No final, lança uma pergunta, que essa sim me tem andado já há varios meses a inquietar e que tem a ver precisamente com a realidade em que se encontra a via política em Portugal, e para onde poderá caminhar...
Pergunta ele: "Onde é que isto tudo nos leva?"
E responde:
"No final da semana passada o PS começou a falar de “luta de lama” e, depois de conhecidas as respostas do primeiro-ministro, remeteu o caso para o julgamento futuro dos eleitores. Os cínicos dirão que só o fez porque entretanto começaram a pairar dúvidas sobre possíveis casos que envolvessem o seu líder, António Costa. Eu prefiro, desta vez, não ser cínico e acreditar que o PS percebeu que não havia neste caso gravidade nem dimensão para deixar que a discussão política passasse para outros níveis, ao contrário do que continuam a pretender o PCP e o Bloco.
Olhemos para a vizinha Espanha e vejamos o que se está a passar. É possível que, nas próximas eleições, o sistema político que assegurou a transição para a democracia e a integração europeia impluda, e não apenas porque a crise sacrificou muitos espanhóis. O que está a minar os grandes partidos é a percepção de que estes estão tomados por corruptos e formam uma oligarquia intocável – “la casta”, como demagogicamente se lhes refere o líder do Podemos.
Portugal não está na mesma situação, mas não nos faltam casos realmente graves, processos e escândalos intoleráveis, para que qualquer político responsável saiba que caminha sobre brasas. Criar ou deixar criar na opinião pública a percepção de que “são todos iguais”, quando não são e se sabe que não são, é abrir caminho aos que, colocando-se contra o regime, podem surgir como redentores, e não como os demagogos que realmente são.
É bom saber distinguir o essencial do acessório. É preciso separar os erros, mesmo os mais condenáveis, dos crimes. E não confundir a necessidade de transparência com exigências demagógicas e voyeuristas."
"No final da semana passada o PS começou a falar de “luta de lama” e, depois de conhecidas as respostas do primeiro-ministro, remeteu o caso para o julgamento futuro dos eleitores. Os cínicos dirão que só o fez porque entretanto começaram a pairar dúvidas sobre possíveis casos que envolvessem o seu líder, António Costa. Eu prefiro, desta vez, não ser cínico e acreditar que o PS percebeu que não havia neste caso gravidade nem dimensão para deixar que a discussão política passasse para outros níveis, ao contrário do que continuam a pretender o PCP e o Bloco.
Olhemos para a vizinha Espanha e vejamos o que se está a passar. É possível que, nas próximas eleições, o sistema político que assegurou a transição para a democracia e a integração europeia impluda, e não apenas porque a crise sacrificou muitos espanhóis. O que está a minar os grandes partidos é a percepção de que estes estão tomados por corruptos e formam uma oligarquia intocável – “la casta”, como demagogicamente se lhes refere o líder do Podemos.
Portugal não está na mesma situação, mas não nos faltam casos realmente graves, processos e escândalos intoleráveis, para que qualquer político responsável saiba que caminha sobre brasas. Criar ou deixar criar na opinião pública a percepção de que “são todos iguais”, quando não são e se sabe que não são, é abrir caminho aos que, colocando-se contra o regime, podem surgir como redentores, e não como os demagogos que realmente são.
É bom saber distinguir o essencial do acessório. É preciso separar os erros, mesmo os mais condenáveis, dos crimes. E não confundir a necessidade de transparência com exigências demagógicas e voyeuristas."
O artigo completo pode ser lido aqui...
Sem comentários:
Enviar um comentário