quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Uma eternidade...


Marcelo Rebelo de Sousa, em janeiro de 2014, no tempo em que, comentador, nos entrava casa a dentro com as suas opiniões, a respeito do mandato de Presidente da República disse:

"Dez anos, para um Presidente, é demais. Não é por acaso que França reduziu [o tempo de mandato]: deixou de haver dois mandatos para passar a haver um mandato mais longo. A experiência mostra, olhando para isto, que dez anos é uma eternidade".

Disse ainda:

“Defendo um mandato de seis ou sete anos, mas um só mandato, sem possibilidade de reeleição. Porque, em '76, quando eu votei a Constituição, era outro mundo. Dez anos em '76 equivale a quase 25 anos hoje. Hoje, é uma eternidade”.

E acrescentou:

"Aliás, deixo essa sugestão para os futuros candidatos presidenciais. Que proponham aos partidos, porque têm de ser eles a rever a Constituição, que reduzam um futuro mandato apenas a um e não dois — mais longo, seis anos, sete anos. E, no caso de isso não acontecer, assumam o compromisso de serem [Presidentes da República] só por um mandato”.

Ora, posto isto, e porque foi candidato em 2016, e nada propôs aos partidos no sentido de rever a Constituição, creio que o mais correto seria assumir o compromisso que propôs aos candidatos, ou seja, ser Presidente da República "só por um mandato" para não ter de sofrer a eternidade de cumprir um mandato no qual, de certo, não se sentirá bem.




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