quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Há, nos confins da Ibéria, um povo que não se governa nem se deixa governar...

Os combatentes romanos chegaram à Península Ibérica, onde encontraram tribos locais, sem qualquer organização, que ofereceram uma feroz resistência. 

Os homens de Roma, organizados por natureza, acharam bizarro que, durante vários séculos de guerra, estes povos, apenas tivessem tido e, por pouco tempo, Viriato, permanecendo perpétuamente habituados àquilo que hoje se chamaria o regular funcionamento das instituições. 

Farto desta organização completamente desorganizada, Júlio César, certamente arrependido por ter posto aqui os pés, desabafou, ‘Há nos confins da Ibéria um povo que não se governa nem se deixa governar’…



Importa aqui recordar uma afirmação de  Joana Sá Pereira, deputada do PS, em reunião plenária da Assembleia da República no dia 3 de junho de 2020 segundo a qual, "O vírus [que provoca a COVID-19] teve, diria, talvez o azar de encontrar pela frente um povo experimentado e um Governo capaz."

Nesta sua intervenção, a sra deputada referia-se, essencialmente, ao digital, esta maravilha dos nossos tempos que nos faz tão próximos de tudo, e que ao mesmo tempo nos afasta de tudo. Dizia a sra deputada que "Neste contexto tão acelerado e, ao mesmo tempo, de tão incerta mudança, o mundo, também digital, já não é uma coisa para o futuro. Dos mais jovens aos mais velhos, as ferramentas digitais são um recurso obrigatório. Este aspeto torna claro que a visão de digitalização para as escolas que o Governo trouxe para esta Legislatura não era uma inevitabilidade, era mesmo uma necessidade. Por isso, Sr. Primeiro-Ministro, pergunto se a aposta na digitalização das escolas, no apoio ao ensino, irá ser reforçada e se o acesso universal à internet passará a ser uma realidade próxima."

Ora, passados que estão seis meses, e tendo em conta a proporção das coisas, apetece-me dizer que Portugal tem um povo experimentado, aliás, MUITO EXPERIMENTADO, em deixar-se desgovernar por GOVERNOS INCAPAZES.

Digo isto com a mágoa de ver que, depois de tudo o que foi dito, depois de tudo o que foi prometido, depois de uma primeira vaga da pandemia que afetou principalmente idosos residentes em lares, depois de uma segunda vaga que, novamente, afetou principalmente idosos residentes em lares, veio uma terceira vaga que, fez com que um quarto das mortes por COVID-19 tenham sido idosos residentes em lares... mais de 800 nos últimos 15 dias. 

A triste estatística diz-nos que desde o inicio da pandemia, mais de três mil idosos residentes em lares perderam a vida com COVID-19 em Portugal. Destes, cerca de dois mil, só nos últimos dois meses.

Que triste povo tão mal governado que não entende como isto pode ser possível... Que triste (des)governo que se revela tão incapaz. Que infelicidade pensar que somos (des)governados por alguém que, nas palavras do sr. Presidente da Assembleia da República, Dr Ferro Rodrigues, não aprendeu as "lições da primeira fase e não retir[ou] lições para a evolução da situação em julho e em agosto"... e muito menos para outubro, novembro, dezembro, janeiro... Será que conseguirá tirar para os meses que se seguem? Tenho dúvidas!...

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