terça-feira, 14 de março de 2023

SILERE NON POSSUM // n.º 28 // Carlos Aguiar Gomes


SILENE NOM POSSUM 

(Não me posso calar – Santo Agostinho)

“Para destruir um povo é preciso destruir as suas raízes.” (Alexandre Soljenitsyne)

Carta aos meus amigos - n.º 28

BRAGA, 09 - MARÇO - 2023

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PAX

«DEZOITO MESES DE PRISÃO POR MATAR UM RATO
e entretanto facilita-se tudo para fazer um aborto!» 
(Mons. Bernardito Auza, Núncio Apostólico em Espanha)


«… a sociedade precisa de crentes humildes que com valentia e firmeza manifestem as suas convicções, porque Deus merece que os Seus filhos O glorifiquem com gestos, palavras e obras…» 
(Mons. Francisco Pérez, Arcebispo de Pamplona, Espanha, 5.Fev. 23)

VALHO MENOS DO QUE UM RATO?

Vivemos uma sociedade que está em colapso há décadas e vai de mal a pior. Os exemplos não nos faltam. A crítica que fez recentemente o Núncio Apostólico em Espanha e com que abro esta minha Carta são bem uma triste prova do que acabei de escrever. Mons. Bernardito Auza referia-se à publicação das leis do “Bem-estar animal» e da reforma da lei do Aborto que foram aprovadas neste mês em Espanha.

A loucura generalizada que se apoderou de políticos um pouco por todo o lado não tem limites! Mas, mais grave, os cidadãos eleitores ficam indiferentes e voltam a votar nos mesmos.

Frequentemente, mas mesmo muito frequentemente, tenho a vontade de deixar «andar» pois tenho a sensação que já nada vale a pena fazer para contrariar esta tendência suicida do Ocidente. Lembro-me que comecei a luta pela vida no início da década de 70 do século passado! Artigos, livros, conferências, debates, programas de rádio, oração… Servi-me de todos os meios ao meu alcance e com as minhas enormes limitações. Foi por causa desta luta que travei conhecimento com o Venerável Jérôme Lejeune!

Assim, o cansaço atingiu-me. Sinto-me frustrado e quase tentado a escrever que… perdi o meu tempo. Contudo… a minha consciência impele-me a não parar contrariando a minha vontade de deixar a destruição acabar (acabará algum dia?) o seu trabalho.

Li a homilia do Arcebispo de Pamplona de que cito em exergo uma curta passagem. Porém, este Arcebispo corajoso e fiel ao ensinamento de sempre da Igreja, indo contra a corrente, ad intra e ad extra da Igreja (a confusão instalou-se ao mais alto nível!) disse mais nesta referida homilia. Transcrevo algumas passagens, aquelas que me tocam mais:
  1. «Estar apegado às coisas da terra, às vezes paralisa-nos e impede-nos de ver muito mais alto. No momento actual manifestar que somos cristãos resulta-nos difícil e podem ridicularizar-nos.»
  2. «Não podemos cair na tentação da cobardia e muito menos pensar que o crente é um parasita da própria sociedade. Frequentemente querem-nos convencer de que é assim e tal não está certo.»
  3. «Sem Deus o homem perde a sua grandeza, sem Deus não existe o verdadeiro humanismo (Bento XVI).»
  4. «Na nossa época, a infracção da lei natural é frequentemente percepcionada como uma conquista do progresso (C. S. Lewis). E isto é muito grave porque a natureza cobra-se sempre seja para o bem seja para o mal.» 
Sim, de facto, não podemos cair na tentação da cobardia. De cobardes está o mundo cheio!

Desde quando um rato ou outro animal qualquer vale mais do que um bebé por nascer? Não podemos calar esta inversão de valores nem deixar atacar a VIDA HUMANA, sobretudo a mais indefesa. É verdade que devemos respeitar todas as criaturas Não por elas próprias mas por respeito para com o Criador, Deus, mas colocando cada qual no seu lugar. Estamos a entrar numa sociedade de loucos em que um rato, um piolho ou um percevejo, criaturas que nos causam tantos danos, passam a ter mais protecção do que a Pessoa Humana! Que sociedade bovina é esta? 

Parafraseando o Arcebispo de Pamplona temos de nos armar com “valentia e firmeza manifestando as nossas convicções”, a tempo e a contra-tempo, para enfrentar a guerra que nos declaram ferozmente contra o Direito Natural e a Lei Divina!

Podemos calar? Podemos ficar indiferentes como lorpas que não entendem ou não estão para se maçar face a esta guerra entre a Vida e a morte?...

… Por mim não me posso calar apesar da fadiga e da exaustão a que me leva a repetição das minhas convicções mais profundas pela VIDA há tantas décadas!

SILERE NON POSSUM!

Carlos Aguiar Gomes, Braga, 9 de Março de 2023.

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