Cumpriram-se, na passada segunda-feira, 49 anos sobre aquela madrugada em que um punhado (grande) de militares (heróis) deram a volta ao estado a que o Estado tinha chegado e puseram fim ao Estado (bafiento) a que se chamava de Novo.
Neste dia, e nos que se lhe seguiram, em Portugal, muitos caminharam juntos (outros nem por isso) para a construção de um país livre e democrático, um país melhor.
Volvidos estes 49 anos, somos, muitas vezes, confrontados com sentimentos contraditórios… sei bem que a larga maioria dos nossos concidadãos considera que o Portugal saído do 25 de abril é muito melhor que o Portugal do 24 de abril de 1974… no entanto, haver quem pense o contrário, deve ser suficiente para tirar o sono a todos aqueles que têm a responsabilidade de gerir a coisa pública.
O Portugal do 24 de abril de 1974 era (como ainda hoje é) um país pobre; era um país de partido único; não havia eleições livres e a maioria das mulheres não podia votar; não havia liberdade de imprensa; havia censura; havia a PIDE; não havia Liberdade.
O Portugal de hoje é aquilo que se vê; é aquilo que, livremente, escolhemos que seja; é aquilo que, alguns fazem ser e que outros se abstêm de fazer.
Nasci em 1977… conheço o 24 de Abril pelos livros, pelos filmes, pelos testemunhos dos que viveram o Estado “Velho”… conheço o 25 de Abril pelos livros, pelos filmes, pelos testemunhos dos que viveram esta importante época da nossa história e pelas consequências que tiveram na minha e na nossa via. E isso é suficiente para afirmar que não me consigo imaginar a viver em qualquer outro regime que não este, que não sendo perfeito, é tal como disse um dia Winston Churchill "o pior dos regimes, à exceção de todos os outros".
As conquistas de Abril, a Democracia e a Liberdade são valores de todos e para todos e são demasiadamente valiosos para as considerarmos definitivamente construídas e consolidadas.
Há muito ainda que aperfeiçoar. Haverá sempre algo a corrigir. Urge inverter esta triste realidade que nos confronta diariamente com acontecimentos, locais e nacionais, que, empolados por uns e desvalorizados por outros, fazem perigar esta enorme conquista e levam ao surgimento de descontentamentos que alimentam descrenças, populismos e populistas.
A Liberdade e a Democracia conquistadas em 25 de Abril de 1974, depois consolidada em 25 de Novembro de 1975 e confirmadas na CRP de 1976 são os ganhos mais marcantes da nossa história recente; são, no essencial, aquilo que, entre outras coisas, nos deu a possibilidade de hoje estarmos aqui!... mas deu-nos também a responsabilidade de, estando aqui, honrarmos o voto de todos aqueles que em nós depositaram a sua confiança.
Não nos podemos nunca esquecer que cabe a todos nós, com poderes executivos ou deliberativos, membros dos diversos executivos ou da oposição, corresponder com trabalho sério e dedicado à confiança que em nós foi depositada.
Se o fizermos estaremos a dar razão a todos aqueles que se deixam levar por populismos e populistas ou que, resignados com o estado a que o nosso Estado está a chegar, se demitem do dever de escolher quem querem à frente dos destinos da sua Freguesia, Concelho ou País.
Termino…
O 25 de abril fez-se comandado pelos valorosos Capitães de Abril que comandaram um largo número de militares. PTL julgo não ter Capitães… mas teve com toda a certeza muitos Soldados que, ao seu lado, marcharam pela liberdade neste dia… e para além dos militares, muitos outros nossos concidadãos, civis, viveram estes dias com a mesma força e alegria.
Agora que se aproxima a comemoração dos 50 anos desta importante data, e porque Ponte de Lima não lhe pode passar ao lado, julgo que seria importante assinalar esta data com uma sessão solene onde estivessem representados e com intervenção todas as forças políticas designadamente partidos e os movimentos independentes; para além disso, proponho que sejam recolhidos os nomes dos militares que participaram nas ações militares deste dia e eventualmente as suas impressões e testemunhos.
Ponte de Lima, 28 de abril de 2023,
Filipe Amorim,
Presidente da Junta de Freguesia de Rebordões (Souto)
Sem comentários:
Enviar um comentário