É, que, sinceramente estou em crer que se assim não fosse, tudo aquilo que todos sofremos, tudo aquilo que perdemos, tudo aquilo que “nos foi tirado”, rapidamente era deitado fora.
A história um dia irá fazer justiça… um dia, alguém dirá se tudo isto foi ou não em vão… para muitos de nós, estes 3 anos foram maus… e realmente foram! Mas podiam ter sido bem piores.
Da parte que me toca, e sabendo da minha “partidarite”, facilmente se conclui que concordo com o foi feito. Sim, concordo! Porque alguma coisa tinha que ser feita para resolver o problema que asfixiava o Estado e que nos asfixiava a todos nós. O problema é que para resolver esse problema do “Estado” quem acabou por ficar asfixiado fomos nós!
E agora que a troika “se vai”, mesmo que fique por cá, só espero que para se ganhar eleições não se perca a lucidez, que não se entre no vale tudo… que não se prometa o que não se pode… só espero que sejam sérios aqueles que nos vão governar para que não nos desgovernem de novo!
E a respeito disto apetece-me partilhar uma música que tem muitos anos, de Sérgio Godinho, mas que continua sempre atual:
A letra reza assim:
"Estimado ouvinte, já que agora estou consigo
Peço apenas dois minutos de atençãoÉ pra contar a história de um amigo
Casimiro Baltazar da Conceição
O Casimiro, talvez você não conheça
a aldeia donde ele vinha nem vem no mapa
mas lá no burgo, por incrível que pareça
era, mais famoso que no Vaticano o Papa
O Casimiro era assim como um vidente
tinha um olho mesmo no meio da testa
isto pra lá dos outros dois é evidente
por isso façamos que ia dormir a sesta
Ficava de olho aberto
via as coisas de perto
que é uma maneira de melhor pensar
via o que estava mal
e como é natural
tentava sempre não se deixar enganar
(e dizia ele com os seus botões:)
Cuidado, Casimiro
cuidado com as imitações
Cuidado, minha gente
Cuidado justamente com as imitações
Lá na aldeia havia um homem que mandava
toda a gente, um por um, por-se na bicha
e votar nele e se votassem lá lhes dava
um bacalhau, um pão-de-ló, uma salsicha
E prometeu que construía um hospital
Uma escola e prédios de habitação
e uma capela maior que uma catedral
pelo menos a julgar pela descrição
Mas... O Casimiro que era fino do ouvido
tinha as orelhas equipadas com radar
ouvia o tipo muito sério e comedido
mas lá por dentro com o rabinho a dar, a dar
E... punha o ouvido atento
via as coisas por dentro
que é uma maneira de melhor pensar
via o que estava mal
e como é natural
tentava sempre não se deixar enganar
(e dizia ele com os seus botões:)
Cuidado, Casimiro
cuidado com as imitações
Cuidado, minha gente
Cuidado justamente com as imitações
Ora o tal tipo que mandava lá na aldeia
estava doido, já se vê, com o Casimiro
de cada vez que sorria à plateia
lá se lhe viam os dentes de vampiro
De forma que pra comprar o Casimiro
em vez do insulto, do boicote, da ameaça
disse-lhe: Sabe que no fundo o admiro
Vou erguer-lhe uma estátua aqui na praça
Mas... O Casimiro que era tudo menos burro
tinha um nariz que parecia um elefante
sentiu logo que aquilo cheirava a esturro
ser honesto não é só ser bem falante
A moral deste conto
vou resumi-la e pronto
cada qual faz o que melhor pensar
Não é preciso ser
Casimiro pra ter
sempre cuidado pra não se deixar levar."
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