Em 25 de julho de 1139, dia de São Tiago, Afonso Henriques derrota na Batalha de Ourique um exército muçulmano cinco vezes maior.
A vitória foi tão grande que D. Afonso Henriques foi aclamado pelas suas tropas Rei de Portugal, sendo o título, de jure, reconhecido pelo rei de Leão, Afonso VII, em 1143 mediante o Tratado de Zamora e, posteriormente o reconhecimento formal pela Santa Sé em Maio de 1179, através da bula Manifestis probatum, do Papa Alexandre III.
Este acontecimento marcou de tal forma a história de Portugal que foi retratado no brasão de armas da nação portuguesa: no escudo, quinas representam os cinco reis mouros que D. Afonso Henriques derrotou na Batalha de Ourique, e os pontos no interior de cada quina representam as cinco chagas de Cristo que lhe apareceu nesta batalha e que Luís de Camões tão bem perpetuou n’Os Lusíadas:
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«A matutina luz, serena e fria,
As Estrelas do Pólo já apartava,
Quando na Cruz o Filho de Maria,
Amostrando-se a Afonso, o animava.
Ele, adorando Quem lhe aparecia,
Na Fé todo inflamado assi gritava:
– «Aos Infiéis, Senhor, aos Infiéis,
E não a mi, que creio o que podeis!»
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«Com tal milagre os ânimos da gente
Portuguesa inflamados, levantavam
Por seu Rei natural este excelente
Príncipe, que do peito tanto amavam;
E diante do exército potente
Dos imigos, gritando, o céu tocavam,
Dizendo em alta voz: – «Real, real,
Por Afonso, alto Rei de Portugal!»
📖 Os Lusíadas, Canto III [Est. 45-46]
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