quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

É mais fácil ver um argueiro nos olhos dos outros que um tranqueiro nos nossos

(O Cisco e a Trave 1619. Por Domenico Fetti,
atualmente no Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque)


A sabedoria popular portuguesa é fértil em metáforas sobre a natureza humana. O provérbio que dá título a este meu desabafo é, talvez, um dos retratos mais certeiros da nossa incapacidade de autocrítica e tem inspiração no Evangelho de Mateus na passagem de transcrevo de seguida:


«Não julguem ninguém e assim Deus não vos julgará! É que Deus há de julgar-vos do mesmo modo que julgarem os outros, usando a mesma medida que usarem para os outros. Por que reparas tu no cisco que está na vista do teu semelhante, e não vês a trave que está nos teus próprios olhos? Como te atreves a dizer-lhe: “Deixa-me cá tirar-te isso da vista”, quando tens uma trave nos teus olhos? Fingido! Tira primeiro a trave dos teus olhos e depois já vês melhor para tirares o cisco da vista do teu semelhante. Não deem aos cães o que é santo. Eles são capazes de se virar contra vocês e de vos despedaçar. Não deitem as vossas pérolas aos porcos! Pois eles vão pisá-las.» (Mateus 7, 1-6)


A imagem apresentada é poderosa: enquanto nos perdemos a apontar um "argueiro" - um minúsculo grão de poeira ou cisco - nos olhos de quem nos rodeia, somos incapazes de sentir ou admitir um "tranqueiro" - uma trave ou tronco enorme - que nos obstrui a própria visão.

Este fenómeno revela a facilidade e superficialidade com que nos apressamos a exercer o papel de juízes. É tentador e, de certa forma, confortável apontar as falhas dos outros. Ao criticar o pequeno erro do vizinho ou a falha de carácter de um colega, ou o que quer que seja, criamos uma ilusão de superioridade moral, projetamos nos outros as nossas frustrações, fazendo com que o argueiro nos olhos dos outros seja como que uma cortina de fumo capaz de evitar o confronto com as nossas próprias montanhas de defeitos.

Viver com um "tranqueiro" nos olhos será caminhar pelo mundo com uma visão distorcida, uma espécie de espera do comboio na paragem do autocarro no cantar de Sérgio Godinho…

A verdadeira lucidez não começa na observação dos outros, mas na coragem de olhar para o espelho. Retirar o tranqueiro dos nossos olhos é um exercício doloroso e constante; exige que troquemos o julgamento pela introspeção. Só quando admitimos as nossas próprias falhas e insucessos é que ganhamos a autoridade moral e a sensibilidade necessária para lidar com os ciscos dos outros.

Aquele que não reconhece as suas próprias faltas graves perde a capacidade de evoluir. O orgulho atua como um anestésico que nos impede de sentir o peso das nossas contradições, tornando-nos mestres na exigência e aprendizes na humildade.

Em suma, este provérbio convida-nos a uma inversão de prioridades: antes de limparmos o horizonte alheio, urge desimpedir o nosso próprio olhar.

Afinal, a justiça devia começar sempre pela autocrítica.

PS.: Como estamos no último dia deste ano do Senhor de 2025, desejo a todos, todos, todos, um bom ano de 2026... cheio, preferencialmente, de coisas boas... e de muita e boa autocrítica.

domingo, 28 de dezembro de 2025

Gosto de música… Why worry

Gosto de música… tal como já disse num anterior desabafo, não sei tocar nenhum instrumento e, já cantei melhor… mas, gosto muito, muito de ouvir boa música!…

E, entre as minhas bandas preferidas estão os Dire Straits… e, entre as grandes músicas desta grande banda está Why worry, um verdadeiro convite à esperança e à resiliência que nos diz que o amor, verdadeira força central capaz de dar sentido à vida, ao lado da entreajuda e do apoio mútuo podem superar as tristezas e as adversidades da vida, e que após a dor, aqui simbolizada pela chuva, vem o sol e com ele a alegria, reforçando a ideia de que não há motivo para nos preocuparmos, demasiado, quando se tem amor, afeto e, acima de tudo, paciência… claro está que, sempre a dose certa de cada uma das coisas!… 

Nos tempos que correm, quando, cada vez mais, vivemos obcecados, não sei bem com o quê e tenho quase a certeza que os outros também não, quando não sabemos bem para onde caminhamos e, porque caminhamos, seria bom que nos questionássemos acerca dos nossos verdadeiros propósitos e acerca “destinos” dos nossos passos… 

Ouvir boa música pode ajudar… 

Deixo o texto que merece ser ruminado e uma interpretação clamorosa desta grande obra de arte… merece ser ouvida, lida, mas, acima de tudo, escutada!… 

Baby, I see this world has made you sad
Some people can be bad
The things they do, the things they say
But baby, I'll wipe away those bitter tears
I'll chase away those restless fears
That turn your blue skies into gray
Why worry
There should be laughter after pain
There should be sunshine after rain
These things have always been the same
So why worry now
Why worry now
Baby, when I get down I turn to you
And you make sense of what I do
And though it isn't hard to say
But baby, just when this world seems mean and cold
Our love comes shining red and gold
And all the rest is by the way
Why worry
There should be laughter after pain
There should be sunshine after rain
These things have always been the same
So why worry now
Why worry now



quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Na hora de pôr a mesa, éramos cinco (*)




Na hora de pôr a mesa, éramos cinco
O meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs e eu
Depois, a minha irmã mais velha, casou-se
Depois, a minha irmã mais nova, casou-se
Depois, o meu pai morreu

Hoje na hora de pôr a mesa, somos cinco
Menos a minha irmã mais velha que está
Na casa dela, menos a minha irmã mais
Nova que está na casa dela, menos o meu
Pai, menos a minha mãe viúva

Cada um deles é um lugar vazio nesta mesa onde como sozinho
Mas irão estar sempre aqui na hora de pôr a mesa
Seremos sempre cinco
Enquanto um de nós estiver vivo
Seremos sempre cinco

(*) Poema de José Luís Peixoto

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Nossa Senhora do Ó


Nossa Senhora do Ó, Igreja de São Bartolomeu, Pontevedra

A Festa de Nossa Senhora do Ó é uma devoção Mariana instituída no Século VI pelo X Concílio de Toledo e é conhecida na liturgia pelo nome de «Expectação do Parto de Nossa Senhora».

O nome de Senhora do Ó advém do facto de, as antífonas maiores, de 18 de Dezembro à véspera de Natal, começarem sempre pela interjeição exclamática «Ó». Simboliza a gravidez da Virgem Maria: «no avultado ventre sagrado se reconhecem as esperanças do parto».

Em Portugal o culto a Nossa Senhora do Ó ter-se-ia iniciado em Torres Novas, em Santa Maria do Castelo, pela veneração de uma imagem, sita na Capela-Mor da Igreja Matriz e conhecida à época de D. Afonso Henriques por Nossa Senhora de Almondano, no tempo de D. Sancho I por Nossa Senhora de Alcáçova, e a partir de 1212 por Nossa Senhora do Ó; é Padroeira de 16 freguesias.

A devoção à Nossa Senhora do Ó procura, sobretudo, «celebrar a vida», tal como Nossa Senhora a celebrou.

Assim, nestes tempos conturbados em que vivemos, quando o direito à vida, profundamente ameaçado pela relativização da vida do bebé que, no ventre materno aguarda o dia do seu nascimento, discutindo se é ou não um ser humano, normalizado que foi o aborto, sem respeito algum pelo mais indefeso dos bebés – o que não nasceu, urge, assim, defender aquele direito primeiro do ser humano: o direito à vida!

E, podemos fazê-lo pela oração e pela ação. 

A “Novena breve a Nossa Senhora do Ó” (que publico em baixo) é um convite a orar por todos os bebés que ainda não nasceram, com Maria, que expectante, aguardou o nascimento do Seu Filho durante nove meses como qualquer outra mulher.

Nossa Senhora da Expectação ou do Ó é uma invocação muito antiga que urge recuperar neste momento da história da humanidade promovendo a sua devoção. Maria soube acolher o dom da vida em Seu Filho único, Jesus Cristo. 

Assim, possamos nós saber acolher cada filho! 

Rezemos com Maria por todas as crianças que ainda não nasceram, por todas as mães que aguardam a sua chegada e por todos os pais que saibam ser dignos do dom da paternidade.


Novena

- Avé Maria, cheia de graça
- O Senhor é convosco.
- Deus, vinde em nosso auxilio
- Senhor, socorrei-nos e salvai-nos
- Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
- Como era no princípio, agora e sempre.
- Ámen.

Reconheçamos as nossas faltas, para que possamos celebrar mais dignamente a Virgem Nossa Senhora, Mãe do Nosso Salvador, o Príncipe da Paz, sob a invocação da Expectação do Parto da Beatíssima Santa Maria.

(momento de silencio)

- Nossa Senhora do Ó, sede da Sabedoria, Mãe de Jesus.
- Protegei todas as mães que esperam a vinda de um filho


Dia 17 - Ó Sapientia

Ó Sabedoria do Altíssimo, que governais tudo com firme suavidade: vinde ensinar-nos o caminho da salvação. Ámen

Oração

Nós Te pedimos, Senhora da Expectação, que rogueis a Deus por todas as mulheres que iniciaram a sua gravidez para que possam leva-la, com felicidade, até ao fim. Por Nosso Senhor...


Dia 18 - Ó Adonai

Ó Chefe da Casa de Israel, que destes a Lei de Moisés no Monte Sinai: vinde resgatar-nos com o poder do Vosso braço.

Oração

Nós Te rogamos, Senhora da Expectação, que intercedais junto de Vosso Filho, Jesus Cristo, pelas mães que acolham o filho que trazem no ventre já no segundo mês de gravidez. Cobri-os com a vossa benção protetora. Ámen.


Dia 19 - Ó radix Jesse

Ó Rebento da raiz de Jessé, sinal erguido diante dos povos, vinde libertar-nos e não tardeis mais.

Oração

Nós Te rogamos, Senhora da Expectação, que intercedais junto de Vosso Filho, Luz dos Povos e libertador dos oprimidos, por todas as mães, especialmente por aquelas que vão já no terceiro mês da gravidez. Ámen.


Dia 20 - Ó clavis David

Ó Chave da Casa de David, que abris e que ninguém pode fechar, fechais e ninguém pode abrir: vinde e libertai todos os que vivem nas trevas do cativeiro e nas sombras da morte.

Oração

Ó Senhora da Expectação ouvi as súplicas que Vos dirigimos, purificando-as, entrega-as a Teu Filho, para que abra em nós as portas da compaixão e ilumine os corações de todas as mulheres que já vão no quarto mês de gravidez para que acolham com amor aquele filho que trazem consigo. Ámen.


Dia 21 - Ó oriens, æternæ

Ó Sol nascente, esplendor da luz eterna e Sol da Justiça: vinde iluminar os que vivem nas trevas e na sombra da morte.

Oração

Nós Te rogamos, mãe do Sol sem ocaso, da justiça plena, intercedei junto de Vosso Filho, o Sol da Justiça, por todos aqueles que não sabem ou não querem acolher o filho que lhes foi confiado e que já conta  cinco meses de vida. Ámen.


Dia 22 - Ó Rex gentium

Ó Rei das nações e Pedra angular da Igreja, vinde salvar o homem que formastes do pó da terra.

Oração

Ó Senhora da Expectação, Mãe admirável do Rei das nações rogai a Deus Pai, por Vosso Filho Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo, por todos os bebés que já com seis meses aguardam o seu dia natal e fortalecei seus pais com esperança amorosa. Ámen.


Dia 23 - Ó Emanuel

Ó Emanuel, nosso Rei e Legislador, esperança das nações e salvador do mundo: vinde salvar-nos, Senhor nosso Deus.

Oração

Ó Senhora da Expectação, que geraste o Salvador do mundo, Deus connosco, intercedei junto d'Aquele que, com Amor, trouxeste no Vosso ventre por todos os pais que aguardam expectantes o nascimento de seu filho e que já tem sete meses de vida. Ámen.


Dia 24

Ó Senhora da Expectação, ilumina os dias de todos os que aguardam o nascimento de um filho e dá a todas as mães uma hora feliz e a alegria a todos os pais no acolhimento ao filho que esperam e que já está no seu oitavo mês de vida. Ámen.


Dia 25

Ó Senhora da Aurora do Sol nascente, hoje alegram-se os Céus e a terra e os anjos cantam sem cessar: Glória a Deus! Glória a Deus pelo Filho que nos deu e por aquele que, completando-se a gravidez, vai colocar no regaço de cada Mãe e de cada Pai. Permiti que este cresça em Graça e Sabedoria e dai força necessária a seus pais para cumprirem a sua missão na alegria e na esperança. Ámen.

Pai Nosso...

Avé Maria...

Glória...

- Nossa Senhora do Ó
- Abençoais todas as mães.
- Bendigamos ao Senhor.
- Demos graças a Deus.

Oremos

Que a bênção de Deus, Pai, Filho e espírito Santo, desça sobre cada bebé que vai nascer e que a Senhora do Ó o cubra com a Sua Misericórdia. Ámen.


Fonte: www.msm-portugal.pt 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Vêm aí 3.000 euros de salário médio...

Quem poderia imaginar que, de repente e sem que nos déssemos conta, todos nos tornássemos ricos?

A prosperidade, súbita, parece invadir o discurso político nacional, particularmente depois das declarações de Luís Montenegro, Primeiro-Ministro de Portugal, em quem depositei a minha confiança, mas que, por vezes, e com as devidas e enormes diferenças, começa a recordar-me o perfil "irritantemente otimista" de António Costa (cruzes, credo, canhoto), que como bem sabemos foi o anterior (des)governante, (ir)responsável que (des)governou o país entre finais de 2015 e princípios de 2024.

Esta minha comparação, claramente infundada e manifestamente exagerada, surge a propósito de dois factos recentes:

  • Em primeiro lugar, a promessa de que o salário médio em Portugal poderá, quase como que por magia, atingir os 3.000 euros; 
  • E, em segundo, a reação do Primeiro-Ministro, à distinção atribuída pela revista ‘The Economist’ que elegeu a economia portuguesa como a 'economia do ano', na minha humilde opinião, um pouco optimista.

A economia até pode estar melhor... ouve-se muitos a dizer que sim... e sempre, outros tantos, ou até talvez mais, a dizer que está pior... a verdade é que não se sente... e, por mais que se receba, no final do mês, de uma forma geral, o saldo andará sempre perto do redondo zero!...

Isto traz-me à memória a célebre “A vida das pessoas não está melhor mas a do País está muito melhor”, proferida em tempos duros para muitos de nós… Espero que o otimismo de Luís Montenegro, agora, no atual contexto, com Portugal considerado a “Economia do Ano” de 2025, liderando, imagine-se, o ranking das 36 economias mais ricas do mundo, traga melhorias nas vidas das pessoas. 

Espero que tudo isto não passe apenas de mais um exemplo de otimismo – talvez tão irritante quanto o do antigo Primeiro-Ministro, que durante oito anos alimentou esperanças sem resultados visíveis para a vida quotidiana de todos nós. 

Fica o desejo sincero de que, desta vez, a realidade acompanhe as palavras e que não sejamos, mais uma vez, desiludidos.


quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Dia Internacional dos Direitos Humanos - 10 de dezembro


Hoje, 10 de dezembro, comemora-se o Dia Internacional dos Direitos Humanos, uma data que marca um momento decisivo na história mundial: a proclamação da Declaração Universal dos Direitos Humanos. 

Proclamada em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos consiste em 30 artigos que organizam e definem os direitos universais, indivisíveis e inalienáveis de todos os seres humanos. Este documento reconhece a igual dignidade e valor de cada pessoa, sem distinção de origem, crença ou condição. 

Com a proclamação da declaração, a comunidade internacional alcançou um consenso fundamental: os direitos humanos são inerentes a todos, não podendo ser concedidos ou retirados por qualquer pessoa ou Estado. 

Este compromisso transformador continua a ser uma referência essencial para a construção de sociedades mais justas, inclusivas e pacíficas. A sua importância é cada vez mais evidente, especialmente nos tempos atuais. 

Em Portugal, através da Resolução da Assembleia da República n.º 69/98, o dia 10 de dezembro foi instituído como Dia Nacional dos Direitos Humanos. 

A celebração desta data histórica evidencia não só a longevidade do compromisso com os direitos humanos, mas também a sua relevância contínua. Defender esses direitos permanece uma necessidade urgente, talvez ainda mais crítica no presente do que em outros períodos da nossa história. 

A seguir, apresenta-se a Declaração Internacional dos Direitos Humanos, conforme adotada e  proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas (resolução 217 A III) em 10 de dezembro 1948:

Preâmbulo

Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo,

Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da humanidade e que o advento de um mundo em que mulheres e homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do ser humano comum,

Considerando ser essencial que os direitos humanos sejam protegidos pelo império da lei, para que o ser humano não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra a tirania e a opressão,

Considerando ser essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações,

Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua fé nos direitos fundamentais do ser humano, na dignidade e no valor da pessoa humana e na igualdade de direitos do homem e da mulher e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla,

Considerando que os Países-Membros se comprometeram a promover, em cooperação com as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos e liberdades fundamentais do ser humano e a observância desses direitos e liberdades,

Considerando que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mais alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso,

Agora portanto a Assembleia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Direitos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade tendo sempre em mente esta Declaração, esforce-se, por meio do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Países-Membros quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.

Artigo 1

Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.

Artigo 2

1. Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição. 

2. Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política, jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate de um território independente, sob tutela, sem governo próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania.

Artigo 3

Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

Artigo 4

Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas.

Artigo 5

Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.

Artigo 6

Todo ser humano tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei.

Artigo 7

Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.

Artigo 8

Todo ser humano tem direito a receber dos tribunais nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei.

Artigo 9

Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.

Artigo 10

Todo ser humano tem direito, em plena igualdade, a uma justa e pública audiência por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir seus direitos e deveres ou fundamento de qualquer acusação criminal contra ele.

Artigo 11

1.Todo ser humano acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa. 

2. Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. Também não será imposta pena mais forte de que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso.

Artigo 12

Ninguém será sujeito à interferência na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataque à sua honra e reputação. Todo ser humano tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.

Artigo 13

1. Todo ser humano tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado. 

2. Todo ser humano tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio e a esse regressar.

Artigo 14

1. Todo ser humano, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países. 

2. Esse direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos objetivos e princípios das Nações Unidas.

Artigo 15

1. Todo ser humano tem direito a uma nacionalidade. 

2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade.

Artigo 16

1. Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer restrição de raça, nacionalidade ou religião, têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração e sua dissolução. 

2. O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes. 

3. A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção da sociedade e do Estado.

Artigo 17

1. Todo ser humano tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros. 

2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.

Artigo 18

Todo ser humano tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; esse direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença pelo ensino, pela prática, pelo culto em público ou em particular.

Artigo 19

Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; esse direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.

Artigo 20

1. Todo ser humano tem direito à liberdade de reunião e associação pacífica. 

2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.

Artigo 21

1. Todo ser humano tem o direito de tomar parte no governo de seu país diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos. 

2. Todo ser humano tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país. 

3. A vontade do povo será a base da autoridade do governo; essa vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto.

Artigo 22

Todo ser humano, como membro da sociedade, tem direito à segurança social, à realização pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade.

Artigo 23

1. Todo ser humano tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego. 

2. Todo ser humano, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho. 

3. Todo ser humano que trabalha tem direito a uma remuneração justa e satisfatória que lhe assegure, assim como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social. 

4. Todo ser humano tem direito a organizar sindicatos e a neles ingressar para proteção de seus interesses.

Artigo 24

Todo ser humano tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e a férias remuneradas periódicas.

Artigo 25

1. Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e à sua família saúde, bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis e direito à segurança em caso de desemprego, doença invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle. 

2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social.

Artigo 26

1. Todo ser humano tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito. 

2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos do ser humano e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz. 

3. Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos.

Artigo 27

1. Todo ser humano tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do progresso científico e de seus benefícios. 

2. Todo ser humano tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica literária ou artística da qual seja autor.

Artigo 28

Todo ser humano tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados.

Artigo 29

1. Todo ser humano tem deveres para com a comunidade, na qual o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível. 

2. No exercício de seus direitos e liberdades, todo ser humano estará sujeito apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática. 

3. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos objetivos e princípios das Nações Unidas.

Artigo 30

Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos.

domingo, 7 de dezembro de 2025

"Lentamente"... uma história de amor...

Gosto de música!... Ouço um pouco de tudo, mas a minha atenção recai especialmente sobre as décadas de 70, 80 e início dos anos 90. Estes períodos musicais oferecem-me uma variedade de sonoridades que continuam a fascinar-me.  

Sinto uma afinidade particular por géneros como rock, pop, fado (tradicional e moderno), eletrónica...  não sou amante de jazz, nem tampouco de música clássica... gosto de bons poemas bem musicados... e destaco o "indie pop" e o "indie rock" como estilos que despertam em mim um interesse muito particular. No contexto nacional e no chamado "indie tuga" ocupa um lugar de destaque nas minhas escolhas pessoais, a banda portuguesa Capitão Fausto. Surgiu em 2010 com o lançamento do EP auto-intitulado "Capitão Fausto" e, desde então, têm vindo a afirmar-se como uma referência no panorama musical português, penso eu, conquistando fãs com o seu estilo próprio e inovador…

Sinceramente, não consigo precisar o momento exato em que os ouvi pela primeira vez, mas a verdade é que desde que os ouvi, rapidamente se tornaram parte integrante do meu quotidiano musical. Ainda não tive a oportunidade de a escutar ao vivo, mas são uma companhia frequente, marcando presença em quase todas as minhas playlists, servindo muitas vezes de banda sonora para diferentes momentos do meu dia.  

Com um estilo que muitos classificam como urbano-depressivo, com sons melódicos que nos entram alma adentro, lá vamos ouvindo "Põe o maço na mesa / a mão na Teresa / e os pés no chão", "Morro na Praia" e “Trabalhar nunca me fez bem nenhum / Mas é melhor que ver o tempo a passar”, "Não se pode tar sempre bem", mas "Amanhã Tou Melhor", mesmo se se "Têm os Dias Contados", e que "Nada Muda" porque "longa é a subida e não vai dar com cada um para seu lado", até porque "Nada de mal", "nada de mal há-de aparecer" já que "existe um final e que é natural que não dê para prever" até porque "Há sempre um fardo" e “é bom saber / Que existe a razão pra ter tanta ansiedade”, mesmo que seja numa "Nuvem negra"... na qual "Muitos dias virão"... canção que abre o disco "A Invenção do Dia Claro", onde nos é dito no seu refrão: 

“Enquanto há tempo fazemos a festa, fachada desta nossa tristeza 
Há-de haver festa num sítio onde malta se possa juntar 
Fazemos a festa com gente cheia desta tristeza 
Há-de haver festa até se for para estar a chorar” 

Entre esta muito bem sucedida amalgama de sons e textos, uns divertidos, outros melancólicos, que nos mandam ser felizes, ao mesmo tempo que nos chamam a atenção para as frustrações que a vida nos apresenta, há uma que gosto mesmo muito... "Lentamente"... uma história de amor... 

“Qual é que é a guerra que acaba amanhã? 
Só quero que aconteça sempre perto de ti 
Sempre os dois em terra, meu amor 
Sabemos que a guerra volta sempre no fim 
Volta sempre no fim 

(Meu amor, só tu me podes mudar) 
Mas a alegria que me dás compensa, foste quem eu escolhi 
(Meu amor, só tu me podes mudar) 
Não há um dia que eu não pense em ti 

Nesta primavera trouxeste o calor 
Tapaste aquela cova do inverno que eu vi 
Sempre tão sincera, meu amor 
Que tanto me dás e pouco pedes para ti 
Pouco pedes para ti 

(Meu amor, só tu me podes mudar) 
Eu tenho todos os defeitos que viste e continuas aqui 
(Meu amor, só tu me podes mudar) 
Não há um dia que eu não pense em ti 

Mas lembra-te bem quando eu te digo 
Que moras dentro do meu peito 
Agora não importa 
Se ainda não bateste com a porta 
Mas eu fico à porta, não consigo entrar 
Não está nas nossas mãos 
Se o tempo nos vai manter juntos 
Ao menos vou perder o medo 
De não conseguir, p'ra poder tentar 

Em toda a falha há sempre alguma virtude 
É só preciso encontrar 
Não vale a pena 'tar à espera que mude 
Eu posso sempre tentar 

(Meu amor, só tu me podes mudar) 
Eu tenho todos os defeitos que viste e continuas aqui 
(Meu amor, só tu me podes mudar) 
Não há um dia que eu não pense em ti 

Qual é que é a guerra que acaba amanhã 
Se em vez de nos matarmos nos tentarmos manter 
Sempre os dois em terra? E talvez amanhã 
Com a nossa eterna guerra consigamos viver 
Volta sempre no fim 

(Meu amor, só tu me podes mudar) 
Mas a alegria que me dás compensa, foste quem eu escolhi 
(Meu amor, só tu me podes mudar) 
Não há um dia que eu não pense em ti 

Mas lembra-te bem quando eu te digo 
Que moras dentro do meu peito 
Agora não importa 
Se ainda não bateste com a porta 
Mas eu fico à porta, não consigo entrar 
Não está nas nossas mãos 
Se o tempo nos vai manter juntos 
Ao menos vou perder o medo 
De não conseguir, p'ra poder tentar 

Não está nas nossas mãos 
Se o tempo nos vai manter juntos 
Ao menos vou perder o medo 
De não conseguir, p'ra poder tentar” 


PS.: hoje passam 27 anos e três meses que comecei a namorar com a Rosinha... que grande história de amor!!! 🌹🩷

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

São Geraldo, Arcebispo Metropolita de Braga


O dia 5 de dezembro é dedicado a São Geraldo, venerado como padroeiro da cidade de Braga.

Braga, “capital” do Minho, cidade localizada no norte de Portugal, destaca-se não apenas pela sua antiguidade, mas também pelo papel central que desempenha na história do cristianismo. Considerada uma das cidades cristãs mais antigas do mundo, reúne uma tradição espiritual profunda que atravessa séculos. 

Foi fundada durante o período do império romano sob o nome de Bracara Augusta e preserva uma história viva que ultrapassa dois milénios. Ao longo dos tempos, tornou-se um centro religioso e cultural de referência, mantendo-se como um símbolo do desenvolvimento espiritual e social de Portugal. 

Mas, voltemos a São Geraldo… ora, Geraldo nasceu na Fasconga, atual França e iniciou sua vida religiosa na Abadia de Moissac. Destacou-se por ser um homem de grande saber e fé, além de mestre nas áreas de gramática e música. A sua inteligência e virtude foram reconhecidas, o que contribuiu para que tenha sido incumbido da honra/função de Arcebispo de Braga em 1096, tendo governado a Diocese durante doze anos, até 1108.

No seu governo, de escassos 12 anos, destacou-se como um reformador zeloso tendo promovido mudanças significativas na vida moral, eclesiástica e administrativa da Arquidiocese de Braga.  

Determinado a restituir à Igreja de Braga a dignidade de Metrópole da Província da Galiza, São Geraldo empreendeu duas viagens a Roma. Como reconhecimento dos seus esforços, recebeu do Papa Pascoal II, em 1103, o Pálio de Arcebispo Metropolita, distinção que consolidou Braga como capital da província eclesiástica, tornando-a metrópole com jurisdição sobre as dioceses do Porto, Viseu, Lamego, Coimbra, Lugo, Mondonhedo, Pontevedra, Ourense e Astorga. 

Além das reformas e da luta pelo estatuto metropolitano, São Geraldo dedicou-se à reconstrução da cidade de Braga, empenhando-se em restaurar a urbe das ruínas acumuladas ao longo de séculos de devastação. Destacou-se especialmente pelo impulso dado à construção da Catedral, que, embora já estivesse inaugurada, se encontrava ainda incompleta. O seu envolvimento foi decisivo para o avanço das obras, contribuindo para a consolidação do património religioso e arquitetónico da cidade. 

São Geraldo contou com o apoio do conde D. Henrique e da condessa D. Teresa o que lhe permitiu que desempenhasse um papel notável no florescimento espiritual e político que antecedeu a fundação de Portugal. Segundo a tradição, São Geraldo terá sido o responsável pelo batismo de Afonso Henriques, aquele que viria a ser o primeiro Rei de Portugal, ligando assim, a sua memória diretamente aos primórdios da nação. 

A memória de São Geraldo está inseparavelmente ligada ao famoso “Milagre da Fruta”:  

“Encontrava-se São Geraldo muito doente, às portas da morte, em Bornes, na terra fria, nos princípios de dezembro cercado no tugúrio onde se refugiara com os seus familiares, fugindo à neve que abundantemente por aquelas terras caía. Nos ardores da febre que o consumia, pede a um dos seus familiares que lhe traga algumas peças de fruta, para apagar a sede e dar um pouco de alento ao seu debilitado corpo. 

Contudo, o seu familiar respondeu-lhe que naquele lugar e com aquele tempo invernoso as árvores estavam despidas de folhagens e frutos. Poder-se-ia encontrar pelo chão algumas castanhas e nada mais. 

A esta observação respondeu São Geraldo: 

- Vai e procura! 

Então, por uma frincha da porta por onde estava o regelante frio, o servo viu que as árvores, lá fora, ao redor do terreiro, estavam recheadas de frutas.” 

Faleceu em Bornes, Vila Pouca de Aguiar, a 05 de dezembro de 1108, tendo o seu corpo sido trazido para Braga, para ser sepultado na capela que edificara em honra de São Nicolau, junto da Sé, num sepulcro que havia sido transportado do Mosteiro de Tibães. 

A capela foi objeto de obras no século XVIII por ordem de D. Rodrigo de Moura Teles, que lhe acrescentou o retábulo em talha dourada e os painéis de azulejos, autoria de António Oliveira Bernardes, que relatam a vida de São Geraldo.

No ano de 1182, São Geraldo aparece mencionado como padroeiro da Arquidiocese. No entanto, desde 1985 é “apenas” padroeiro da cidade de Braga, sendo São Martinho de Dume o padroeiro da Arquidiocese.

No dia de São Geraldo, a capela em sua honra abre-se, para mostrar os altares ornados de frutos, em vez das tradicionais flores.  

É na capela de São Geraldo, na Sé de Braga, que, desde 1975, se encontra ereta canonicamente a Militia Sanctæ Mariæ em Portugal. 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Para memória futura: “A presença de Filipe Lima na reunião incomodou porque ia fazer perguntas sérias sobre o PDM”

 


Francisco Sá Carneiro - 45 anos depois!…



(…) Mais importante do que a doutrinação é levar as pessoas a pensarem, a criticarem, a discernirem. Nem se estranhe que pensemos o Partido também como difusor de ideias, como estimulante da acção e da crítica pessoais. Se não formos também isso renunciaremos à dimensão cultural e ética da política, transformá-la-emos, e a toda a nossa acção, em mero jogo de vulgaridades que só os medíocres e oportunistas aceitarão.
– FRANCISCO SÁ CARNEIRO –1976-06-14
(Parte II - Depoimento pelo 100º número do Povo Livre)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Candidato Casimiro Baltazar da Conceição

O cenário político atual é marcado por um número inédito de candidatos, todos ávidos por conquistar a atenção e o voto dos eleitores. 

Esta multiplicidade de figuras, umas políticas, outras nem por isso mas arrogadas desse estatuto,  resulta numa verdadeira competição de promessas, onde cada candidato procura destacar-se, muitas vezes recorrendo a discursos apelativos e garantias que dificilmente se concretizam.

Surgem frequentemente estratégias baseadas em promessas vãs que vão desde bens materiais até obras públicas grandiosas que raramente saem do papel, ou simplesmente uniões que sabemos não ser aquilo que realmente se pretende. 

Este jogo político, foi claramente ironizado no poema musicado de Sérgio Godinho, “Cuidado Com As Imitações”. Nele faz alusão direta a esses “homens que mandam” [ou que querem mandar], mestres em prometer tudo e mais alguma coisa.

Com leves doses de sarcasmo para retratar a realidade política, Sérgio Godinho não faz apenas uma crítica bem-humorada; este poema é, acima de tudo, um alerta sério sobre a importância da autenticidade e sobre os perigos da manipulação. 

Através da personagem Casimiro Baltazar da Conceição, alguém capaz de ver além das aparências e das promessas ocas que nos são apresentadas, somos convidados a refletir sobre quem realmente merece a nossa confiança. 

Mais do que nunca, é essencial observar os detalhes e analisar as intenções que se escondem por trás dos discursos. A tentação de acreditar em figuras carismáticas, que parecem honestas ou eloquentes, é grande. Contudo, essas qualidades por si só não garantem a veracidade nem a integridade dos candidatos. Não basta uma pessoa falar bem, apontar defeitos nos outros ou afirmar ter passado por todas as experiências possíveis. Nem tampouco basta adotar uma postura de salvador, como se fosse um D. Sebastião, regressado num dia de nevoeiro, de uma qualquer batalha, ganha ou perdida, e que se apresenta, com soluções milagrosas, como o único capaz de resolver todos os problemas que possam existir (criando-os mesmo quando eles não existem!).

E depois? Depois vem-me à memória o conselho de Casimiro, aquele homem com “um olho no meio da testa”, “para além dos outros dois”, e com “as orelhas equipadas com radar”: “Cuidado Casimiro, cuidado com as imitações.” 

Este alerta é completamente atual e necessário. Nestes tempos de tantas campanhas e tantos candidatos, devemos manter um olhar crítico, não nos podemos deixar enganar por aparências ou falsas promessas; temos que exigir autenticidade daqueles que se propõem a liderar. Só assim poderemos evitar cair nas armadilhas da manipulação e escolher, com consciência, quem realmente merece a nossa confiança.

Enfim... 


Aqui vai...