sábado, 21 de março de 2026

Gosto de música… Tous les arbres sont en fleurs

Hoje inicia a Primavera… e, com ela, todo um sentimento de renovação que ultrapassa aquilo que muitos chamam de cinzento do Inverno

Gosto de música… de tudo um pouco… e hoje, neste início da Primavera, ouço Tous les arbres sont en fleurs de Nana Mouskouri… hoje, com o início da Primavera, somos convidados a apreciar, mas, acima de tudo a viver a vida que, tal como a natureza, uma vez mais se renova e se embeleza…

Tous les arbres sont en fleurs...





PS.: hoje, há 43 anos, uma segunda-feira ao fim do dia, nasceu a minha irmã, (Armanda Maria Amorim), parabéns pelo teu aniversário.
 

sexta-feira, 20 de março de 2026

Gosto de múscia... Florbela

Ser Poeta é ser mais alto, é ser maior... na véspera do Dia Muncial da Poesia, 14 poemas de Florbela Espanca dão corpo a "Florbela".



sábado, 14 de março de 2026

100 anos...

(foto tirada pelo meu primo Cristiano,
algures no verão de 2024, quando o meu avô tinha 98 anos)

O meu avô António, o Tone Tadeu, como era conhecido, apesar do seu BI não o dizer, faria hoje 100 anos... viveu 99 anos, 5 meses e 26 dias... viveu mais de setenta anos com a minha avó Custódia... deixou duas filhas, 6 netos(as) (e os seus respetivos[as]) e 8 bisnetos(as)... não somos muitos... mas todos, todos, todos sentimos a sua falta!...

Sentimos a falta daqueles olhos azuis, marotos, sempre a sorrir, mesmo quando estava menos contente... sinceramente, não me consigo lembrar de um único dia em que o velhinho, como carinhosamente todos lhe chamávamos, não contasse uma piada, uma história de antigamente, um orgulho das suas brincadeiras de jovem, uma dureza da sua vida... 

Sinceramente, sinto que o meu avô tinha orgulho na sua vida... nos seus mais de 70 anos ao lado da avó (que tinha um trato, às vezes, duro) mas que era a sua Custódia... a mãe das suas duas filhas vivas (porque uma faleceu muito nova)... aquela que ele, engatatão da Queijada, ainda antes de casar, quando ela ficou "sozinha no mundo" e quando ele a “pretendia”, segundo ela, espiou, durante a noite e que ela, para confirmar isso mesmo, espalhou borralha nas escadas da casa para que lá ficassem marcados as suas pegadas...

Sou o neto mais velho... eles foram os meus padrinhos de baptismo e de casamento... cresci ao lado deles... acompanhei-os sempre que pude… recordo a última viagem da avó num meu carro, dois dias antes de ser acometida de uma pancreatite aguda que a agarrou até aos fins da sua vida (com mais de noventa anos) à cama… lembro do único internamento do meu avô (perto de 15 dias) nessa sua longa vida… recordo como dizia sempre que estava bem… e sempre, sempre a perguntar pelos de casa… 

Lembro, tempos de há muito tempo… a chegada da escola e a pinguinha de vinho novo quando este se estava a incubar, mas sempre acompanhado do devido recado: "não digas nada à tua mãe"... lembro a nota que era dada... lembro a preocupação: "Rosa, onde anda o teu filho?"... que vais fazer quando acabares a Escola?... "isto não está fácil, eu tive que ir para Lisboa, mas agora nem lá há trabalho"... lembro "quando saíres da tropa, que vais fazer?"... lembro a alegria do nascimento da minha filha... da construção da minha casa num dos seus campos de milho... lembro da preocupação com a saúde da Rosinha, a sua afilhada emprestada... do desabafo do dia em que a viu pela última vez... e da recomendação: "não digas à avó que a Rosinha morreu"...

Que saudades meu avô!... 

sexta-feira, 13 de março de 2026

Para Atravessar Contigo o Deserto do Mundo (*)

Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei

Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso

Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo

Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento

(*) Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto, 1962

terça-feira, 10 de março de 2026

O vinho do Seguro, Sr Presidente


Realizou-se ontem, 9 de março, a tomada de posse do 21.o Presidente da República da República Portuguesa, de seu nome, António José Seguro.

Republicano desiludido que sou e monárquico pouco convencido, não prestei grande atenção à cerimónia de tomada de posse… ouvi o discurso e procurei as reações dos líderes dos principais… ouvi e li alguns comentários de alguns comentadeiros de/ao serviço… inquietou-me a falta de povo… estranhei que o povo, que lhe confiou o voto (3.505.846 de nós) não tivesse saído à rua para mostrar a sua alegria!… o que para mim denota claramente um problema que urge resolver… para além disso, Marcelo, melhor o Presidente Marcelo voltou a fazer das suas e, no caminho para a AR, para para fazer as últimas compras…

Mas, o que mais me inquietou foi o facto de Seguro, peço desculpa, o Sr Presidente Seguro, ter ostensivamente servido o seu vinho, agora dos seus filhos, que nada percebem da poda, no almoço com os outros chefes de estado… o que resultou, claramente, numa descarada promoção do vinho que produz, mas acima de tudo, numa ostensiva mistura de vida política com negócios pessoais, poucos meses depois de termos andado a discutir uma possível mistura dos negócios pessoais de Luís Montenegro com o seu cargo.

Enfim, permitiu-se que se fizesse ostensivamente propaganda ao seu vinho no seu primeiro almoço como PR - e fica tudo calado, porque ele é socialista… e, portanto, pode."

domingo, 8 de março de 2026

Algumas Reflexões Sobre a Mulher (*)


Elas são as mães:
rompem do inferno, furam a treva,
arrastando
os seus mantos na poeira das estrelas.

Animais sonâmbulos,
dormem nos rios, na raiz do pão.

Na vulva sombria
é onde fazem o lume:
ali têm casa.
Em segredo, escondem
o latir lancinante dos seus cães.

Nos olhos, o relâmpago
negro do frio.

Longamente bebem
o silencio
nas próprias mãos.

O olhar
desafia as aves:
o seu voo é mais fundo.

Sobre si se debruçam
a escutar
os passos do crepúsculo.

Despem-se ao espelho
para entrarem
nas águas da sombra.

É quando dançam que todos os caminhos
levam ao mar.

São elas que fabricam o mel,
o aroma do luar,
o branco da rosa.

Quando o galo canta
Desprendem-se
para serem orvalho.


(*) Eugénio de Andrade

sábado, 7 de março de 2026

A cantiga é uma arma… silencie-se!…

Diz-se e canta-se por aí que a cantiga é uma arma…. De facto, muitas vezes, na história dos povos, as canções serviram como instrumentos de luta, resistência e união. Seja numa manifestação, num encontro de amigos ou nos palcos do mundo, a música transforma-se, por vezes, num grito coletivo, capaz de inspirar mudanças e desafiar injustiças. Quem nunca sentiu o poder de uma melodia que incita à esperança ou de um verso que denuncia realidades? Ao longo do tempo, as cantigas ajudaram a preservar memórias, contar histórias e fortalecer identidades. Por isso, não é exagero afirmar que, mais do que simples entretenimento, a cantiga pode ser uma poderosa arma na mão daqueles que sonham com um futuro melhor.

A cantiga é uma arma… se dúvidas houver, basta lembrar a Revolução dos Cravos, o 25 de Abril… Nesse momento marcante da história portuguesa, as canções foram muito mais do que simples música: tornaram-se símbolos de resistência e liberdade. Músicas, carregadas de mensagem política ecoaram não só nas rádios, mas também nos corações de todos aqueles que ansiavam por mudança. Foi através das palavras cantadas que se transmitiu coragem, esperança e a mensagem de que era possível construir um país mais justo e livre. E, o 25 de Abril tornou-se um exemplo vivo do poder transformador da música, mostrando que a cantiga, quando se alia ao desejo coletivo de liberdade, pode realmente ser uma arma decisiva na luta por direitos e pela democracia.

Posto isto, estranho muito, muito mesmo que muitos dos artistas de hoje, intelectuais de meia tigela se apostem a defender aquilo contra tantos lutaram no antigamente.

Falo da censura aos artistas Israelitas e da tentativa de os impedir de participar no Festival da Canção da Eurovisão.

O que vale é ainda haver alguns que não andam só com a cabeça entre as orelhas… António Manuel Ribeiro dos UHF é um desses… um bem-haja pela coragem!…

“Não devemos confundir Netanyahu com os israelitas, porque eles estão todos os dias na rua a fazer manifestações. Deixem os artistas israelitas respirar um bocado”.