domingo, 11 de outubro de 2020

Repensar o Natal


"Se é preciso repensar o Natal em família, repensa-se o Natal em família", Marcelo Rebelo de Sousa, 09 de outubro de 2020

"É preciso também repensar os programas de amigos e é preciso ter precaução. Estamos no pico e vamos fazer um esforço para tornar a situação mais fácil”, Marcelo Rebelo de Sousa, 09 de outubro de 2020

"As confraternizações familiares são responsáveis por 67% dos casos de covid-19 nos últimos dias", Graça Freitas, 09 de outubro de 2020

As palavras do senhor Presidente da República e da senhora Diretora-geral da Saúde têm o condão de nos recordar a experiência da Páscoa, celebrada durante a vigência do estado de emergência, e que impediu tradicionais festas pascais, tão características das nossas terras, para além, das deslocações entre concelhos ao mesmo tempo em que se aplicava o dever de recolhimento domiciliário.

Nessa altura, fomos um exemplo para todos... e conseguimos fazer rapidamente aquilo que outros não conseguiram ou não quiseram fazer e que consubstanciou no tão desejado aplanar da curva da COVID-19.

Estranhamente, ou nem por isso, rapidamente nos esquecemos que a COVID-19 anda por aqui... estranhamente, ou nem por isso, os nosso (des)governantes, devidamente apoiados no e pelo nosso Presidente da República, passamos a viver como se a COVID-19 tivesse passado e até nos indignamos quando os ingleses impuseram a quarentena a quem visitasse Portugal.

Esta foi a fase em que a ciência perdeu para o dinheiro; imposta a ilusão do afastamento social, a falsa segurança da máscara, tantas vezes tão mal colocada, começamos a viver na nova realidade, mas esquecendo a realidade real que nos dizia que a COVID-19 não tinha acabado.

Agosto chega ao fim... com setembro começam as aulas... acabam as férias... reabrem as fábricas...

E a COVID-19, que por aqui continua, toma proporções tais que nos trazem à memória os tempos de março e abril.

E, eis que de repente, e depois de um verão na praia, de máscara na cara, nos é dito que não podemos jantar em família, e que devemos repensar o Natal. E, tudo isto acontece depois das comemorações do 25 de abril, da manifestação do Primeiro de Maio, de continuarmos sem público nos estádios de futebol (salvo as excepções dos dois jogos da Seleção Nacional), mas assistirmos à festa do Bruno Nogueira na qual participaram o sr Primeiro-ministro, ao concerto do Pedro Abrunhosa, novamente com a participação do sr Primeiro-ministro, à Festa do Avante, aos jogos de futebol com a presença do sr Presidente da República, da F1 e do Moto GP (que se realizam brevemente) para além de muitas outras iniciativas com as quais nos queriam dizer que nāo havia problema.

Enfim... estranho tempo este! em que andamos todos mascarados, em que não podemos tossir ou espirrar sem que todos nos olhem com desconfiança.

E assim, rapidamente chegaremos ao Natal que terá de ser repensado...

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