Marcelo Rebelo de Sousa, por ocasião dos 40 anos do “acidente” de Camarate afirmou que Sá Carneiro “poderia vir a ser Presidente da República” e disse que ele foi Um político que sonhou uma social- -democracia à portuguesa:
“Apesar da frieza analítica com que expõe as linhas programáticas do partido, Sá Carneiro não consegue ser imune ao galope da Revolução. Os sintomas mais claros dessa, embora limitada, cedência verbal é o teor da entrevista de 10/1974 e dos discursos no comício nacional e no I Congresso, que converte nas palavras mais radicais proferidas em toda a vida política de Sá Carneiro. Exemplos: na conferência de imprensa de 30/10/1974, a afirmação de que ‘não haverá verdadeira democracia sem socialismo, nem socialismo autêntico sem democracia’; de que o PPD pretende ‘reunir todos os que comungam nos valores do socialismo democrático’; de que importa lançar uma ponte entre a construção do socialismo democrático na Europa e as experiências socialistas do Terceiro Mundo, com uma posição responsável, ‘anti- -imperialista, solidária com os países subdesenvolvidos’. No discurso do comício: o fim das guerras coloniais e a solidariedade com o início da descolonização efetiva; no reforço da unidade em torno do Presidente Costa Gomes, no combate à reação e na proibição das atividades dos partidos e movimentos neofascistas (...)”
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