terça-feira, 6 de maio de 2014

... e a troika foi-se!!!..

A realidade é que só não fico triste porque alguém se lembrou de dizer que de 6 em 6 meses vinham cá de novo...

É, que, sinceramente estou em crer que se assim não fosse, tudo aquilo que todos sofremos, tudo aquilo que perdemos, tudo aquilo que “nos foi tirado”, rapidamente era deitado fora.

A história um dia irá fazer justiça… um dia, alguém dirá se tudo isto foi ou não em vão… para muitos de nós, estes 3 anos foram maus… e realmente foram! Mas podiam ter sido bem piores.

Da parte que me toca, e sabendo da minha “partidarite”, facilmente se conclui que concordo com o foi feito. Sim, concordo! Porque alguma coisa tinha que ser feita para resolver o problema que asfixiava o Estado e que nos asfixiava a todos nós. O problema é que para resolver esse problema do “Estado” quem acabou por ficar asfixiado fomos nós!

E agora que a troika “se vai”, mesmo que fique por cá, só espero que para se ganhar eleições não se perca a lucidez, que não se entre no vale tudo… que não se prometa o que não se pode… só espero que sejam sérios aqueles que nos vão governar para que não nos desgovernem de novo!

E a respeito disto apetece-me partilhar uma música que tem muitos anos, de Sérgio Godinho, mas que continua sempre atual: 

A letra reza assim: 

"Estimado ouvinte, já que agora estou consigo
Peço apenas dois minutos de atenção
É pra contar a história de um amigo
Casimiro Baltazar da Conceição

O Casimiro, talvez você não conheça
a aldeia donde ele vinha nem vem no mapa
mas lá no burgo, por incrível que pareça
era, mais famoso que no Vaticano o Papa

O Casimiro era assim como um vidente
tinha um olho mesmo no meio da testa
isto pra lá dos outros dois é evidente
por isso façamos que ia dormir a sesta

Ficava de olho aberto
via as coisas de perto
que é uma maneira de melhor pensar
via o que estava mal
e como é natural
tentava sempre não se deixar enganar
(e dizia ele com os seus botões:)

Cuidado, Casimiro
cuidado com as imitações
Cuidado, minha gente
Cuidado justamente com as imitações

Lá na aldeia havia um homem que mandava
toda a gente, um por um, por-se na bicha
e votar nele e se votassem lá lhes dava
um bacalhau, um pão-de-ló, uma salsicha

E prometeu que construía um hospital
Uma escola e prédios de habitação
e uma capela maior que uma catedral
pelo menos a julgar pela descrição

Mas... O Casimiro que era fino do ouvido
tinha as orelhas equipadas com radar
ouvia o tipo muito sério e comedido
mas lá por dentro com o rabinho a dar, a dar

E... punha o ouvido atento
via as coisas por dentro
que é uma maneira de melhor pensar
via o que estava mal
e como é natural
tentava sempre não se deixar enganar
(e dizia ele com os seus botões:)

Cuidado, Casimiro
cuidado com as imitações
Cuidado, minha gente
Cuidado justamente com as imitações

Ora o tal tipo que mandava lá na aldeia
estava doido, já se vê, com o Casimiro
de cada vez que sorria à plateia
lá se lhe viam os dentes de vampiro

De forma que pra comprar o Casimiro
em vez do insulto, do boicote, da ameaça
disse-lhe: Sabe que no fundo o admiro
Vou erguer-lhe uma estátua aqui na praça

Mas... O Casimiro que era tudo menos burro
tinha um nariz que parecia um elefante
sentiu logo que aquilo cheirava a esturro
ser honesto não é só ser bem falante

A moral deste conto
vou resumi-la e pronto
cada qual faz o que melhor pensar
Não é preciso ser
Casimiro pra ter
sempre cuidado pra não se deixar levar."

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