sábado, 27 de fevereiro de 2021

ADAM, a “mal parida”

 Exmo senhor Presidente da AM de Ponte de Lima,

Senhores Secretários,

Exmo senhor Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima,

Senhores Vereadores,

Companheiros Presidentes de Junta de Freguesia,

Membros eleitos da AM,

Comunicação Social,

Público aqui presente,


Como todos sabemos, no passado dia 01de setembro de 2018, esta Assembleia Municipal aprovou por maioria, com quarenta e nove votos a favor, catorze votos contra e oito abstenções a "Adesão à Sociedade Águas do Alto Minho, S.A.”, sendo que o início oficial de funcionamento desta empresa de capitais públicos se concretizou em 01 de janeiro de 2020. 

Desde esse dia muito se tem dito, mas muito pouco tem sido feito.

Uns dias antes deste 01 de setembro de 2018, o executivo da Junta de Rebordões-Souto a que presido, reuniu em reunião extraordinária sendo que nesta mesma reunião participaram os membros da Assembleia e cidadãos da Freguesia, cujo número não consigo precisar, mas que, com esta distância posso seguramente assegurar era superior a uma dezena.

Tinha como ponto único de ordem de trabalho discutir o sentido de voto do Presidente da Junta de Freguesia que na Assembleia Municipal teria de votar de uma ou de outra forma a proposta de Adesão do Município de Ponte de Lima à Sociedade Águas do Alto Minho.

Nesse dia, depois de ouvidas as posições dos membros da Assembleia de Freguesia de Rebordões-Souto e das outras pessoas presentes, foi acordado que o sentido de voto do Presidente de Junta seria a abstenção, tal como veio a acontecer no dia 01 de setembro.

Julgo importante referir isto porque nos últimos dias muito se tem falado desta votação e principalmente da dos Presidentes de Junta… não sei o que os meus colegas fizeram… mas sei que o que fizeram, o sentido de voto que tomaram, foi com toda a certeza baseado  nas informações que a todos nós foram disponibilizadas, quer pela CMPL, quer pela empresa Águas de Portugal, e que ambos traçavam um cenário que muito dificilmente poderia ter outro desfecho que não fosse a aprovação da entrega da gestão da água a esta empresa.

Nesse mesmo dia muito foi dito por todos aqueles que defendiam uma ou outra posição… no entanto, a realidade que nos era presente nesse dia, mostrava-nos que, em face do estado das redes de abastecimento de água e de saneamento, da falta de capacidade financeira para a condução das necessárias obras de beneficiação das mesmas e de sua ampliação, fruto muitos anos de más decisões, muitos anos de não investimento sério e criterioso, não poderia ter outra consequência que não fosse a aprovação desta adesão (que tinha como principal interessado o executivo municipal que, como alguns disseram assim se via livre de uma dor de cabeça)…

Ao longo dos tempos que antecederam esta votação realizada no dia 01 de setembro de 2018, vários eleitos foram denunciando o mau estado da rede de abastecimento de água e da rede de saneamento. Muitos chamaram a atenção do executivo limiano para o facto de não estar a ser feito tudo o que devia no que diz respeito ao necessário investimento na expansão e na reabilitação das respetivas redes. 

A todas estas tomadas de posição, o executivo respondia sempre com a factualidade de que a ele lhe competia gerir e que só ele o sabia fazer de acordo com as necessidades dos limianos.

Só que esta presunção redundou na naquilo a que se chamou de “ponto de quase não retorno”, uma “inevitabilidade”. 

E, olhando a realidade política, com todas estas décadas de más opções e de más decisões, quando confrontados com o relatório técnico que nos foi apresentado, a votação foi o que se viu e, em consciência, esta Assembleia autorizou o executivo de Ponte de Lima a alienar por 30 anos a capacidade de gerir este bem essencial que é a água.

Para além desta realidade que tem um rosto, houve a pressão do poder central.

Senhor Presidente da Câmara, confirma que houve ou não se houve pressões da ERSAR, dos governantes, nomeadamente do senhor Ministro do Ambiente, Pedro Matos Fernandes; e do senhor, na altura Secretário de Estado, e agora Presidente não executivo da Sociedade Águas do Alto Minho, Carlos Martins.

Como tive oportunidade de dizer na sessão de setembro de 2020, todos tínhamos consciência de que poderia haver alguns erros e de que haveria dificuldades no início desta nova empresa. 

O que não se pode continuar a tolerar é que, chegados a este ponto, com mais de um ano de funcionamento, se verifique que a administração das Águas do Alto Minho, nomeada pelo (des)governo que nos (des)governa, presidida pelo senhor ex-Secretário de Estado do Ambiente e Transição Energética do XXI Governo, o Eng. Carlos Martins, mas da qual deve ter vergonha já que não assume o seu papel como executivo, tem pautado a sua atividade por uma completa falta de rigor, de profissionalismo, patente numa gestão carregada de erros grosseiros que espelham uma incompetência inqualificável que a todos deveria a envergonhar… a mim envergonha-me!... Triste pensar que, depois de, em abril de 2020, a empresa ter suspendido a faturação depois de terem sido detetados erros de faturação que afetaram 15 mil consumidores, os mesmo erros continuem e se apresentem faturas amarelas de regularização sem que se tenha feito uma leitura real de todos os contadores… e nisto falo em causa própria porque, recebi uma fatura de amarela e quando olho para a cinzenta, vejo que a leitura tinha sido feita em algures no mês de agosto do ano passado.

Senhor Presidente, chegados a este ponto, parece-me ser importante que seja pedida desculpa aos nossos concidadãos, aos clientes desta nova empresa que, por causa da decisão desta casa viram as suas contas crescer para valores que ultrapassaram em muito o valor do café que nos foi anunciado… No meu caso, e apenas como exemplo, importa dizer que o aumento rondou qualquer coisa como 73%, passando de cerca de 140,00€ para mais de 240,00€ anuais.

Lamentavelmente, e como já disse, os erros continuam e a administração como que assobia para o lado. 

Senhor Presidente, o serviço mais fiável, eficaz e de qualidade, a gestão eficiente dos recursos naturais, das infraestruturas e dos serviços de operação e manutenção é cada vez uma miragem muito distante…  e não vale de nada procurar desculpas: a forma como esta empresa trata os seus clientes deveria envergonhar os seus dirigentes e merece a nossa total censura!...

Aqui chegados, mais importante que apontar o dedo, é importante encontrar solução para esta situação.

Recentemente, assistimos a uma tomada de posição das 7 CM’s que exigem que se feche a torneira dos erros desta empresa. Temo que não seja suficiente dada a dimensão da cegueira desta gente que, a mando do (des)governo que (des)governa este país, manda e desmanda neste bem essencial que é a água…

Tal como disse há uns meses, parece-me ser tempo de fazer valer a participação dos municípios nesta empresa. É tempo e mais que tempo de olhar para as dificuldades dos nossos concidadãos e dar-lhes uma resposta que não seja apenas vamos reclamar junto da administração da ADAM.

Não sei se o caminho que se tem que fazer passa pela reversão, pelo fim desta, desculpem-me o termo, “mal parida” empresa devolvendo a sua gestão a cada um dos municípios. Mas sei que, depois de ver este amontoado de erros, grosseiros, enormes, é tempo e mais que tempo de tomar decisões no sentido de sossegar os nossos concidadãos e de garantir que todos continuarão a ser bem servidos.

Estou certo de que os membros desta casa da democracia estarão à altura e decidirão pelo melhor de todos os limianos.

Ponte de Lima, 27 de fevereiro de 2021

Filipe Amorim,

Presidente da Junta de Freguesia de Rebordões-Souto


sábado, 20 de fevereiro de 2021

da memória (ou da necessidade da falta dela)

Vivemos tempos estranhos... tão estranhos em que somos confrontados com alguns que tentam apagar a História deste nosso Portugal.

Custa-me ver a forma como alguns se referem a tudo aquilo que fomos... aquilo que fizemos... aquilo que nos levou ao ponto onde hoje estamos.

Não temos que ter orgulho de tudo! Mas temos que saber tudo o que fizemos (os nossos antepassados) para não, eventualmente, virmos a cair nos mesmos erros!... 

Sinceramente custa-me ver a forma como alguns se referiram ao sr TCor Marcelino da Mata... custa-me ver que lhe chamem tudo menos aquilo que ele foi: um humilde servidor da pátria, um servidor de um Portugal que fomos, mas que, sinceramente esperamos nuca vir a ser outra vez... o Homem Marcelino da Mata fez o que fez porque, por um lado cumpriu ordem e porque por outro lado, na altura lhe parecia ser o mais correto.

Sinceramente custa-me ver o sr Deputado Ascenso Simões a pedir a destruição do Padrão dos Descobrimentos... bem sei que é uma construção do Salazarismo... mas, se destruímos isto pelo simples facto de ser uma obra de Salazar também teremos que destruir muitas outras coisas tais como universidades, tribunais, pontes, quarteis, escolas primárias [se bem que, no que diz respeito às escolas primárias, a evolução da taxa de natalidade encarregou-se de fazer isso].

Triste tempos... a este respeito recordo-me das sábias palavras do Papa Francisco quando nos diz que “Sem memória não poderemos ir para frente”... lamentavelmente alguns preferem apagar aquilo que fomos!... 

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Padrãos dos Descobrimentos

 Da autoria do arquiteto Cottinelli Telmo (1897 – 1948) e do escultor Leopoldo de Almeida (1898 – 1975), o Padrão dos Descobrimentos foi erguido pela primeira vez em 1940, de forma efémera e integrado na Exposição do Mundo Português. Construído em materiais perecíveis, possuía uma leve estrutura de ferro e cimento, sendo a composição escultórica moldada em estafe (mistura de espécies de gesso e estopa, consolidada por armação ou gradeamento de madeira ou ferro). 

Em 1960, por ocasião da comemoração dos 500 anos da morte do Infante D. Henrique, o Padrão é reconstruído em betão e cantaria de pedra rosal de Leiria, e as esculturas em cantaria de calcário de Sintra. Em 1985 é inaugurado como Centro Cultural das Descobertas. O arquitecto Fernando Ramalho remodelou o interior, dotando o Padrão de um miradouro, auditório e salas de exposições.

Isolado e destacado no paredão à beira do Tejo, o Padrão dos Descobrimentos evoca a expansão ultramarina portuguesa, sintetiza um passado glorioso e simboliza a grandeza da obra do Infante D. Henrique, o impulsionador das descobertas.

Uma caravela estilizada faz-se ao mar, levando à proa o Infante D. Henrique e alguns dos protagonistas (32) da gesta ultramarina e da cultura da época, navegadores, cartógrafos, guerreiros, colonizadores, evangelizadores, cronistas e artistas, são retratados com os símbolos que os individualizam.

Um mastro estilizado, com orientação Norte – Sul, tem em cada uma das faces dois escudos portugueses, com cinco quinas, envolvidos por faixa com 12 castelos e ao centro várias flores-de-lis. Ao mastro adoçam-se, em cada face, três estruturas triangulares, curvas, dando a ilusão de velas enfunadas pelo vento.

A face norte é formada por dois gigantes de cantaria, onde se vêem inscrições em letras metálicas:

No lado esquerdo, sobre uma âncora: AO INFANTE D. HENRIQUE E AOS PORTUGUESES QUE DESCOBRIRAM OS CAMINHOS DO MAR;

No lado oposto, sobre uma coroa de louros: NO V CENTENÁRIO DO INFANTE D. HENRIQUE 1460 – 1960.

Ao centro um lanço de nove degraus dá acesso a um átrio com vista para toda a zona que circunda o Padrão. Um segundo lanço de cinco escadas, um portal com arco de volta perfeita e uma moldura formada pelas aduelas, dá acesso ao interior do monumento.

O Monumento é ladeado por duas esferas armilares em metal, sobre duas plataformas paralelepipédicas.


Características técnicas:

Altura – 56m; Largura – 20m; Comprimento – 46m; Fundações – 20m

Figura central (Infante) – 9m Figuras laterais (32) – 7m

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Fonte: https://padraodosdescobrimentos.pt/padrao-dos-descobrimentos/

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Resistência - Aquele Inverno

A respeito de um Homem que perdeu uma (ou várias) lutas que não tinha que travar... um Homem que devemos respeitar: Marcelino da Mata... PRESENTE!...


Sempre um piano
Um piano selvagem
Que nós gela o coração
E nos trás a imagem
Daquele inverno
Naquele inferno

Há sempre a lembrança
E um olhar a sangrar
E um soldado perdido
Em terras do ultramar
Por obrigação
Aquela missão

Combater a selva sem saber porquê
E sentir o inferno a matar alguém
E quem regressou
Guarda sensação
Que lutou numa guerra sem razão
Sem razão, sem razão

Sempre a palavra
A palavra nação
Que chefes trazem e usam
Pra esconder a razão
Da sua vontade
Aquela verdade

Para eles aquele inverno
Será sempre o mesmo inferno
Que ninguém poderá esquecer
Ter que matar ou morrer
Ao sabor do vento
Naquele tormento

Perguntei ao céu, será sempre assim?
Poderá o inverno nunca ter um fim?
Não sei responder
Só talvez lembrar
O que alguém que voltou, veio contar
Recordar
Recordar

Perguntei ao céu, será sempre assim?
Poderá o inverno nunca ter um fim?
Não sei responder
Só talvez lembrar
O que alguém que voltou, veio contar

-- Resistência - Aquele Inverno



Eutanásia no Tribunal Constitucional

Marcelo Rebelo de Sousa enviou para o Tribunal Constitucional (TC) o diploma do parlamento que despenaliza a morte medicamente assistida, para fiscalização preventiva da sua constitucionalidade.

Diz ele:

"Considerando que recorre a conceitos excessivamente indeterminados, na definição dos requisitos de permissão da despenalização da morte medicamente assistida, e consagra a delegação, pela Assembleia da República, de matéria que lhe competia densificar, o Presidente da Republica decidiu submeter a fiscalização preventiva de constitucionalidade o decreto da Assembleia da República que regula as condições especiais em que a antecipação da morte medicamente assistida não é punível e altera o Código Penal, nos termos do requerimento, em anexo, enviado hoje ao Tribunal Constitucional"...

Sinceramente estranho esta posição... estranho que um católico convicto envie este diploma para o TC "apenas" porque é necessário averiguar se os conceitos de “situação de sofrimento intolerável” e de “lesão definitiva de gravidade extrema de acordo com o consenso científico”, previstos na lei como condições essenciais para que a eutanásia não seja punida estão ou não de acordo com a Constituição... 

Resumindo, o católico Marcelo Rebelo de Sousa concorda com que a morte medicamente assistida não é punível e que portanto devemos de ter o poder de por fim à nossa vida (mas recorrendo ao médico [carrasco] para nos aplicar a dose letal da coisa que nos há-de levar para o outro lado...

Enfim... 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Ser Militar não é ser melhor nem pior, é ser diferente...

Fui militar (Sargento em Regime de Contrato no Exército Português) durante 10 anos. Este tempo, do qual guardo algumas das melhores recordações da minha vida, certamente aliado ao facto de ser filho de um militar da GNR, faz com que tenha muito respeito pelas Forças Armadas e pelas Forças de Segurança. 

Dez anos passados desde o fim da minha prestação de serviço no Exército Português e, no meio de todo este turbilhão de acontecimentos, de avanços e de recuos neste tempo pandémico que a todos tolhe a vida, não posso deixar de concordar e felicitar a nomeação do senhor Vice-Almirante Gouveia e Melo para "comandar" a Task force para o plano de vacinação contra a covid-19. 

Li há pouco, no facebook, a respeito desta escolha que, “Ser Militar não é ser melhor nem pior, é ser diferente..." 

Estou completamente de acordo: ser Militar não é ser melhor nem pior, é ser diferente... sendo que é nessa diferença que reside a mais valia de empregar as FA’s e de Segurança em determinadas missões. E esta é uma daquelas missões em que estou certo que a capacidade, a organização e a resiliência do Ser Militar vai sobressair e contribuir para que todo este trabalho de vacinar por duas vezes 10 milhões de habitantes corra da melhor forma possível.

Boa missão ao sr Vice-Almirante. Portugal e os portugueses contam consigo.