Senhoras e Senhores,
Chegou o momento de dirigir a minha última palavra a esta Assembleia como presidente de Junta de Freguesia, cargo que tive a honra de exercer durante doze anos ao serviço desta querida Freguesia. O tempo é feito de ciclos, e no final do próximo mês de outubro fecho um capítulo marcante da minha vida, guiado pelo sentimento profundo de gratidão e orgulho pelo caminho trilhado.
Nestes doze anos, testemunhei a mudança e a afirmação da nossa comunidade. Testemunhei algum crescimento. Como todos sabem, vivi dificuldades pessoais e, apesar de já o ter feito muitas vezes, aproveito mais este momento para agradecer todo o apoio que recebi de todos nesses momentos difíceis.
Como comunidade, vivemos desafios exigentes, decisões complexas e, momentos de incerteza, de insegurança como foi a luta contra a COVID.
Mas, acima de tudo, penso que estes doze anos, representam para todos, momentos de conquista partilhada. Tentei gerir a Junta de Freguesia da melhor forma que sabia e com as armas e ferramentas que tive ao meus dispor. Tentei ouvir sempre todos… o meu telefone nunca se mostrou indisponível para quem quer que fosse e à hora que fosse… algumas vezes, lamentavelmente, não tive resposta para dar, ou dei uma resposta menos boa.
Ao longo destes anos tivemos muitas discussões: a escola que iria sempre fechar e que ao fim de 12 anos continua a funcionar, a ETAR, a obra do Mirante, as linhas MAT, o PDM, a ADAM, a água da chuva e da rega, os baldios, os Kiwi’s e muitas outras…
Nesta casa onde nos encontramos e onde a maioria de vocês estiveram igualmente estes 12 anos, aprendi que este espaço, mais do que um espaço de debate é um palco onde colaboramos, divergimos, aprendemos e, sobretudo, onde construímos o bem comum.
Agradeço, em primeiro lugar, a confiança de todos que, ao longo destes anos, depositaram em mim a responsabilidade de liderar os trabalhos desta casa. Agradeço aos membros da assembleia, aos executivos, a todos empreiteiros e/ou prestadores de serviços, a todos os colaboradores, às Associações da nossa terra e à população em geral, e de forma muito particular aqueles [e estes sabem bem quem são], cuja participação ativa, dia após dia, semana após semana, mês após mês, ano após ano, foram sempre o motor essencial para a força desta Freguesia.
Quero reconhecer o empenho, mesmo nas diferenças, de cada pessoa que compôs as 3 Assembleias de Freguesia para as quais fui sempre eleito em primeiro lugar pelo nosso povo. Da pluralidade de ideias nasce o progresso, e o respeito mútuo foi a base do nosso percurso. O diálogo, por vezes intenso, permitiu-nos encontrar consensos e decidir sempre com a convicção de que estávamos a servir o interesse coletivo.
Aproveito este momento e porque, como bem entendem, não reunirei novamente o executivo da JF em reunião pública para agradecer a participação de todos aqueles que mensalmente despenderam de algum tempo das suas vidas e que tomaram parte nas reuniões publicas do executivo para discutir os problemas da nossa terra.
Sinto-me privilegiado por ter acompanhado projetos que transformaram a nossa terra, iniciativas que aproximaram as pessoas e respostas concretas às necessidades sentidas por quem aqui vive. Cada vitória foi resultado do trabalho de todos; cada obstáculo, superado pelo espírito de união e perseverança.
Não me arrependo de nada… porém, penso que em determinadas alturas, o caminho poderia ter sido outro.
Saio com a consciência tranquila de que dei o melhor de mim, sempre movido pelo sentido de missão, honestidade e dedicação. Outros há que, movidos por questões político-partidárias, ou outros que não consigo nem quero aqui referir, mais me parece que colocaram outros interesses acima dos interesses da Nossa Terra... lamento tanta coisa que fica na gaveta... não na minha porque, tudo que entendi ser importante para Rebordões-Souto, quando não dependia de mim, foi encaminhado para quem de direito (e, aí, infelizmente, ficou à espera de uma vontade que tarda e teima tanto em aparecer).
Não posso deixar de agradecer à minha família, cujo apoio silencioso foi, tantas vezes, o meu refúgio e inspiração.
Deixo esta função, mas não abandono a minha terra. Permaneço disponível, como cidadão, para contribuir e colaborar, agora de outra forma, para o futuro da nossa freguesia.
Desejo aos que irão continuar e àqueles que irão chegar coragem, visão e compromisso. Que mantenham viva a paixão pelo serviço público e que nunca se esqueçam que cada decisão tomada aqui ecoa na vida de cada um dos nossos vizinhos.
Ao encerrar este ciclo, julgo importante partilhar uma reflexão deixada por quem também dedicou grande parte da sua vida a esta casa. Cito o senhor Domingos Oliveira Vieira, presidente desta assembleia entre 1983 e 2013, que costumava dizer: “Por muito que se tenha feito, haverá sempre muito mais que fica por fazer…”, uma frase simples, mas profunda, que serve de lembrete de que o trabalho público é um processo contínuo, uma construção coletiva permanente e que, independentemente dos resultados alcançados, a missão de servir a comunidade exige humildade para reconhecer que os desafios continuam.
Levo daqui memórias que permanecerão comigo para sempre e a certeza de que, juntos, deixámos uma marca positiva no caminho da nossa comunidade.
Muito obrigado a todos.
Bem hajam.
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