. Da dura, daquela que dói mas não se esquece mais. E às vezes em casa com os pais também se aprendia.

Ser igual a todos era tudo que não se queria. O sem sal passava despercebido e sentia-se sozinho. Ter uma alcunha diferente era fixe. A diferença era vista com bons olhos.

E aprendia-se uma coisa importante: rirmos de nós próprios. E não chorarmos porque alguém nos chamou isto ou aquilo. Assumia-se a gordura, o esquelético, a caixa de óculos e tudo o mais que viesse.

Mas quando não se estava bem, quando não se gostava da alcunha, fazia-se uma coisa importante: mudava-se, lutava-se. Não se culpava os outros nem a sociedade.

E falhava-se. Muitas vezes. Mas cada vez que se falhava ficava-se mais forte. E sabíamos que era assim. Que havia uns que conseguiam, outros ficavam para trás, que havia quem vencia e quem falhava.

Agora não.

Todos somos iguais, todos somos bons, todos merecemos, todos temos as mesmas oportunidades, todos somos vítimas, todos somos oprimidos, todos somos cordeiros.

Só que não."

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

hoje houve debate na AR...

... e, ao fim de quase duas, continua-se na mesma... o governo tenta justificar a sua ação (não podia ter feito muito diferente) e a oposição tenta imputar-lhe a culpa... sim, a chuva, o vento, a trovoada, os diques construídos, em 1979, dizem eles, em más condições, a quedas das antenas e das linhas eletricas, a derrocada na A1, a descoordenação da (des)Proteção Civil, os erros no anúncio dos apoios que as pessoas irão receber, quando receberem, a demissão da MAI, sim, tudo isso é culpa do Montenegro... não há dúvidas... antes foi do Costa... antes do Passos Coelho, antes do Sócrates, antes do Santana Lopes, antes do Durão Barros, antes do Guterres, antes do Cavaco Silva, antes do Soares, antes do Pinto Balsemão, antes de Sá Carneiro, antes de Maria de Lurdes Pintassilgo, antes de Mota Pinto, antes de Nobre da Costa, antes de Pinheiro de Azevedo, antes de Vasco Gonçalves, antes de Palma Carlos... antes da Junta de Salvação Nacional, antes de Marcelo Caetano, antes de Salazar... até que chegaria a vez de dizer que a culpa é de Afonso Henriques que um dia se lembrou de se chatear com sua mãe, Rainha Dona Teresa que havia sido casada com o Conde D. Henrique... e por aí fora até chegar aos Romanos e antes deles a Viriato que lutou contra eles... e com toda a certeza ainda se encontram culpados antes dele!...

Enfim... estou farto deste jogo de passa culpa... não aceito que se tenham passado duas horas a chorar sobre o leite derramado!!! a procurar um culpado e... e, NADA!!! não se discutem caminhos para o futuro... não se procuram melhorar as respostas a situações destas... sim, porque se não é fogo é água... se não é água é vento... se não é vento é um apagão... se não é um apagão é, qualquer outra coisa...

E o povo pá?

Há uns anos, uma música perguntava-nos "E o povo pá??"

Pois é!!! resolver os problemas, NADA!!!


Dá-lhe Falâncio, pá!
Pois é, camaradas, pá!
Chegou a luta, pá, para provar que a cantiga ainda é uma arma, pá, e que deve e pode reflectir os anseios do proletariado nacional, nestas alturas de grande crise, pá
A luta vai meter a boca no megafone, para explicar aqui nesta cantiga, pá, quais é que são os problemas que realmente afectam a nação, pá
Então cá vai!

É o desemprego, pá
A corrupção, pá
Endividamento, pá
A depressão, pá
O aquecimento, pá
A recessão, pá
E como se isto não bastasse, a reacção, pá
E os oprimidos, pá
Os endividados, pá
Os suprimidos, pá
Os separados, pá
Os desvalidos, pá
Desalinhados, pá
E os sem-abrigo, coitadinhos, dormem no chão, pá

E o povo, pá?
E o povo, pá?
E o povo, pá?
Quer dinheiro para comprar um carro novo
E o povo, pá?
E o povo, pá?
E o povo, pá?
Quer dinheiro para comprar um carro novo

São indigentes, pá
São insolventes, pá
São repetentes, pá
Delinquentes, pá
É só aumentos, pá
Despedimentos, pá
Aluimentos, pá
Desinvestimentos, pá
E os camponeses, pá
E os professores, pá
E os reformados, pá
E os pescadores, pá
E os subsídios, pá
E os ordenados, pá
E as dividas e os créditos mal parados, pá

E o povo, pá?
E o povo, pá?
E o povo, pá?
Quer dinheiro para comprar um carro novo
E o povo, pá?
E o povo, pá?
E o povo, pá?
Quer dinheiro para comprar um carro novo, pá

Ah, pois quer, pá!
O povo também quer Ferraris, pá
O povo também quer Maseratis e Bentleys e Lamborghinis, pá
Porque é que são só os jogadores da bola a ter, pá?
O povo também quer o novo SLK 200 da Mercedes, pá
O povo também quer um BMW Z3, pá
Aquele muito bonito com os estofos cremes em pele, pá, e com a manete das mudanças em marfim, pá
O povo também quer o novo Audi A8 com o motor Z12, pá, que gasta 35 litros aos 100, mas dá a volta a 270 na autoestrada, pá
O povo também trabalha, pá!

E o povo, pá?
E o povo, pá?
E o povo, pá?
Quer dinheiro para comprar um carro novo
E o povo, pá?
E o povo, pá?
E o povo, pá?
Quer dinheiro para comprar um carro novo, pá!


20.000,00€ e sete anos a ver a bola...

Em 2017, o bom (des)governo do PS contratou por 20.000,00€ a Sport Tv

Não se ouviu um pio… a comunicação social nada noticiou… a oposição nada disse… o povo de nada soube… e, este gasto, absurdo, para um sítio onde as pessoas trabalham e não têm de estar a ver futebol, não incomodou nada nem ninguém!…

De repente, passados estes anos todos, o governo de Luís Montenegro, do PSD, continuou a subscrição acriticamente (e fez mal), e foi acusado de gastos exorbitantes, luxos incomportáveis, de insensibilidade… a oposição arrancou cabelos e a comunicação social correu a noticiar o horror que são os gastos em que o PSD nos faz incorrer.

Estranho mundo este em que se confirma um contrato por confirmar sem se verificar a necessidade e pertinência de um determinado serviço.

Mas, mais estranha foi a reação da Comunicação Social… da oposição berrante e sem escrúpulos não se admira a berraria!… estranha-se, ou talvez não, ver que a Comunicação Social que devia ser verdadeira, isenta, imparcial, clara e concisa, apenas reporta parte da história… não diz que se está perante uma renovação (que não devia ter sido feita) de um contrato que vigorou durante sete anos do governo socialista… a quem tudo desculpou e tudo permitiu…

Infelizmente, a Comunicação Social, ávida de sangue e de gritos, de casos e de casinhos, de notícias que o não são, desde os grandes grupos nacionais e internacionais, até ao mais pequeno órgão local, entre jornalistas jornaleiros e contadores comentadeiros, únicos conhecedores da realidade, com o seu viés, apenas afastam as pessoas… e, dizem e escrevem coisas, e, tristes e condoídos, falam  sobre as redes sociais, as fake News e o declínio dos meios de comunicação tradicionais…

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Definição de Hipocrisia (*)

Hipocrisia é a um doente que clame por um charuto, um whisky e a morte só lhe darem a morte, já que a Direcção-Geral da Saúde adverte que o charuto e o whisky fazem mal à saúde.”

Pedro Gomes Sanches, in Rendição ou a ascensão dos idiotas

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Gosto de música… “Arco Íris” de Carlos Paião



Gosto muito de música… não sei tocar nenhum instrumento e canto de forma sofrível!… gosto de ouvir… e, gosto de ler as letras que dão corpo às canções.

Arco-Íris de Carlos Paião…



“Enquanto os homens falam de progresso

E há gente p'los caminhos sem sorrir

No mundo dos que sonham tudo tem um preço

E o tempo o tempo quer fugir

Refrão: 
Arco-Íris, Arco-Íris

Quantos homens são precisos p'ra sonhar
Arco-Íris, Arco-Íris

Se quisermos o bom tempo vai chegar

Enquanto criticamos duramente

Esquecendo a culpa que há em todos nós
Doenças guerras fome são números somente

E a vida a vida não tem voz

(Refrão)

Sete cores lado a lado

Como um sonho sem fim

Natureza obrigado

Por seres bonita assim

(Refrão)

Enquanto os homens falam eu não ouço

Abraço o teu sorriso meu amor

Amigos vão e vem num lugar tão nosso

Respiro e o tempo é bem melhor”



Se quisermos o bom tempo vai chegar…

Diante das dificuldades e desigualdades do tempo presente (1985) Carlos Paião, fala-nos de esperança e de busca por um mundo melhor.

O arco-íris, com as suas sete cores lado a lado, simboliza a diversidade, a harmonia e a esperança, além da promessa de renovação e de recompensa após as dificuldades, tal como na lenda que nos promete um pote de ouro no final. Contudo, existe uma constante tensão entre o discurso de progresso e a realidade de sofrimento da “gente [que anda] p'los caminhos sem sorrir”.

“se quisermos o bom tempo vai chegar”… sim, se quisermos!

No entanto assentamos arraiais na indiferença perante problemas sociais... “doenças guerras fome são números somente / E a vida a vida não tem voz”… e, seguimos, e “criticamos duramente
/ Esquecendo a culpa que há em todos nós”.

Sim, “se quisermos o bom tempo vai chegar”…, se quisermos!

sábado, 14 de fevereiro de 2026

fingir que está tudo bem (*)

fingir que está tudo bem: o corpo rasgado e vestido
com roupa passada a ferro, rastos de chamas dentro
do corpo, gritos desesperados sob as conversas: fingir
que está tudo bem: olhas-me e só tu sabes: na rua onde
os nossos olhares se encontram é noite: as pessoas
não imaginam: são tão ridículas as pessoas, tão
desprezíveis: as pessoas falam e não imaginam: nós
olhamo-nos: fingir que está tudo bem: o sangue a ferver
sob a pele igual aos dias antes de tudo, tempestades de
medo nos lábios a sorrir: será que vou morrer?, pergunto
dentro de mim: será que vou morrer? olhas-me e só tu sabes:
ferros em brasa, fogo, silêncio e chuva que não se pode dizer:
amor e morte: fingir que está tudo bem: ter de sorrir: um
oceano que nos queima, um incêndio que nos afoga.

José Luís Peixoto, in 'A Criança em Ruínas'

Fingir que está tudo bem, é quase como que... colocar uma máscara... esconder o que somos...  sentimos... é como que vestir um sorriso feito de silêncio e guardar no peito tempestades que ninguém vê ou que queremos esconder... 

Fingir que está tudo bem é caminhar entre sombras suaves, umas vezes... e tenebrosas, outras tantas… com passos leves de quem não quer acordar (d)os próprios medos... é tentar desenhar o dia com cores inventadas… é erguer palavras como muros e esconder a voz no fundo do olhar... é sorrir quando o que apetece é...


Fingir que está tudo bem é fazer da saudade um porto seguro, e esperar que, em algum lugar, alguém entenda o peso de não dizer, de não sorrir, de não fazer... é deixar o tempo passar, como quem deixa a chuva cair do lado de fora, na esperança de que, amanhã, um dia, seja lá quando for, fingir já não seja necessário.





sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Noite de Chuva (*)

Chuva... Que gotas grossas! ... Vem ouvir:
Uma... duas... mais outra que desceu...
É Viviana, é Melusina a rir,
São rosas brancas dum rosal do céu...

Os lilases deixaram-se dormir...
Nem um frêmito... a terra emudeceu...
Amor! Vem ver estrelas a cair:
Uma... duas... mais outra que desceu...

Fala baixo, juntinho ao meu ouvido,
Que essa fala de amor seja um gemido,
Um murmúrio, um soluço, um ai desfeito...

Ah, deixa à noite o seu encanto triste!
E a mim... o teu amor que mal existe,
Chuva a cair na noite do meu peito!

(*) Florbela Espanca, Reliquiae, 1934

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Chuva… Entre o Encanto e a Saturação

Há quem não goste chuva. Há quem goste de passar entre os pingos da chuva… e eu, gosto de chuva… muito! no seu devido tempo… que é agora… mas já chegava!…

Há algo de profundamente reconfortante no som da chuva a cair, no aroma fresco que invade o ar e na sensação de renovação que traz consigo… nas cores vivas das plantas e árvores lavadas pela água caída do céu…

A chuva, em especial nos dias cinzentos e frios, convida a olhar para dentro de nós mesmos. Chama-nos ao recolhimento e até, por vezes, à nostalgia. É uma amiga silenciosa que nos acompanha nas leituras em casa, nas conversas demoradas ao telefone ou simplesmente no observar do mundo através da janela embaciada… ou numa caminhada debaixo dela…

No entanto, como tudo na vida, o que é bom em excesso perde o seu encanto. Após dias seguidos (já vamos com muitos) de céu nublado e gotas (muitas, muito fortes) a tamborilar incessantemente, começa a instalar-se uma sensação de saturação. As ruas, que primeiro são lavadas, tornam-se lamacentas… os passeios escorregadios… o simples ato de sair de casa transforma-se num pequeno grande desafio. O guarda-chuva passa de acessório a extensão do braço e a roupa demora eternidades a secar.

Gosto muito de chuva, sobretudo quando vem no tempo certo… quando traz fertilidade… quando limpa a atmosfera.

Mas, como qualquer visita, chega a altura de desejar que se despeça, deixando saudades em vez de cansaço. Que venha então o próximo capítulo do clima, com promessas de céu limpo, para que, quando a chuva voltar, volte também a nossa vontade de a acolher de braços abertos.


PS.: As sucessivas tempestades que têm assolado Portugal nos últimos tempos transformaram-se numa verdadeira calamidade nacional, provocando destruições nunca vistas, inundações como há muito não se viam, deslizamentos de terra, grandes, enormes, prejuízos materiais e muitas mortes.

Comunidades inteiras enfrentam dificuldades diárias, com estradas cortadas, casas danificadas e atividades económicas comprometidas, enquanto as autoridades lutam para responder à emergência e apoiar os mais afetados num cenário que desafia não só a resiliência dos portugueses, mas também exige uma reflexão sobre a preparação para fenómenos climáticos extremos que parecem cada vez mais frequentes.

De repente as Forças Armadas passaram a ser desejadas nas ruas, nos caminhos, nos telhados, nos rios, nas telecomunicações, nos geradores, nos barcos e nos camiões, no transporte de pessoas e de bens alimentares… e, como seria de esperar, cumprem e bem a sua missão.

Sinceramente, penso ser de elementar necessidade equacionar a existência, ou melhor, a extinção da Autoridade Nacional de Proteção Civil e encarregar as FA’s da garantia da segurança de Portugal e dos Portugueses…

Esta é uma discussão que alguém terá que ter nos tempos próximos… espero que de uma vez por todas alguém seja capaz de pensar nisto… por agora, resta o reconhecimento e o agradecimento a estes homens e mulheres que juraram cumprir… e que o fazem abnegadamente mesmo quando tantos apenas se apressam a apontar o dedo!…