quinta-feira, 6 de abril de 2023

SILERE NON POSSUM // n.º 32 // Carlos Aguiar Gomes


SILERE NOM POSSUM

(Não me posso calar – Santo Agostinho)

“Para destruir um povo é preciso destruir as suas raízes.” (Alexandre Soljenitsyne)

Carta aos meus amigos - n.º 32

BRAGA, 06 - ABRIL - 2023

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PAX



… Cortem-se as raízes às árvores e vejam o que sucede…

PENSAR A FAMÍLIA, COM A FAMÍLIA E PARA A FAMÍLIA


As políticas vocacionadas para as famílias (e, talvez, para outras áreas!), devem basear-se em alguns princípios que vou enumerar mas que não irei desenvolver. Assim, as políticas dedicadas às famílias devem respeitar e promover:

- A UNIVERSALIDADE, que olha e trabalha para todas as famílias, sem qualquer excepção;

- A GLOBALIDADE de cada família que deve ser entendida como um todo que é muito mais do que a soma das partes e que, por isso, exige políticas abrangentes e não sectoriais nos apoios às famílias. Estas devem ser consideradas no seu processo evolutivo, desde a sua formação até à morte dos seus fundadores, pai e mãe, sem esquecer as raízes, os avós, e os seus ramos, os filhos e netos. Além disso, deve ter-se sempre em conta a sua bio-psico-socialidade sem pôr à margem a vertente espiritual.

- A SUBSIDARIEDADE, que deve respeitar, promover e apoiar o respeito pela unidade basilar da sociedade, contribuindo para a capacitação de cada família, convidando-as e convocando-as para um desempenho de todas as capacidades, deveres e direitos que, por inerência lhes cabem e que, só em situações pontuais de incapacidade se podem ultrapassar. O Estado deve só intervir quando as famílias estiverem numa situação incapacidade de ser ela própria a resolver os seus problemas. Está nesta perspectiva, por exemplo, o cumprimento dos deveres educativos por parte dos pais, direito fundamental de que os pais nunca devem abdicar. Não podemos admitir um Estado educador das crianças e jovens. Assim, o PRINCÍPIO DA SUBSIDARIEDADE obriga à liberdade de educar e aos pais o reconhecimento efectivo de serem aqueles a escolher o tipo de educação a ministrar a seus filhos sem que , por isso, sejam penalizados como sucede actualmente.

- A SOLIDARIEDADE que está atenta às diferentes e multifacetadas debilidades de algumas famílias que esperam e devem ter o apoio da sociedade, a começar pelos detentores do serviço político. Como referi acima, estas debilidades devem abranger a globalidade da pessoa que é cada membro da família.

- A REPRESENTATIVIDADE que, é profundamente democrática e se entrosa com o Princípio da Subsidariedade e que desenvolve processos de escuta activa das famílias, isoladas ou associadas, procurando conhecer quais são os seus anseios e as suas legítimas aspirações/ reivindicações/carências … As famílias devem exercer o direito/dever de se expressarem sempre que as políticas interfiram com o bem-estar e justiça das famílias. O Estado deve ter a preocupação de sempre ouvir os anseios das famílias e nunca ousar substituir-se a elas. Daí a importância de organismos representativos estarem presentes nas grandes linhas de intervenção sócio-política e económica. 

São estas algumas das propostas que seria bom promover, a bem do Família, como célula-base de toda a sociedade e por onde, já hoje, passa o futuro da humanidade.

Não podemos calarmo-nos perante os ataques contra a Família e a sua estrutura natural, venham de onde vierem, a “tempo e a contra-tempo”.

Não podemos ficar indiferentes face aos modelos, da chamada pomposamente de “engenharia social”, puramente ideológicos que campeiam sem cabresto nos media, nas escolas e em muitos meios culturais e políticos e que estão a impor a toda a sociedade que não pode comportar-se com uma imbecilidade muda.

Eu não posso calar-me!

Não me calarei!

SANTA E FELIZ PÁSCOA COM CRISTO RESSUSCITADO!

SILERE NON POSSUM!

Carlos Aguiar Gomes, Braga, 06 de abril de 2023.

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